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Assassinato de personal após briga de trânsito em Natal completa três anos sem julgamento

Há três anos, Terezinha Pinheiro de Araújo convive com a dor da perda do filho único ao mesmo tempo que sente angústia à espera do julgamento do caso. Paulo Henrique Araújo da Silva, 33 anos, filho dela, foi morto o dia 29 de abril de 2022, após uma discussão de trânsito em Natal. O acusado de cometer o crime é o policial militar Ronaldo Cabral Torres, que teve denúncia acatada pela Justiça e recebeu pronúncia para ser julgado perante o tribunal do júri em setembro do ano passado. No entanto, ele recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça (TJRN), que ainda não analisou o recurso.

“Eu confesso que tem sido uns dos piores momentos da minha vida. Pois vivo um dia após o outro nessa angústia terrível a espera de um julgamento, mas tenho muita fé em Deus que esse dia vai chegar em breve. Eu vivo esse luto a três anos, são dias difíceis pra uma mãe que perdeu seu único filho numa tragédia, numa briga de trânsito. Vi meu filho sair de casa lindo e maravilhoso, cheio de vida e saúde para, no meio do caminho, um bandido tirar sua vida, acabar com seus sonhos. Deixando uma mãe acabada orfã de filho e três lindas crianças orfãs de pai”, disse Terezinha Pinheiro.

O promotor de Justiça Luiz Eduardo Marinho Costa, reponsável pela acusação no caso, disse que a marcação do tribunal do júri depende da análise recursal interposta pelo réu. Somente com a confirmação da sentença de pronúncia proferida em 4 de setembro do ano passado, pelo juiz José Armando Ponte Dias Júnior, que o julgamento poderá ser marcado.

Em interrogatório judicial, o acusado afirmou que matou a vítima em legítima defesa, uma vez que Paulo Henrique, após ter sua moto atingida pelo veículo que conduzia, teria partido para cima dele de maneira muito agressiva, agindo como se estivesse portando alguma arma, chegando a atingir o vidro do seu carro com golpes de capacete. A mulher do réu, que também é policial militar e estava com ele no carro, prestou o mesmo relato.

Na sentença de pronuncia, que encaminha o acusado para júri popular, o juiz impronunciou a mulher do policial, que tinha sido denunciada por ter dado cobertura ao companheiro. O magistrado apontou que não há indícios suficentes nos autos de que tenha ela contribuído para a morte da vítima, tendo o próprio MP requerido a sua impronúncia.

Espera pelo julgamento mobiliza familiares e amigos

Durante a espera pelo julgamento, familiares e amigos de Paulo Henrique já fizeram diversas ações em memória da vítima e cobrando justiça pelo crime. Atos foram promovidos em vias públicas de Natal reforçando a mensagem pela cultura de paz no trânsito. Um memorial virtual também foi criado em homenagem à vítima, com imagens e depoimentos.

Paulo Henrique ao lado da mãe Terezinha Pinheiro de Araújo | Foto: Arquivo familiar

Marcelo Taveira, amigo da família da vítima, disse que Paulo Henrique trabalhador e pai de família, querido e respeitado por todos que o conhecia. “Não queremos vingança, queremos justiça e paz de espírito… A morte de Paulo Henrique não será apenas um dado estatístico e jamais será esquecida”.

O amigo de infância, Pascoal Prezi, que estudou e trabalhou com Paulo Henrique, disse que “falar de Paulo sempre será uma mistura de saudades e alegrias, saudades dos momentos bons e incríveis que vivemos juntos, o irmão que a vida me deu, um cara que sempre queria o bem de todos, sempre queira todos juntos reunidos rindo à toa, e sempre fazia questão de mostrar que a vida era bela e a vivia intensamente. As alegrias eram sempre compartilhadas com sorrisos largos e aventuras extraordinárias, sem pensar no ontem, era um irmãozão para todos e, num piscar de olhos, já se foram 3 anos sem meu irmão. Fica aqui o sentimento de angústia, dor e revolta… que a justiça da Terra seja efetivada para que os responsáveis por tirarem a vida dele por motivo banal sejam julgados, culpados e presos. Pela memória de Paulo Henrique, pedimos justiça”.

Paulo Henrique deixou três filhos, de 16, 7 e 5 anos. A mãe dele faz acompanhamento psicológico desde a data do crime.

O caso

Paulo Henrique tinha 33 anos de idade quando foi morto com um tiro no rosto no dia 29 de abril de 2022. O crime foi registrado no bairro Nordeste, na zona Oeste de Natal. As investigações, realizadas pela Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa da Zona Oeste 1, apontam que houve um desentendimento de trânsito na Ponte de Igapó, antes do homicídio. A vítima estava na moto com a namorada e o acusado em um carro com a companheira, um casal de PMs.

O personal trainer teria recebido uma trancada e revidado praticando a manobra conhecida como “cortar o giro”, tendo feito menção que chutaria o automóvel. Ele foi perseguido ao seguir caminho pela Avenida Felizardo Moura e acessou o bairro Nordeste. Ao reduzir a velocidade para passar por uma lombada, a moto de Paulo Henrique foi atingida por trás pelo carro, e ele caiu. A vítima se levantou, tirou o capacete e foi em direção ao carro, quando foi alvejado no rosto pelo policial.

“A materialidade restou comprovada através dos documentos periciais acostados aos autos. Quanto aos indícios de autoria, esses encontram-se devidamente demonstrados com base nos relatos das testemunhas ouvidas e perícia balística”, diz trecho da denúncia apresentada pelo MP à Justiça.

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