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Câncer: Congresso da Liga mostra benefícios da medicina de precisão

Nem sempre o câncer é apenas resultado do acaso ou de fatores externos. Em muitos casos, a genética pode ser decisiva para determinar quem tem maior risco de desenvolver a doença. Foi a partir dessa reflexão que a médica geneticista, Renata Sandoval, abriu a programação científica do 8º Congresso da Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer, nesta quinta-feira (5), destacando como a medicina de precisão tem mudado o enfrentamento ao câncer no Brasil e no mundo.

“Quando olhamos para a população, fazemos rastreios gerais em tumores mais comuns, como mama, próstata e intestino. Mas existem pessoas que fogem desse padrão, que têm uma predisposição genética, e precisam de um olhar diferenciado”, explica a especialista, que é coordenadora de genética médica no Hospital da Criança José Alencar e no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

Ele explica que a medicina de precisão permite entender quais alterações no DNA podem levar ao surgimento de determinados tumores e, a partir disso, adotar medidas específicas. “Às vezes, esses pacientes precisam começar o rastreio muito antes da idade recomendada para a população geral, fazer exames diferentes, cirurgias preventivas e, quando necessário, receber um tratamento personalizado, baseado nas características genéticas do próprio tumor”, complementa Renata.

Além da identificação de riscos hereditários, a especialista destaca que a análise genética do próprio câncer também permite definir quais medicamentos serão mais eficazes, evitando tratamentos desnecessários e aumentando as chances de sucesso. “Estamos falando de mais precisão tanto na prevenção quanto na escolha dos melhores tratamentos”, afirma.

Apesar dos avanços, a democratização desse tipo de cuidado ainda é um desafio. Na saúde suplementar, alguns testes genéticos já são obrigatórios desde 2018, mas na rede pública o acesso ainda é limitado. “O problema não é só o custo do exame. É ter uma linha de cuidado estruturada. De que adianta saber que uma paciente tem uma mutação genética se ela não consegue acesso à cirurgia preventiva ou aos tratamentos indicados?”, alerta a médica.

Para a presidente do Congresso e gerente de pesquisa clínica da Liga, Patrícia Pascotto, essa é uma das discussões mais relevantes no cenário atual da saúde. Ela reforça que o avanço esbarra em questões de acesso e financiamento, especialmente na saúde pública. Segundo ela, a medicina de precisão já faz parte da rotina da Liga. “A gente deixou de tratar o câncer apenas pela sua localização. Hoje olhamos para o tumor de forma molecular, analisando biomarcadores que definem o melhor caminho terapêutico para cada caso”, explica.

O superintendente da Liga, Roberto Sales, explica que a medicina de precisão é uma ferramenta essencial na missão da Liga, que vai além do tratamento e prioriza a prevenção. “Nosso trabalho é identificar precocemente aqueles que têm risco aumentado e agir”, resume.

Congresso

Com mais de 3.300 inscritos, cerca de 280 palestrantes e dezenas de expositores, o Congresso da Liga já se consolida como um dos maiores eventos da área de saúde no Norte-Nordeste. A programação inclui temas como acesso, gestão, inovação, engenharia hospitalar e os avanços que tornam a medicina mais precisa, eficiente e personalizada. A programação segue até este sábado (7).

Patrícia Pascotto comemora o sucesso do evento, que se consolida como o maior da área de saúde do Rio Grande do Norte. “Superamos todas as expectativas em público, na diversidade de temas e na qualidade dos debates. Estamos discutindo não só assistência, mas também gestão, inovação, infraestrutura e pesquisa”, destaca a presidente do Congresso.

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