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Dia Mundial do Autismo celebra avanços na inclusão

Celebrado anualmente no dia 2 de abril, o Dia Mundial da Conscientização do Autismo foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 18 de dezembro de 2007, com o objetivo de promover a conscientização sobre o transtorno. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que haja cerca de 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo, sendo aproximadamente 2 milhões somente no Brasil.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a forma como a pessoa se comunica, se comporta, se relaciona e percebe o mundo ao seu redor. O termo “espectro” é utilizado porque o autismo se manifesta de maneiras muito diferentes em cada indivíduo: algumas pessoas apresentam mais dificuldades, outras menos.

Cada pessoa com autismo é única, com habilidades, desafios e características próprias. Alguns, inclusive, demonstram talentos notáveis em áreas específicas, como música, matemática ou memorização. No caso de Alberto Barbalho, de 18 anos, cozinhar sempre foi uma paixão, herdada da convivência com a avó. Movido por esse amor pela gastronomia, ele ingressou recentemente na vida acadêmica para se dedicar aos estudos na área.

A mãe, Rochele Barbalho, relata que o diagnóstico foi realizado quando Alberto tinha apenas um ano e sete meses, após a percepção dos primeiros sinais, especialmente um atraso na fala. Rochele conta que o percurso até aqui foi repleto de obstáculos, principalmente no que diz respeito à inclusão de Alberto nas instituições de ensino. “Você encontra muitas barreiras. Começa pela própria escola. Às vezes não querem aceitar a presença de um auxiliar. Escola que nega matrícula. Então a gente sempre buscou garantir a ele uma vida o mais normal possível, como a de qualquer outra criança”, detalha.

“Tentando vê-lo como uma pessoa, como meu filho, amado, querido, desejado e que também era autista. Assim, tive negativa na escola, tive negativa de diretor querer colocar auxiliar, tive problemas com professores de não adaptarem tarefas, tive problemas no geral, às vezes na rua”, completa a mãe.

Apesar dos desafios, Rochele reconhece que houve avanços. Ela destaca a maior receptividade das pessoas atualmente, sobretudo no ambiente universitário, onde Alberto é acolhido com carinho pelos colegas.

“Eu nunca tive problema com os colegas, muito pelo contrário. Os colegas sempre foram muito receptivos. Terminou o ensino médio, mas colegas mantêm o contato comigo porque ele é não verbal. Então isso dificulta às vezes um pouco, mas colegas dizem que estão com saudade e querendo se encontrar”, diz.

Além da dedicação ao filho, Rochele é também idealizadora do grupo Mães Corujas Batalhadoras. Segundo ela, a ideia surgiu de forma espontânea, enquanto aguardava atendimento em uma clínica ao lado de outras mães. A partir dali, decidiu criar um espaço de apoio mútuo, com encontros organizados por meio das redes sociais.

“É uma troca de informações: ‘como consegui tirar a fralda’, ‘como fiz ele comer tal alimento’, ‘como resolvi os problemas com o sono’. São desafios comuns em que a gente se ajuda. Pode não ser a mesma solução para todos, mas os caminhos compartilhados fazem diferença”, afirma.

Caminhada pela Conscientização

No dia 13 de abril, Natal receberá a 10ª edição da Caminhada de Conscientização do Autismo. O principal objetivo do evento é aumentar a divulgação sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e também, promover a inclusão das pessoas autistas na sociedade. Essa ação faz parte das comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado nesta quarta-feira (2), e contará com atividades durante o mês de abril.

A concentração será na Praça das Flores, no bairro Petrópolis, a partir das 15h30, com distribuição de brindes, alongamento e outras surpresas para todos os participantes.

Segundo Sylvia Sá, organizadora do evento, a caminhada é um momento de confraternização e de informação para a população em geral. Ela explica que o intuito não é somente atrair as pessoas com autismo e os familiares, mas também a sociedade como um todo. “O principal objetivo é isso: atrair pessoas que não conhecem. Por quê? Porque as pessoas que conhecem, que convivem, elas sempre vão. Mas a ideia da gente é atrair essas pessoas que não conhecem para ter mais informação”, pontua.

“O lema da campanha neste ano é: ‘Informação gera empatia, empatia gera respeito’. Ao trabalhar esse tema, a gente entende realmente que, quando há informação, as pessoas entendem o que acontece e você entendendo, você consegue respeitar”, explica a organizadora. O início da caminhada será às 16h30 e durante o trajeto terá ações de conscientização, respeito e inclusão social.

Além de participar da caminhada, a população pode adquirir uma camisa azul personalizada, que simboliza a causa e ajuda a promover a conscientização ao longo do mês de abril. O valor arrecadado com a venda das camisas será destinado para duas instituições que atendem pessoas com autismo: Associação dos Pais e Amigos dos Autistas do RN (Apaarn) e Instituto Leblue.

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