O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, disse nesta quarta-feira (22) que o cenário internacional mais instável exige que a aliança mantenha uma postura nuclear “crível, segura e eficaz”. A declaração foi feita durante participação virtual no simpósio anual da Otan sobre política nuclear, ocorrido em Istambul, na Turquia.
Segundo Rutte, o “aumento das tensões globais” e a “deterioração do ambiente de segurança” obrigam os países membros da Otan a reforçar sua capacidade de dissuasão nuclear, estratégia utilizada para desestimular ataques por meio da ameaça de resposta militar.
“Em tempos de grande instabilidade, à medida que aumenta a importância da dissuasão nuclear, devemos garantir que a dissuasão nuclear da Otan continue sendo crível, segura e eficaz”, afirmou Rutte.
O secretário-geral também defendeu que os aliados tomem “decisões cruciais” antes da realização da próxima cúpula da Otan, marcada para ocorrer em julho em Ancara, também na Turquia. Segundo Rutte, será necessário discutir antes da realização da cúpula como a postura nuclear coletiva deverá ser adaptada diante do agravamento do cenário internacional. A ideia é chegar na reunião com uma postura comum sobre o assunto.
A fala de Rutte ocorre em um momento de debates internos sobre o papel dos Estados Unidos dentro da Otan, a maior força nuclear da aliança. Nos últimos dias, Rutte buscou rebater especulações sobre uma eventual saída de Washington da aliança após críticas públicas do presidente Donald Trump a aliados europeus, por não se envolverem na guerra contra o Irã.
Em entrevista recente ao jornal alemão Die Welt, o chefe da Otan afirmou que não vê os EUA deixando a aliança ocidental e declarou manter confiança no chamado “guarda-chuva nuclear” americano, considerado a principal garantia estratégica de segurança para a Europa.
A Otan reúne 32 países e mantém armas nucleares como parte de sua estratégia de defesa coletiva, principalmente por meio das capacidades militares dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França.








