A situação da Escola Estadual Luís Soares, no bairro de Dix-Sept Rosado, na zona Oeste de Natal, tem gerado muita reclamação. De acordo com a direção, em fevereiro, os aparelhos de ar-condicionado de todas as salas foram furtados, o que tem provocado transtornos para os estudantes, por causa das altas temperaturas. Além disso, há mofo nas paredes, infiltrações e fiação elétrica exposta na unidade, que funciona com ensino de tempo integral. Parte do telhado da quadra caiu há cerca de um mês. Segundo a direção, um memorando foi enviado à Secretaria de Educação do Estado (SEEC) cobrando soluções, sem que houvesse respostas.
Em nota, a SEEC informou que irá fazer a reposição dos aparelhos de ar até o início da próxima semana, quando também enviará uma equipe técnica para uma visita à escola a fim de verificar as demais demandas. As resoluções têm sido amplamente aguardadas pela comunidade escolar, uma vez que a última reforma na estrutura do prédio, de 1978, ocorreu em 2010. A escola conta com 16 salas de aula, mas apenas 12 funcionam por conta das más condições em que se encontram as outras quatro. O supervisor Leonardo Cavalcanti conta que o problema mais urgente é o da climatização.
“Durante o Carnaval houve o furto dos condensadores [peças responsáveis pela troca de calor do ar-condicionado] dos aparelhos. Restou intacto apenas o ar-condicionado da sala dos professores, que teve a fiação roubada, mas o nosso porteiro, que é uma espécie de faz-tudo, conseguiu solucionar esse problema”, afirma. Para tentar amenizar os impactos do calor, a escola conta com ventiladores de parede, mas, segundo os relatos, não são suficientes para evitar os transtornos.
“Muitas vezes, a gente coloca ventiladores grandes, daqueles que ficam no chão. Mesmo assim, em alguns horários, a situação nas salas do lado do sol é insuportável. Na terça-feira (10), uma aluna passou mal por causa do calor e precisou de ajuda dos colegas”, relata Cavalcanti. O porteiro Francisco Sousa, de 43 anos, é pai de Hadassa, de 12, aluna da escola. Ele critica a situação da unidade de ensino.
“Como se não bastasse o calor extremo, com essas chuvas as crianças que têm problemas respiratórios sofrem mais ainda. A verdade é que não existe estrutura adequada para os alunos estudarem. Mesmo com a questão dos furtos, a escola não conta com segurança nenhuma”, reclama. Hadassa Sousa, filha do porteiro, relata que é difícil se concentrar nas aulas diante da situação atual.
“Estudo aqui há um ano e as coisas pioraram muito agora. Passo o dia na escola, com uma sala cheia, sem ventilação. Então, não dá para aprender direito”, conta a menina, que é aluna do 7º ano. A Escola Estadual Luís Soares registra 170 alunos matriculados do Ensino Fundamental II. A diretora da unidade, Simone Alexandre, afirma que tem buscado soluções para os problemas junto à SEEC, mas até agora, sem sucesso.
“Nós entramos em contato com a Secretaria, solicitando a visita de um engenheiro para avaliar se realmente há condições de a escola funcionar em tempo integral. Solicitamos também uma visita da equipe de monitoramento, já que a escola tem esse tipo de serviço, mas também não houve respostas. E pequenos furtos continuam acontecendo. Em vista disso, outra solicitação nossa é por segurança armada. Nosso último pedido por soluções à SEEC ocorreu há mais ou menos um mês”, relata a diretora.
Por meio de nota, a Secretaria disse que irá providenciar a reposição dos aparelhos de ar-condicionado que foram furtados e, paralelamente, será enviada uma equipe técnica à unidade para realizar uma avaliação das condições de climatização, verificando a necessidade de manutenção, reposição ou ampliação dos equipamentos existentes. A pasta explicou que isso ocorrerá até o início da próxima semana.
“A visita também irá considerar outras demandas apresentadas pela gestão escolar relacionadas à infraestrutura da unidade, com o objetivo de garantir condições adequadas para o desenvolvimento das atividades pedagógicas”, falou a SEEC. A TRIBUNA DO NORTE questionou quantas escolas já passaram por reformas recentemente e quantas ainda precisam de reparos. A Secretaria afirmou que, em 2025, R$ 57 milhões foram aplicados em serviços de manutenção predial, reformas, ampliações e construção nas unidades da rede estadual.
“Esse esforço busca recuperar prédios que, em grande parte, são antigos e, em muitos casos, nunca haviam passado por processos estruturados de reforma ao longo do tempo. Atualmente, cerca de 100 escolas da rede estadual estão com obras em andamento, entre intervenções de manutenção, reformas estruturais e ampliações”, pontuou a SEEC. Sobre a quantidade de escolas com necessidade de reformas e reparos, a Secretaria afirmou que as informações ainda estão sendo atualizadas pelo setor de construção escolar.








