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21h51
Pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e famílias atípicas participaram nesta segunda-feira (13) do último dia de programação da Central da Inclusão, no Pavilhão da Árvore de Mirassol, em Natal. A iniciativa integra a campanha “Vamos Abraçar o Autismo”, na programação do Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o TEA. Entre os destaques da ação está a Feira de Empregabilidade, que reuniu empresas e instituições parceiras com oferta de vagas, orientação profissional e encaminhamento para o mercado de trabalho.
Marcos Levi, 21, cadastrou o currículo em duas empresas na tarde desta segunda-feira. “Estou tentando emprego há tempo. Eu só quero trabalhar, porque gosto cada vez mais de ter experiência”, conta. Ele fez cursos profissionalizantes de auxiliar de cozinha e informática. Agora, suas expectativas estão “a mil” para ingressar no mercado de trabalho.
Assim como ele, outras pessoas com TEA puderam elaborar currículos e realizar cadastro na plataforma do Senac Carreiras, além de terem acesso a vagas e ao banco de talentos da instituição.
Segundo o vereador Daniel Santiago, parceiro na realização do evento, a iniciativa foi pensada tanto para a inserção de pessoas adultas com TEA no mercado de trabalho quanto para pais e mães atípicas. “Muitas vezes o pai está desempregado, tornando ainda mais difícil a luta”, afirma. O parlamentar explica que a Central da Inclusão foi pensada em um formato de Central do Cidadão, para reunir diversos serviços voltados às famílias atípicas.
A programação contou com a participação do Senac RN, por meio do Senac Carreiras, com atividades voltadas à orientação de carreira. A feira teve também a participação de empresas e instituições parceiras, como Rede Mais, GMSER, Loucos por Coxinha, Iwof e Dr. Estágio. A iniciativa foi realizada pela Prefeitura de Natal em parceria com o Instituto Le Blue, o mandato do vereador Daniel Santiago e outras instituições.
Houve ainda a continuidade dos serviços municipais oferecidos desde a abertura, no último dia 9, incluindo Sala do Empreendedor, orientação jurídica, emissão de documentos – como CIPTEA (Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista), RG e Carteira da Pessoa com Deficiência –, serviços do Cadastro Único/CRAS e palestras.
Eliandra Costa, 38, levou o filho Jhonatan Enzo, 7, para emitir o CIPTEA. “Achei legal vir participar e conhecer o movimento, já que estão dando essa oportunidade para as mães atípicas, de ter tudo num lugar só, para facilitar. Porque a gente vai de secretaria em secretaria, e muitas vezes não consegue [acessar] os direitos das crianças”, afirma.
Para ela, é importante que famílias com TEA sejam inseridas no mercado de trabalho, mas nem sempre a sua realidade permite. No seu caso, por exemplo, os filhos estudam em turnos distintos, de modo que ela não conseguiria atuar profissionalmente.
“O emprego é importante quando a gente tem uma rede de apoio, porque agrega na condição. Até porque a medicação é bastante cara. Exige medicação, tratamento e muita coisa que hoje o SUS não proporciona”, afirma. Eliandra relata que um de seus filhos recebe um benefício financeiro, que não supre todas as necessidades, mas “ajuda muito”.
O encerramento da Central da Inclusão teve duas palestras: “Empreendedorismo: desenvolvimento de iniciativas voltadas ao contexto das famílias atípicas” e “A importância do humor na saúde mental”, com participação de Mução, Lídia Marly e Sylvia Sá.








