Valdir Julião – Repórter
A Polícia Civil apresentou, em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (27), os detalhes da operação denominada Outras Faces, que prendeu acusados de fraudar cartões de crédito e financiamentos usando nome de pessoas mortas. Sete pessoas foram presas por participarem do esquema.
De acordo com o delegado Ben-Hur Cirino, Natal era a base da quadrilha, que solicitava cartões de crédito com limites altos e financiavam veículos de alto padrão A Polícia Civil do Rio Grande do Norte ainda diligência para cumprir um dos oito mandados de prisão expedidos pelo juízo da 4ª Vara Criminal da Comarca de Natal, mas prendeu sete pessoas acusadas de fraudar cartão de crédito em nome de pessoas mortas, entre as quais o diretor da empresa de alimentos Yoki, Marcos Matsunaga, que em 20 de maio foi assinado, com um tiro, e depois esquartejado pela mulher, em São Paulo.
Entre os nomes das pessoas falecidas cujos cartões de créditos eram retirados a partir de cadastros bancários que haviam lhe pertencido, estava o do falecido desembargador norteriograndense José Gosson.
Outro nome usado pela quadrilha foi o falecido empreiteiro Fernando de Arruda Botelho, que foi um dos sócios da construtora Camargo Correia, que morreu em abril num acidente aéreo no interior de São Paulo.
A quadrilha era chefiada por um homem que participou de um assalto à agência do Banco do Brasil em 2007 e também usou os nomes de personalidades ricas, já mortas, como Solleon Menezes e Eduardo Robson de Barros, além de uma tentativa de obtenção de cadastro bancário que pertenceu a Domingos Costa, falecido em acidente aéreo no mês passado e que era presidente da empresa mineira Vilma Alimentos.
A “Operação Outras Faces” foi deflagrada em junho, depois que o Departamento de Segurança Corporativo de um banco paulista entrou em contato com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesed), informando que uma pessoa havia solicitado pelo call center a resposição de um cartão de crédito em nome de Matsunaga e que o endereço de destino ficava em Capim Macio, bairro da Zona Sul de Natal.
O delegado geral de Capturas Ben Hhur Cirino Medeiros chefiou as investigações e disse hoje de manhã, na sede da Delegacia Geral de Polícia (Degepol), na Cidade da Esperança, que ao invés de ir atrás, imediatamente, do solicitante do cartão de crédito, a Polícia optou pela segunda opção, de investigar a participação de outras pessoas nesse tipo de fraude, resultando na descoberta dessa quadrilha. “É só o começo”, dizia o delegado, que continua as investigações para cumprir o oitavo mandado de prisão e se ainda existem outras pessoas envolvidas no caso, que, ele ainda soube estimar qual o prejuízo causado ao comércio natalense.
Como funcionava o esquema
Os cadastros bancários e de pessoas jurídicas usados pela quadrilha de estelionatários eram de nomes, com perfil, que davam direito a um crédito “ilimitado” aos fraudadores de cartões de “dinheiro virtual”.
O delegado de Capturas Ben Hur Medeiros informou que o modus operandi da quadrilha tinha três vertentes, a primeira era a obtenção dos cadastros comerciais e bancários dos empresários falecidos.
De posse dos dados, como o nome completo, CPF, RG, endereços residenciais e comerciais, além de outros, os acusados se utilizavam dos serviços telemarketing dos bancos e operadoras de cartão de crédito, para obterem a reposição de cartões.
Segundo o delegado, além da quase certeza da impunidade, os presos usavam o nome dessas pessoas “porque elas não podiam ir mais atrás”, bem como se aproveitavam do fato de suas famílias, em virtude das circunstância de ter falecido um parente, “não se dirigiam a tempo de cancelar o CPF ou se dirigirem às agências bancárias para cancelamento de contas e dados cadastrais”.
Depois de obterem todos os dados, explicou o delegado de Capturas, os estelionatários faziam compras no comércio, principalmente na aquisição de veículos de luxo, como a compra de uma Hylux SW4, no valor de R$ 142 mil, para a qual foi dado um cheque de R$ 19 mil como entrada e o resto financiado.
Para fechar o negócio, o homem chegou à concessionária de automóveis, em maio, falsificando a assinatura do falecido empresário Fernando Botelho.
O homem também havia conseguido em nome de Matsunaga, sem limite de gastos e com validade até 2015, um mês depois da morte do dono da Yoki.
O delegado Medeiros ainda disse que, geralmente, os acusados se desfaziam do veículo depois de três meses de sua compra, quando a financeira, após o atraso de prestações, acionava a justiça para a busca e apreensão do veículo, que, no entanto, eram revendidos a receptadores já conhecidos da quadrilha.
Os acusados usavam, ainda, os cartões de créditos em restaurantes, bares, lojas de eletrodomésticos e casas noturnas, além de obterem, com pleno conhecimento de donos de casas comerciais, dinheiro vivo, como ocorreu na Distribuidora Almeida, da rua Xavantes, em Cidade Satélite, onde conseguiram R$ 25 mil.
Um salão de beleza na rua das Brancas Dunas, por trás do Natal Shopping, em Candelária, também era usado para o mesmo fim, “lavagem” de dinheiro dos cartões de crédito, que resultou na prisão de sua proprietária Andréa Paula Padilha da Silva, ex-mulher do chefe.
Outro integrante da quadrilha, Tiago Soares da Cruz, que foi o responsável por pedir ao call center de uma operadora a reposição do cartão de crédito em nome de Marco Matsunaga.
Segundo a Polícia, ele já foi preso pela “Operação Colossus”, deflagrada em agosto de 2007 pela Polícia Federal, que prendeu 23 pessoas, das quais 15 em Natal, por envolvimento em crimes como a obtenção de senhas bancárias na internet.
Entre os presos também está o técnico em contabilidade Sílvio Pereira da Silva, residente no bairro do Ibura, em Recife (PE), e que seria o responsável por abrir as empresas “fantasmas” para uso da quadrilha, que inclusive, está sendo investigada por se utilizar do nome da empresa Lustosa e Paiva, localizada em Parazinho, na região do Mato Grande, para comprar ilicitamente 33 toneladas de argamassa para a construção civil.
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A quadrilha
Tiago Soares da Cruz – responsável pela obtenção de cadastro de pessoas falecidas.
Sílvio Pereira da Silva – morador do Ibura, em Recife (PE), é o técnico em contabilidade que abria as firmas fantasmas.
Jorge Inque – simulava ser o proprietário de uma empresa, a Lustosa e Paiva, e realizava compras pela internet em nome do estabelecimento comercial.
Iram Carlos da Silva – ligava para as empresas e fingia ser a pessoa de Alexandre, um dos membros da empresa Lustosa, e assim realizava compras pela internet e por telefone.
Andréa Paula da Silva – proprietária de um salão de beleza em Candelária, era responsável por passar os cartões obtidos pela quadrilha no seu estabelecimento comercial.
Confira vídeo sobre as ações da quadrilha:
Atualizada às 15h05








