Redação Tribuna do Norte
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22h14

O projeto Soldado Cidadão (PSC) capacita militares temporários e incentiva a sua inserção no mercado de trabalho após a prestação do serviço militar. Por meio da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada, a iniciativa capacitou cerca de 1.400 jovens no Rio Grande do Norte, em 2025. O projeto é do Ministério da Defesa e existe desde 2004. A iniciativa deve formar cerca de 1.300 jovens neste ano.
A gestão do projeto no RN, em 2025, recebeu uma premiação nacional, por meio da parceria entre a 7ª Brigada de Infantaria Motorizada e o Senai-RN (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). A premiação, entregue em 29 de abril, em Brasília, considerou o número de militares formados no RN e as inovações implementadas em prol da empregabilidade desses jovens.
O projeto realizou uma feira de empregabilidade em dezembro de 2025, com participação de 33 empresas e oferta de cerca de 600 vagas de trabalho formais, visando aproximar os militares formados do mercado de trabalho. Para 2026, a meta é aumentar a quantidade de empresas participantes e de empregos gerados, diz o coronel Luiz Paulo, coordenador estadual do projeto Soldado Cidadão.
O módulo básico do projeto começa em março e abril de cada ano. Nessa etapa, os militares aprendem os valores das Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica. Em maio, começam os cursos técnicos e profissionalizantes. “O serviço militar obrigatório é um divisor de águas na vida de muitos jovens e uma experiência transformadora, que contribui para o desenvolvimento da cidadania. Durante o serviço militar, os jovens aprendem responsabilidade, trabalho em equipe, liderança e resiliência emocional”, declara o coronel.
Segundo ele, o Exército desenvolve um conjunto de soft skills valorizadas no mercado de trabalho. A preparação promove adaptação organizacional e contribui para “aumentar a produtividade e a capacidade de resolver problemas, além de formar profissionais mais confiáveis”. Para o coronel, a 7ª Brigada de Infantaria Motorizada, é uma referência nacional no Projeto Soldado Cidadão, “unindo não só a missão militar, mas também responsabilidade social”.
O PSC prepara jovens militares para a vida profissional após o serviço obrigatório. O programa reúne ações voltadas à capacitação profissional, ao empreendedorismo e à formação cidadã. Em todo o Brasil, o programa já capacitou mais de 252 mil militares, por meio de parcerias com instituições do Sistema S, como Senac, Senai, Sest/Senat e Senar.
Cursos
Os cursos são ofertados conforme a demanda dos mercados de trabalho regionais e a preferência dos jovens que participam do projeto. O coronel Luiz Paulo diz que, no RN, se destacam áreas como construção civil, refrigeração, mecânica e manutenção, que oferecem cursos de empregabilidade direta. “Cursos de rápida inserção no mercado de trabalho são os do setor de serviços, como garçom, maître e portaria. Além disso, há cursos estratégicos, como os de idiomas, devido ao potencial turístico de Natal”, diz. Cursos que atendem à rede hoteleira também têm bom retorno.
Emerson Batista, assessor da presidência da Federação das Indústrias do RN (Fiern), interlocutor do PSC no RN e ex-diretor regional do Senai-RN, afirma que o Prêmio Nacional de Melhor Gestão (2025) é promovido pelo Ministério da Defesa, que acompanha o projeto. “Eles acompanham o retorno que é efetivado: a partir dos cursos oferecidos, qual foi o impacto para o militar. Não é só a quantidade de cursos, mas também a qualidade e a eficácia ao final do projeto”, explica.
Para ele, o objetivo principal do PSC é qualificar profissionalmente os militares que cumprem o seu tempo de serviço, “de forma que, quando retornam à vida civil, saiam com uma profissão, além dos conhecimentos militares”. Batista frisa que os cursos variam de acordo com a expertise ou as demandas de cada região.
No RN, ele destaca cursos como técnico de refrigeração, padeiro e eletricista, além de formações nas áreas de alimentos, construção civil, mecânica e energias renováveis. “Mesmo que não consigam encaminhamento direto para uma empresa, uma vez que já saem [do serviço militar] com toda a formação em hierarquia e disciplina, os jovens conseguem montar o seu próprio negócio e se desenvolver como profissionais autônomos”.








