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Sem estrutura: atletas de Natal criticam pista de atletismo da UFRN


Redação Tribuna do Norte




23h30

Pista da UFRN não tem estrutura para treinos de velocidade, apenas para saltos | Foto: Alex Régis

Em Natal, celeiro de talentos esportivos, enquanto atletas treinam para alcançar o topo, o chão sob seus pés desaparece. Desde fevereiro deste ano, a pista de atletismo da UFRN, que já foi referência nacional, tornou-se um cenário de falta de estrutura e improviso. Sem condições de receber provas de velocidade na pista da UFRN, a solução veio do desespero dos atletas para não desistir de seus sonhos, revezando treinos nas instalações da universidade e no CAIC, além de locais próximos de casa e, em algumas situações, também buscando outros municípios e estados para realização dos treinos.

Idalberto Lima, 21, atuante no segmento esportivo há 10 anos, medalhista brasileiro do Sub-23 e dos Jogos Universitários, enfatizou que a situação é triste: o único espaço para treinar o esporte de alto rendimento hoje se encontra nessa situação. “Essa pista não tem condições nem de receber uma competição escolar”. Idalberto reitera que a pista dura e cheia de buracos pode ocasionar lesões nos atletas. “Correr na pista e no concreto é a mesma coisa”, afirmou Idalberto.

Em vídeos que circulam entre a comunidade esportiva, atletas usam placas de borracha improvisadas sobre o setor de saltos como uma alternativa para evitar lesões durante a prática do esporte. E em outros casos, eles revezam os treinamentos entre duas localidades, como a saltadora Lohany Layra, 27 anos.

Atletas reclamam que equipamento está esburacado. Pista foi inaugurada há 12 anos | Foto: Alex Régis

“A pista já está bem acabada e cheia de buracos, não tem como a gente correr bem. Ficamos revezando entre o CAIC e a UFRN. Quando tem a parte técnica, de saltos, precisamos vir à UFRN, porque lá no CAIC não funciona, a pista está acabada e a parte de saltos não presta. Para velocidade está melhor no CAIC. Aqui é o contrário, a pista está pior”.

A gravidade do cenário não é novidade. Em competições anteriores realizadas na universidade, atletas de outras localidades ficaram surpresos com a falta de estrutura, segundo os atletas, que destacaram que eventos de grande porte e alta competitividade não podem ser realizados na pista da UFRN. Fato que ocorreu no ano passado, com a Confederação Brasileira do Desporto Universitário, que retirou a modalidade Atletismo dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), em Natal. Enquanto o estado sediava o evento, a categoria Atletismo foi realizada no JUBs Seletivas em Brasília. Idalberto enfatiza o descaso e destaca que essa situação também é vexatória. “Essa pista era uma das melhores do Brasil. Todos os atletas queriam competir e treinar aqui, mas 10 anos depois está nesse estado, é lamentável”.

Durante a tarde, diversos atletas e a comunidade em geral utilizam as instalações da instituição pública para realizar exercícios e um atleta veterano que não quis se identificar enfatizou a preocupação com jovens que se deslocam de outros municípios para treinar nessas condições.

“É uma situação que acaba roubando os sonhos dos jovens. Um atleta teve um problema no joelho e eu tive uma lesão no calcanhar. Essa borracha, quando ressecada, acaba ficando muito dura, quase como um concreto, e isso acaba prejudicando os atletas”.

O Complexo de Esportes e Eventos (Coespe-UFRN) informou que a pista de atletismo foi inaugurada há 12 anos e que “atualmente, a instituição de ensino não possui orçamento para realizar o serviço de manutenção total do equipamento. Nesse sentido, em parceria com a Federação Norteriograndense de Atletismo (FNA), foi realizado um reparo no equipamento, com material que a Universidade ainda dispunha e mão de obra pela FNA”.

Procurado pela equipe, o presidente da Federação de Atletismo do Rio Grande do Norte, Marcos Gomes, não retornou ao contato. A respeito do CAIC, Cezinha Nunes, subsecretário de Esporte e Lazer do Rio Grande do Norte (SEL/RN), afirmou que há um projeto em andamento e que o Estado, por meio da secretaria, está viabilizando os recursos financeiros para executar a adequação, reforma e manutenção de todo o complexo avaliado em R$ 20 milhões.

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