Instituído pela Organização Mundial de Saúde (OMS), celebra-se nesta sexta-feira (11), o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson. A data tem como objetivo esclarecer os sintomas, informar sobre as possibilidades de tratamento e ampliar a compreensão e a conscientização sobre a doença. No Rio Grande do Norte, o número de casos de Parkinson tem crescido, seguindo uma tendência nacional e mundial. Já no Brasil, cerca de 200 mil pessoas vivem com Parkinson, segundo a OMS. A condição já é a segunda mais prevalente do mundo, atrás apenas do Alzheimer.
Receber o diagnóstico da Doença de Parkinson foi um momento marcante na vida de Edneide Bezerra, que imediatamente sentiu a necessidade de buscar mais esclarecimentos sobre a condição. Especialista em nutrição clínica com atuação na área cardiológica e neurológica, ela é uma das idealizadoras do Instituto Neuronutre, que oferece atendimento gratuito a pessoas diagnosticadas com Parkinson e outras doenças neurodegenerativas. “Foi uma sensação imediata de necessidade de fazer com que houvesse mais esclarecimentos sobre a Doença de Parkinson, para reduzir o preconceito que ainda é muito presente. Senti uma forte vontade de ajudar pessoas com o mesmo diagnóstico”, contou.
Entre os sintomas mais visíveis, um em particular chamou a atenção de quem convive com a doença: “O sintoma motor que mais chamou a atenção das pessoas que convivem comigo foi a bradicinesia, que é a lentidão dos movimentos”, explicou. A doença de Parkinson, segundo ela, é caracterizada principalmente pelos sintomas motores, que afetam os movimentos do corpo.
Uma das grandes dificuldades que ela encontrou foi a escassez de centros especializados no tratamento interdisciplinar da Doença de Parkinson. Edneide explica que o paciente diagnosticado com a condição precisa de um tratamento contínuo, com frequência de pelo menos duas sessões por semana de fisioterapia, fonoaudiologia e educação física, a depender do grau de comprometimento e avanço da doença. “Além disso, necessita de acompanhamento psicológico, nutricional e de terapeuta ocupacional. O tratamento com a equipe interdisciplinar faz toda a diferença e deve ser incorporado à rotina do paciente”, completou.
Foi a partir da própria experiência que surgiu a motivação para a criação do Instituto Neuronutre. “A motivação para criação do Instituto veio junto com o meu diagnóstico. Estudei muito sobre a doença de Parkinson e constatei que a eficácia do tratamento está diretamente relacionada com a atuação efetiva da equipe interdisciplinar de saúde. Decidi criar algo que proporcionasse esse tratamento de forma gratuita a todos os parkinsonianos necessitados.”, contou.
Com a montagem de uma equipe especializada, o Instituto começou a atender os primeiros pacientes para captar pessoas com o diagnóstico e que necessitam de tratamento interdisciplinar. Segundo ela, os maiores desafios encontrados pela associação estão na captação e na constância na obtenção de recursos para atender a todos que procuram e acabam na lista de espera.
Atualmente são atendidos 70 pacientes de Parkinson no instituto de forma integralmente gratuita. O critério para o atendimento é ter um lado com o diagnóstico, feito por um neurologista. No local, é oferecido tratamento com toda a equipe interdisciplinar, que inclui nutricionista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo e educador físico. Os pacientes são atendidos em sessões individualizadas e realizadas atividades em grupo para estimular a socialização.
“O impacto é impressionante na vida do paciente, desde a melhora dos sintomas motores, bem como na capacidade funcional e psicológica de enfrentamento da doença de Parkinson que é uma doença neurodegenerativa progressiva. No entanto, está comprovado que o tratamento interdisciplinar é neuroprotetor e faz toda diferença na vida do paciente”, detalhou Edneide.
O Instituto Neuronutre se mantém através de ações e doações de pessoas sensíveis à causa da Doença de Parkinson. “Já temos reconhecimento público municipal e estadual, e estamos na luta para conseguir recursos públicos, o que será muito importante para mantermos e ampliarmos os atendimentos”, explicou.
Doença de Parkinson
A Doença de Parkinson é caracterizada como uma condição neurodegenerativa crônica que afeta principalmente o movimento e ocorre quando as células nervosas no cérebro, responsáveis pela produção de dopamina, começam a se degenerar ou morrem. A dopamina é um neurotransmissor essencial para a coordenação dos movimentos musculares. Quando a produção desse neurotransmissor diminui, o controle dos movimentos fica comprometido.
Os sintomas são classificados em motores — relacionados ao movimento — e não motores — afetando outros aspectos da saúde. Entre os motores estão: tremor (tremores involuntários, geralmente começando nas mãos, braços, pernas ou mandíbula, principalmente quando a pessoa está em repouso), bradicinesia (lentidão nos movimentos, dificultando tarefas simples, como escrever ou caminhar), rigidez muscular e instabilidade postural. Já os não motores são: distúrbios do sono, depressão e ansiedade, dificuldades cognitivas, problemas gastrointestinais e alterações na fala e na escrita.
A causa exata do Parkinson não é conhecida, mas acredita-se que seja uma combinação de fatores genéticos ambientais. Em alguns casos, pode haver uma predisposição genética, embora a maioria dos casos seja esporádica, sem histórico familiar. Em relação à cura, atualmente não existe. Entretanto, os tratamentos podem ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. O tratamento inclui: medicação, terapias não medicamentosas e cirurgia.








