Com chuvas recorrentes nos últimos dias em Natal e o alerta constante da população diante dos riscos de transbordamento, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) intensificou as ações de limpeza nas lagoas de captação. Ao todo, a capital possui 82 dessas estruturas espalhadas por todas as zonas, fundamentais para o controle das águas pluviais, sendo que cinco já passaram por manutenções neste ano e outras duas estão em andamento. A expectativa é que a limpeza resulte na redução de alagamentos, embora, segundo a pasta, demande ainda ações estruturais.
De acordo com Shirley Cavalcanti, secretária de Infraestrutura de Natal, a escolha das lagoas a serem limpas obedece um cronograma técnico, priorizando as que se encontravam em estado crítico. “As lagoas irão passar por esse processo de limpeza gradativo. Quando a gente retira todos os resíduos, melhora a penetração, a infiltração da água, e diminui as chances de transbordamento”, explica. Até este sábado (5), as estruturas Acaraú, Jardim Primavera, Aliança, Planalto 1 e São Conrado já receberam o serviço. No momento, o cronograma segue com as lagoas do Panatis e José Sarney, localizadas na zona Norte de Natal.
Embora ainda não haja uma medição final do volume de resíduos removidos especificamente das lagoas, os dados da Seinfra apontam que quase seis mil toneladas de resíduos sólidos foram retiradas das galerias de drenagem da cidade em 2025. O acúmulo urbano, somado à falta de esgotamento sanitário em diversos pontos da cidade, é apontado por Shirley como um agravamento no sistema de captação. “É notório a diferença que a limpeza realizou nas lagoas em que já fizemos o serviço”, afirma.
Durante os períodos secos, as lagoas de captação devem permanecer vazias para acumular água da chuva, porém, muitas delas têm operado com a capacidade comprometida, especialmente na zona Norte e Oeste, devido ao acumulo constante de água servida, resultado de ligações clandestinas de esgoto na rede de drenagem. Esse tipo de irregularidade, segundo a secretária, compromete a eficiência das lagoas mesmo quando estão limpas.
“Muitas dessas lagoas vivem cheias porque elas têm muita contribuição de água servida. Então, quando a gente tem muitas precipitações em uma lagoa que já está cheia, pode ocorrer o transbordamento mesmo com ela limpa. A gente só vai realmente resolver o problema quando tivermos esgotamento sanitário, principalmente na zona Norte e zona Oeste”, avalia Shirley Cavalcanti.
Essa fiscalização das ligações clandestinas, no entanto, são de competência da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). Nos últimos seis meses, a pasta executou cerca de 200 autuações e tamponamentos desses lançamentos irregulares, sendo 72 em um único mutirão no bairro do Planalto. A prática é considerada crime ambiental pela legislação federal.
Paralelamente à ação de limpeza, a Prefeitura do Natal está promovendo a campanha “Jogue limpo com Natal, não jogue lixo nas ruas”, que busca sensibilizar a população sobre o descarte adequado dos resíduos. A iniciativa quer estimular a participação dos natalenses na preservação do sistema de drenagem urbano, reduzindo os impactos das chuvas intensas.








