Redação Tribuna do Norte
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23h53
Quase duas décadas depois de sua criação, o incentivo fiscal ao esporte finalmente abandona o caráter provisório e se consolida como política permanente. A Lei Complementar nº 222, sancionada em novembro de 2025, encerra um ciclo desgastante de renovações periódicas e dá ao mecanismo aquilo que sempre lhe faltou: previsibilidade. Sob esse aspecto, é inegável o avanço. O esporte brasileiro, historicamente refém de incertezas orçamentárias, passa a contar com uma engrenagem mais estável de financiamento.
Mas a nova roupagem institucional — agora descrita como “ferramenta de indução econômica” e “intervenção indireta do Estado” — não altera a essência do modelo. Apenas a sofistica.
O sistema segue operando sob uma lógica conhecida: o Estado abre mão de arrecadação e transfere ao setor privado a prerrogativa de decidir onde investir esses recursos. Na prática, empresas e pessoas físicas direcionam parte do imposto devido a projetos esportivos, associando suas marcas a iniciativas de impacto social. O ganho reputacional é privado; o custo, público. Trata-se de um arranjo que, embora legal e estruturado, mantém o Estado como principal financiador — ainda que invisível.
A ampliação dos limites de dedução, prevista para os próximos anos, reforça essa dinâmica. Não se trata exatamente de um aumento de investimento novo, mas de uma elevação do teto da renúncia fiscal. Em outras palavras, cresce o espaço para que recursos que seriam arrecadados sejam redirecionados conforme o interesse de patrocinadores. O discurso da responsabilidade social corporativa ganha força, mas permanece ancorado em dinheiro que, originalmente, pertenceria ao orçamento público.
Há, evidentemente, salvaguardas importantes. A proibição do uso desses incentivos para remuneração de atletas profissionais preserva o caráter formativo e social da política. Evita-se, assim, que o mecanismo seja capturado por estruturas já consolidadas e financeiramente robustas. Ainda assim, o debate central permanece: até que ponto o modelo exige, de fato, um compromisso financeiro real da iniciativa privada?
Outro ponto sensível é o aumento da complexidade operacional. A nova legislação, aliada à regulamentação recente, eleva o nível de exigência em termos de governança, prestação de contas e capacidade técnica. A intenção é clara: reduzir distorções e qualificar os projetos apoiados. No entanto, esse movimento tem um efeito colateral previsível.
Ao sofisticar o sistema, eleva-se também a barreira de entrada.
Grandes clubes e entidades estruturadas tendem a se adaptar com relativa facilidade, apoiados por equipes jurídicas e consultorias especializadas. Já projetos de base, especialmente aqueles inseridos em comunidades vulneráveis, enfrentam um desafio adicional: cumprir requisitos técnicos cada vez mais rigorosos sem dispor dos mesmos recursos administrativos. O risco é que a política, concebida para ampliar o alcance social do esporte, acabe concentrando oportunidades justamente entre aqueles que já possuem estrutura.
A Lei Complementar nº 222 resolve um problema histórico — a instabilidade —, mas não elimina as tensões do modelo. O incentivo fiscal deixa de ser uma solução emergencial e passa a integrar, de forma definitiva, a estratégia de financiamento do esporte no país. Isso é positivo. Mas também torna mais urgente uma discussão que segue em aberto.
Se o Estado continua sendo o principal financiador, ainda que de forma indireta, qual é, afinal, o grau de compromisso efetivo do setor privado nesse arranjo?
A permanência chegou. A dúvida, também.
Estadual
A Federação Norte-rio-grandense de Futebol convocou os clubes filiados para participarem da 1ª reunião do Conselho Técnico do Campeonato Potiguar Sub-17 de 2026, a se realizar no nesta quinta-feira 23 de abril às 14h30 no auditório da FNF. Na ocasião, será debatido o número de participantes, Regulamento, tabela e demais itens inerentes ao Campeonato Potiguar Sub-17 de 2026.
Vai pegar?
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou sua campanha institucional para a Copa do Mundo de 2026, com o objetivo de convocar os torcedores brasileiros para abraçar a Seleção Brasileira. Intitulada “Bate no Peito”, a iniciativa marca uma mudança inédita na comunicação da entidade, que passa a assumir um papel ativo na mobilização da torcida em torno da Seleção Brasileira não apenas dentro de campo, mas também no sentimento coletivo que move o país em ano de Copa do Mundo. Mais do que uma campanha, “Bate no Peito” nasce como uma convocação. Um chamado para que os brasileiros voltem a confiar, torcer e se orgulhar de uma das maiores histórias do futebol mundial.
Vai pegar 1?
O movimento parte de um reconhecimento: o futebol brasileiro já enfrentou momentos difíceis antes. E superou todos eles. A campanha resgata esse legado para reforçar que a relação entre o Brasil e a Seleção vai além dos resultados: ela vive no peito de cada torcedor. Como peça central, a campanha apresenta um filme-manifesto narrado não por um personagem, mas pelo lugar onde mora o orgulho do brasileiro: o peito. A narrativa percorre momentos históricos, vitórias, dúvidas e incertezas para, em seguida, dar espaço a uma virada emocional, guiada pela ideia de que o orgulho brasileiro nunca deixou de existir. Apenas estava esperando para ser despertado. A assinatura “Bate no Peito” simboliza esse gesto universal de pertencimento, coragem, orgulho e identidade. Um movimento simples, mas poderoso, que transforma a torcida em protagonista e reforça a força coletiva que sempre acompanhou a Seleção Brasileira. A dúvida é se a ação vai realmente atingir o objetivo. Até o momento o que se vê uma certa frieza da torcida e um “pé atrás” na esperança do torcedor pelo hexa.
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