Cerca de 300 metros da Avenida Ayrton Senna, no bairro Neópolis, zona Sul de Natal, permaneceu intransitável durante toda esta segunda-feira (23), após o transbordamento da lagoa de captação no cruzamento com a Avenida das Alagoas, em decorrência das chuvas do último fim de semana. Apesar do dia ensolarado, o nível da água não baixou o suficiente e a Prefeitura não apresentou previsão para normalização da via.
“A Lagoa da Avenida Ayrton Senna possui uma bomba em funcionamento e uma segunda bomba será instalada assim que a equipe concluir a instalação da bomba da Lagoa do São Conrado. Dessa maneira, nas próximas horas a água deverá diminuir na região”, informou a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) no fim da tarde.
Ao longo do dia, a Prefeitura tentou amenizar o problema com o uso de caminhões de hidrojato e sucção para retirar a água que ainda alagava a rua. A área é conhecida por apresentar esse tipo de transtorno sempre que a lagoa de captação enche, afetando moradores e o comércio local.
O cenário impressiona. A parada de ônibus foi tomada pela água, e as linhas de transporte público que passam pela avenida precisaram ter seus trajetos alterados. O tráfego também foi desviado, com rotas alternativas a dois ou três quarteirões da lagoa, dependendo do nível da água. Lojas ficaram ilhadas, e os prejuízos ainda estão sendo contabilizados pelos comerciantes.
O trailer de lanches de Marcos Floriano, de 35 anos, localizado a um quarteirão do cruzamento entre as avenidas, foi invadido pela água. Ele conta que o transbordamento começou no sábado (21). “A partir de sábado à noite, a lagoa começou a transbordar. A gente acha que foi porque as bombas quebraram. Todo ano é essa mesma coisa quando chove e a lagoa enche”, relatou o comerciante.
Segundo o boletim pluviométrico da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), choveu quase 75 milímetros até as 7h do domingo (22), considerando as 24 horas anteriores.
O ponto de venda do Marcos precisou ser fechado e só pôde reabrir quando o nível da água baixou. “A gente ia abrir ontem e não abriu por conta disso. Estava tudo alagado. A água entrou aqui. Nenhuma autoridade veio nos dar satisfação ou oferecer assistência”, reclama.
Mesmo com a água chegando, em alguns pontos, até a altura do joelho de um indivíduo de estatura mediana (1,70 m), algumas pessoas ainda se arriscavam a atravessar a via, apesar dos riscos associados à água contaminada. A moradora Ivanísia Maciel Xavier, de 55 anos, foi uma delas e disse que precisou buscar um medicamento na farmácia mais próxima, cuja calçada estava submersa. “Arrisquei porque fui comprar meu remédio. Apesar de comprar pelo site, preciso retirar na loja. Encontrei um senhor no meio do caminho que também estava atravessando, mas ele desistiu”, contou.
Ela utilizou um pedaço de madeira como apoio durante a travessia e reforçou que o problema é recorrente. “Já aconteceu em outras chuvas. Nunca se resolveu. Da outra vez, teve gente que trouxe barco e jet ski para atravessar. Então, é algo que a gente sempre tem que suportar”, afirmou.
Há pouco mais de um ano, a mesma lagoa também transbordou, invadindo a pista e dificultando o tráfego de veículos, embora sem necessidade de interdição imediata. Na ocasião, os moradores já suspeitavam, como agora, de falha na bomba de escoamento.
Drenagem
A região passou recentemente por obras de reestruturação e ampliação da rede de drenagem que integra a bacia da Avenida Ayrton Senna. Em 2023, a Prefeitura informou que os serviços tinham atingido 47% de conclusão. Iniciadas em setembro de 2023, as obras tinham conclusão prevista para o início de 2025, em parceria com o Governo Federal, ao custo de mais de R$ 6 milhões. O projeto foi dividido em duas etapas e prometia solucionar os pontos de alagamento e o transbordamento da lagoa de captação na área. Até o fechamento da edição, a Seinfra não respondeu sobre a conclusão do projeto nem esclareceu se as bombas estavam em pleno funcionamento antes do transbordamento.








