Visando a atualização da cartilha de suplementos e atribuição dos medicamentos tradicionais e fitoterápicos, a Vigilância Sanitária de Natal (Visa Natal), em parceria com a UFRN e o Sebrae-RN, lançou na última quinta-feira (9), durante um Seminário Técnico sobre Suplementos Alimentares, uma cartilha para o público e um manual técnico para empresários e responsáveis do setor.
Reunindo mais de 100 participantes, entre eles nutricionistas, distribuidoras, farmácias de manipulação e empresários do ramo, a chefe do Núcleo de Controle de Alimentos da Visa Natal, Sônia Souza, explica que a criação da cartilha uniu dois setores: setor de alimentos e medicamentos. “Foi um trabalho colaborativo muito robusto. E que vai realmente trazer um diferencial, para essa comercialização, para que ela possa ser mais segura e compreendida, sob o ponto de vista da sua regulação e dos critérios sanitários”, explica Sônia.
Desde 2022, a Visa Natal já recebeu mais de 129 comunicações de risco de suplementos inseguros no Brasil da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Devido ao alto número de denúncias que chegam ao setor, identificou-se a necessidade de atualizar as leis em uma nova cartilha. A chefe do Núcleo de Alimentos da Visa Natal reforça que, além de lançar a cartilha, é necessária também a divulgação e o diálogo direto com o setor regulado.
“Muitas vezes, elas (cartilhas) ficam para uso interno e são repassadas às empresas, mas não da forma como a gente fez dessa vez. Esse foi o grande diferencial: trazer o setor para dialogar, para discutir e para conhecer o material”, informa Sônia.
Para a analista técnica do Sebrae-RN, Ana Carolina Ribeiro, é essencial a disponibilização de uma cartilha para consumidores dos produtos. “No evento que a gente fez tinha muitos nutricionistas, que são formadores de opinião e orientadores. Como Sebrae, essa é nossa função: trazer conhecimento, informação e gerar essa conexão. Para que esses envolvidos possam visualizar de que forma eles podem ter esse conteúdo e essa atualização, acima de tudo. E essa parceria com a Visa é essencial para trazer essa informação técnica real e valorizar também o empresário que está trabalhando de forma correta, transparente e seguindo essas normas que são tão desafiadoras”, destaca a analista.
Ana Carolina pontua que a cartilha, com seu formato de fácil acesso, poderá chegar de forma clara e objetiva para qualquer público, o que irá ajudar também os consultores que têm contato direto com as empresas.
“A gente pode deixar esse espaço mais curto. Para que a gente possa trazer essas instituições que trabalham de forma séria e segura. Para que o consultor seja também formador de opinião dentro dessa empresa. Porque muitas vezes o empresário não tem esse conhecimento, não entende onde pode buscar a informação”, explica Ana.
Agora, com a cartilha atualizada, a divulgação deverá ser ampliada. Sônia pontua novas formas de mobilização, além das redes sociais. “A gente vai colocar esse material à disposição do Procon Municipal. Porque o Procon é o órgão de defesa do consumidor e a gente precisa que o consumidor esteja bem inteirado desse material”, explica a chefe do Núcleo.
Fitoterápicos
Além de suplementos, a cartilha aborda também os fitoterápicos, que são medicamentos obtidos exclusivamente de matérias-primas vegetais e indicados para tratar uma doença específica.
A professora do Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Silvana Zucolotto, destaca a importância do cuidado ao adquirir produtos regulados pela Anvisa para não cair em propaganda enganosa.
“Produtos que são comercializados na internet, em feiras e lojas de produtos naturais, eles não são fitoterápicos, mas são comercializados como se fossem. Há propaganda enganosa, as pessoas compram achando que são fitoterápicos, mas não são. Para ser fitoterápico, ele tem que ter o registro de medicamento na Anvisa. E esses produtos vendidos por aí, geralmente não têm qualidade. Eles misturam muitas plantas e, muitas vezes, há substância sintética dentro do produto”, alerta Silvana.
Ela pontua a importância de buscar o medicamento fitoterápico diretamente na farmácia para buscar o produto registrado pela Anvisa, que pode ser conferido no site. “Digamos que uma pessoa idosa, que já é hipertensa, começa a tomar achando que é uma planta, que é natural e que não tem química. E às vezes foi adicionada uma substância lá. E essa substância tem uma interação com o anti-hipertensivo que a pessoa toma e a pessoa pode passar mal, pode ter uma reação alérgica, pode aumentar o efeito do medicamento que já toma. Então é bem sério esses produtos que são comercializados sem registro”, acrescenta Silvana.








