Redação Tribuna do Norte
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17h39

A campanha “Cidades sem Risco” chega a Natal, nos dias 16 e 17 de abril, com atividades voltadas à formação, mobilização comunitária e articulação institucional para prevenção de desastres.
No dia 16 de abril, a programação acontece na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), reunindo educadores, estudantes, lideranças comunitárias, representantes do poder público, Defesas Civis e Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs). Já no dia 17 de abril, as atividades seguem com ações em territórios e comunidades locais, como parte do projeto de pesquisa de análise participativa para adaptação às mudanças climáticas e à saúde em comunidades com a Universidade de Glasgow, no Reino Unido, ampliando o alcance das ações na região.
A campanha tem como objetivo fortalecer a atuação integrada entre escolas, comunidades e instituições públicas em territórios marcados por desafios socioambientais e eventos extremos, ampliando a capacidade de prevenção e resposta antes que emergências se agravem.
“A campanha vai além de um evento pontual, ela estimula processos contínuos nos territórios. Quando escolas, instituições e comunidades se envolvem, o conhecimento se amplia, circula e se transforma em ação concreta, fortalecendo a organização local e contribuindo para a proteção de vidas”, afirma Rachel Trajber, coordenadora do Programa Cemaden Educação, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
“Os impactos dos desastres recaem de forma mais intensa sobre populações em maior situação de vulnerabilidade. Por isso, investir em educação, informação e mobilização nos territórios é fundamental para fortalecer as comunidades e avançar na construção de cidades mais preparadas e resilientes diante dos riscos climáticos”, afirma Samia Sulaiman, coordenadora de Articulação e Parcerias da Secretaria Nacional de Periferias, do Ministério das Cidades.
Formação e articulação institucional
Durante os dois dias, a programação promove encontros formativos e atividades em campo voltadas à troca de experiências e à construção de campanhas locais de prevenção.
A proposta é fortalecer redes locais, qualificar atores dos territórios e transformar conhecimento em ação concreta, contribuindo para cidades mais preparadas diante dos riscos climáticos. A campanha reforça que a prevenção começa no cotidiano das comunidades, por meio da informação, da educação e da mobilização coletiva.
Investimentos e prevenção no território
Em Natal, a prevenção de riscos integra uma política pública articulada pelo Ministério das Cidades, que envolve educação, ciência e desenvolvimento urbano com infraestrutura, tendo como eixo a justiça climática, especialmente nas periferias, onde os impactos dos eventos extremos são mais intensos.
O município já conta com o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), elaborado em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com investimento de R$ 650 mil da Secretaria Nacional de Periferias.
Na comunidade do Jacó, na região leste da cidade, está prevista uma obra de contenção de encostas pelo Novo PAC (seleção 2025), com repasse de R$ 34,9 milhões.
Pelo Novo PAC Urbanização de Favelas, Natal recebe ainda mais de R$ 150,8 milhões em investimentos em comunidades como África, Jacó, Nossa Senhora da Apresentação, Capitão Mor Gouveia, Detran, Parque das Dunas, Alagamar, Via Sul, Mãe Luíza e Maruim, beneficiando cerca de 25 mil famílias com obras de infraestrutura, moradia e adaptação às mudanças climáticas.
No Rio Grande do Norte, a prevenção também é apoiada por uma rede de monitoramento coordenada pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. O estado possui cerca de 30 municípios monitorados, com uma estrutura que inclui aproximadamente 43 pluviômetros automáticos, 20 estações Acqua e 3 estações Agro. Em Natal, estão instalados 8 pluviômetros automáticos.
Esses equipamentos monitoram, em tempo real, dados como volume de chuvas, umidade do solo e variáveis climáticas, contribuindo tanto para a prevenção de eventos extremos quanto para o acompanhamento de períodos de seca. As informações são enviadas para a Sala de Situação do Cemaden, em São José dos Campos, e disponibilizadas em plataformas públicas acessíveis às Defesas Civis e à população.
Entre 2016 e 2025, foram emitidos 188 alertas no estado, sendo a maioria relacionada a riscos hidrológicos, como alagamentos e inundações, além de ocorrências geo-hidrológicas, como deslizamentos. Os dados reforçam a importância do monitoramento contínuo e da articulação entre poder público e comunidades para reduzir riscos e fortalecer a capacidade de resposta nos territórios.
Agenda
16/04 – Natal
Horário: 08h30 às 12h30
Local: UFRN – Auditório B (CCHLA)
Endereço: Rua das Humanidades, Campus Universitário UFRN – Natal (RN)
17/04 – Natal
Atividades em comunidades locais (PACHA)
Atividade:
Encontro Formativo Presencial – “Cidade Sem Risco começa na minha comunidade”
Site oficial:
Sobre a Campanha
A 9ª edição da campanha mobiliza escolas, comunidades e iniciativas populares em torno da educação para redução de riscos de desastres, reforçando que os desastres não são naturais e que é necessário o enfrentamento das vulnerabilidades sociais e territoriais. A iniciativa integra políticas públicas de educação, ciência e desenvolvimento urbano, fortalecendo a prevenção como eixo estruturante da justiça climática nos territórios mais vulneráveis.







