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Reservatórios do RN mostram leve recuperação após chuvas recentes



21h48

Em Oiticica, o volume de água chegou a 49,79% e a antiga comunidade Barra de Santana começou a ser inundada| Foto: Igarn

Os principais reservatórios do Rio Grande do Norte acumulam atualmente 42,72% da capacidade total de armazenamento de água. Os dados do Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn), divulgados nesta segunda-feira (13), apontam que os mananciais monitorados somam 2,31 bilhões de metros cúbicos armazenados em um volume total de 5,29 bilhões de metros cúbicos. No campo, a recuperação gradual do nível dos reservatórios é vista com cautela.

Quando comparados a dados da Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), os índices revelam que o volume atual está abaixo do registrado há um ano, em 13 de abril de 2025, quando o somatório da água armazenada era de 58,68%. E distante do número registrado em 2024, de 70,31%.

“Esse nível representa uma recuperação em relação aos períodos mais críticos de estiagem, mas ainda é insuficiente para garantir segurança hídrica de forma homogênea em todo o território”, avalia a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Estado do Rio Grande do Norte (Faern).

A produção agropecuária sente os efeitos da distribuição irregular da recuperação hídrica após as últimas chuvas. “Diversos açudes importantes continuam em situação crítica, com volumes muito baixos, como Itans e Passagem das Traíras, além de outros que ainda operam próximos do limite mínimo”, aponta a Faern.

A entidade explica que a recuperação não é uniforme no estado. “A irregularidade na distribuição da água impede que se caracterize um cenário de normalidade, especialmente nas regiões mais dependentes de reservatórios de pequeno e médio porte”.

Além disso, a produção ainda sente os efeitos acumulados da estiagem prolongada. Na pecuária, os produtores afirmam lidar com custos elevados com alimentação animal e redução da produtividade. Muitos deles ainda operam em condição de recuperação, com impactos sobre renda e capacidade de investimento.

Enquanto oito reservatórios estão com 100% da capacidade ocupada após as últimas chuvas no RN, outros 15 estão em nível crítico, com menos de 10% de volume, segundo dados do Igarn, que monitora 69 mananciais.
Três estão acima dos 90%: Lagoa de Boqueirão, em Touros (96,06%); Malhada Vermelha, em Severiano Melo (92,12%); e Inspetoria, em Umarizal (91,08%).

Os reservatórios que atingiram a capacidade máxima são: Campo Grande, em São Paulo do Potengi; Marcelino Vieira, em Marcelino Vieira; Riacho da Cruz II, em Riacho da Cruz; Encanto, em Encanto; Lagoa de Pium, em Nísia Floresta; Tesoura, em Francisco Dantas; Dinamarca, em Serra Negra do Norte; e Lagoa do Jiqui, em Parnamirim.

O maior reservatório do estado, a barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, em Assú, está com 41,69% da capacidade, armazenando cerca de 989,3 milhões de metros cúbicos de água.

Já a barragem de Oiticica, em Jucurutu, apresenta 49,79% de volume acumulado e já começa a impactar áreas da antiga comunidade de Barra de Santana. Imagens que circulam nas redes sociais mostram a elevação do nível do reservatório, incluindo registros da igreja da comunidade e de áreas já parcialmente cobertas pela água, evidenciando o avanço da inundação sobre a localidade.

Entre os grandes mananciais, o açude Santa Cruz do Apodi se destaca com 59,28% da capacidade, enquanto o reservatório Umari, em Upanema, está com 51,87%.

Por outro lado, alguns reservatórios seguem em situação crítica. É o caso dos açudes Itans e Mundo Novo, em Caicó, e da barragem Passagem das Traíras, em São José do Seridó, que permanecem secos.

O reservatório Brejo, em Olho-d’Água do Borges, acumula apenas 1,04% da capacidade, e o Jesus Maria José, em Tenente Ananias, está com 1,80%. Já o Tourão, em Patu, tem 4,05%. O açude Dourado, em Currais Novos, está com 5,36%.

Na avaliação da Faern, a produção ainda sente os efeitos da seca: “Há sinais positivos de recuperação, mas ainda limitados regionalmente. Em áreas onde os reservatórios apresentam volumes mais elevados, há melhores condições para sustentar a atividade produtiva, enquanto nas regiões onde os níveis seguem baixos, a produção continua restrita”.

A entidade representante do setor defende medidas emergenciais com uma agenda estruturante de convivência com o semiárido. De acordo com a entidade, a seca é um fenômeno recorrente e previsível, e por isso o estado “precisa consolidar um sistema permanente de proteção ao produtor rural”. A entidade afirma que é preciso avançar em políticas estruturais que reduzam a vulnerabilidade do estado às oscilações climáticas.

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