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22h45

Em uma iniciativa que une ciências exatas e investigação histórica, o Colóquio Internacional Câmara Cascudo (CICC) será realizado nos dias 23 e 24 de abril, no Auditório da Reitoria da UFRN. O evento, idealizado pelos físicos Carlos Chesman (UFRN) e Cláudio Furtado (UFPB), presta uma homenagem ao legado do escritor e folclorista Luís da Câmara Cascudo ao retomar um dos debates mais intrigantes da historiografia nacional: a tese de que a esquadra de Pedro Álvares Cabral teria aportado originalmente no litoral do Rio Grande do Norte, em 1500.


Inserido na chamada “Semana Cabralina”, o encontro promoverá um intercâmbio entre palestrantes de renome local, nacional e internacional. O propósito central é criar um espaço de convergência onde a academia possa dialogar e consolidar consensos que sirvam de base para a produção de novos artigos científicos, teses de doutorado e obras literárias, com o debate sobre as origens do Brasil.
“O escritor e pesquisador do IHGRN Manoel Cavalcanti Neto deu continuidade aos trabalhos de documentação histórica do escritor Lenine Pinto, apresentando documento que comprova que Pedro Álvares Cabral ‘chantou’ os Marcos Portugueses nas praias do Marco, no RN e em Cananeia, em SP. Assim como iniciou os estudos com recursos tecnológicos mais modernos para determinar o local exato da chegada da esquadra”, ressalta Carlos Chesman.
Os físicos da UFRN e da UFPB publicaram artigos científicos e o principal artigo foi publicado na revista Journal of Navigation, da Universidade de Cambridge, onde usaram a física para demonstrar fatos e evidências dessa histórica chegada de Cabral aqui no RN, colocando o tema novamente em evidência.
“A ideia é reunir várias pessoas da comunidade científica para debater pontos que estão na carta de Pedro Vaz de Caminha, que a gente releu com um outro olhar, considerando também outros dados, inclusive números presentes na própria carta. Então, a partir dessa visão e das contribuições de outros pesquisadores, a gente quer discutir essa proposta e aprofundar esse debate sobre o descobrimento no Rio Grande do Norte”, reitera Cláudio Furtado.
“O estudo potencialmente gera um novo debate, com o desafio do contraditório, do diálogo acadêmico. Havendo maior consenso nacional e maior reconhecimento entre os cientistas, poderá haver, sim, mudança na legislação brasileira para então haver uma revisão nos livros didáticos”, informa Chesman.
Como Carlos Chesman explica, Cavalcanti Neto apresentou documentos históricos que mostram que foi Cabral que ‘chantou’ este Marco, cujo debate se mantém em evidência até os dias atuais. “Este monumento é a peça mais antiga nas Américas fincada pelos portugueses para tomar posse do Novo Mundo. É a prova incontestável da passagem dos portugueses em terras potiguares”.
Em sua primeira edição, Furtado ressalta a importância do evento e afirma que as expectativas são positivas. “O Colóquio reúne vários atores, tanto nacionais quanto internacionais. A gente pretende promover um debate consistente, com base em dados físicos e matemáticos, que ajudam a sustentar e aprofundar essa análise e se somam aos dados históricos”, finaliza.
Colóquio Internacional
Além da extensa programação que visa ao debate sobre a vida de Câmara Cascudo, o Descobrimento do Brasil no Rio Grande do Norte, dados científicos da Carta de Pero Vaz de Caminha, o evento traz convidados especiais, como Manoel Cavalcanti Neto, pesquisador do IHG-RN, Daliana Cascudo, presidente do Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo, Diógenes da Cunha Lima, presidente da Academia Norte-rio-grandense de Letras, além de jornalistas, escritores e pesquisadores locais, nacionais e internacionais.
Além dos debates e mesas-redondas, o Colóquio contará com uma área dedicada a exposições temáticas que prometem uma imersão na época das Grandes Navegações. Entre os destaques está a mostra sobre a Carta de Caminha, que apresentará painéis explicativos comparando o manuscrito original de 1500 com a versão atualizada no ano 2000.
O público também poderá conferir de perto réplicas de instrumentos náuticos fundamentais para a ciência do século XV, como o astrolábio náutico, a esfera armilar, relógios solares, bússolas, balestilha e o quadrante.
Complementando o acervo, uma exposição de embarcações náuticas exibirá miniaturas em várias escalas de caravelas, naus e galeões, permitindo uma compreensão detalhada da engenharia que possibilitou a chegada dos portugueses.
O evento terá início às 9h, no Auditório da Reitoria da UFRN, e é aberto ao público interessado. Para a participação presencial, estão disponíveis 200 vagas. Além disso, as atividades terão transmissão ao vivo pelo YouTube, onde o conteúdo ficará salvo para acesso posterior. As inscrições começam no dia 10 de abril, data em que serão divulgados todos os detalhes sobre as modalidades de participação, além da programação completa no site www.fisica.ufrn.br/cicc-2026. Mais informações: @cicc.2026.








