A Polícia Civil do Rio Grande do Norte ainda estava ontem em diligência para cumprir um dos oito mandados de prisão expedidos pelo juízo da 4ª Vara Criminal da Comarca de Natal, mas prendeu sete pessoas acusadas de fraudar cartão de crédito em nome de pessoas mortas, entre as quais o dono da empresa de alimentos Yoki, Marcos Matsunaga, que em 20 de maio foi assinado com um tiro e depois esquartejado pela mulher, em São Paulo.
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Entre os nomes das pessoas falecidas cujos cartões de créditos eram retirados a partir de cadastros bancários que haviam lhe pertencido estava o do falecido desembargador norte-rio-grandense José Gosson. Outro nome usado pela quadrilha foi o do falecido empreiteiro Fernando de Arruda Botelho, um dos sócios da construtora Camargo Correia, que morreu em abril num acidente aéreo no interior de São Paulo.
A quadrilha era chefiada por um homem que participou de um assalto à agência do Banco do Brasil em 2007 e também usou os nomes de personalidades ricas, já mortas, como Solleon Menezes e Eduardo Robson de Barros, além de uma tentativa de obtenção de cadastro bancário que pertenceu a Domingos Costa, falecido em acidente aéreo no mês passado e que era presidente da empresa mineira Vilma Alimentos.
A “Operação Outras Faces” foi deflagrada em junho, depois que o Departamento de Segurança Corporativo de um banco paulista entrou em contato com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesed), informando que uma pessoa havia solicitado pelo call center a reposição de um cartão de crédito em nome de Matsunaga e que o endereço de destino ficava em Capim Macio, bairro da Zona Sul de Natal.
O delegado geral de Capturas Ben Hhur Cirino Medeiros chefiou as investigações e disse ontem de manhã, na sede da Delegacia Geral de Polícia (Degepol), na Cidade da Esperança que, ao invés de ir atrás imediatamente do solicitante do cartão de crédito, a Polícia optou por investigar a participação de outras pessoas nesse tipo de fraude, resultando na descoberta de uma quadrilha. “É só o começo”, informou o delegado, que continua as investigações para cumprir o oitavo mandado de prisão e checar se ainda existem outras pessoas envolvidas no golpe ao comércio natalense, cujo montante ele não soube informar.
A polícia também investiga se a quadrilha usou os dados cadastrais de mais quatro pessoas que morreram do ano passado para cá, entre elas o empresário Edmundo Pereira Neto, vítima de acidente de jet sky em João Pessoa, e o auditor fiscal aposentado do RN, João Batista Diniz.
Bando comprava carros e usava sites na internet
Os cadastros bancários e de pessoas jurídicas usados pela quadrilha eram de nomes, com perfil, que davam direito a um crédito “ilimitado” aos fraudadores de cartões de “dinheiro virtual”. O delegado de Capturas Ben Hur Medeiros informou que o ‘modus operandi’ da quadrilha tinha três vertentes. A primeira era a obtenção dos cadastros comerciais e bancários dos empresários falecidos. De posse dos dados, como o nome completo, CPF, RG, endereços residenciais e comerciais, além de outros, os acusados se utilizavam dos serviços telemarketing dos bancos e operadoras de cartão de crédito, para obterem a reposição de cartões.
Segundo o delegado, além da quase certeza da impunidade, os presos usavam o nome dessas pessoas “porque elas não podiam ir mais atrás”, bem como se aproveitavam do fato de suas famílias, em virtude das circunstância de ter falecido um parente, “não se dirigiam a tempo de cancelar o CPF ou se dirigirem às agências bancárias para cancelamento de contas e dados cadastrais”.
De posse de todos os dados, explicou o delegado de Capturas, os estelionatários faziam compras no comércio, principalmente na aquisição de veículos de luxo, como a compra de uma Hylux SW4, no valor de R$ 142 mil, para a qual foi dado um cheque de R$ 19 mil como entrada e o resto financiado. Para fechar o negócio, o chefe chegou à concessionária de automóveis, em maio, falsificando a assinatura do falecido empresário Fernando Botelho.
O homem também havia conseguido um cartão em nome de Matsunaga, sem limite de gastos e com validade até 2015, um mês depois da morte do dono da Yoki.
O delegado Medeiros ainda disse que, geralmente, os acusados se desfaziam do veículo depois de três meses de sua compra, quando a financeira, após o atraso de prestações, acionava a justiça para a busca e apreensão do veículo, que, no entanto, eram revendidos a receptadores já conhecidos da quadrilha.
Um salão de beleza na rua das Brancas Dunas, por trás do Natal Shopping, em Candelária, também era usado para o mesmo fim: “lavagem” de dinheiro dos cartões.








