A rede Supera apresentou nesta quarta-feira (11) os resultados de um estudo com participação de pesquisadoras da USP que aponta ganhos cognitivos em idosos saudáveis submetidos ao seu método de estimulação cerebral. Publicado em janeiro na revista International Psychogeriatrics, o trabalho acompanhou 255 participantes e identificou melhora em medidas como fluência verbal, memória, função executiva e cognição global, reforçando o debate sobre o papel de intervenções não farmacológicas no envelhecimento.
O grupo selecionado fez 72 sessões semanais ao longo de 18 meses. Os participantes são idosos com 60 anos ou mais, sem comprometimento cognitivo ou demência, divididas em três grupos: um submetido às atividades do Supera, outro exposto a ações de educação para o envelhecimento saudável e um terceiro sem intervenção.
De acordo com a pesquisa, os participantes do grupo treinado apresentaram desempenho superior em medidas relacionadas à fluência verbal, memória, funções executivas e cognição global, além de melhora na percepção do próprio funcionamento cognitivo ao longo do acompanhamento.
A estimulação cognitiva é uma estratégia não medicamentosa que usa atividades estruturadas para exercitar diferentes funções mentais, com potencial de melhorar ou sustentar desempenho cognitivo e bem-estar, especialmente no envelhecimento. Trata-se de um conjunto de atividades planejadas para ativar e desafiar o cérebro, sobretudo em questões relativas à atenção, memória, linguagem, raciocínio, orientação e funções executivas.
Na prática, os pacientes realizam tarefas como jogos, exercícios de associação, conversas guiadas, cálculo, evocação de lembranças, resolução de problemas e atividades em grupo para manter a pessoa mentalmente engajada.
Uma das pesquisadoras responsáveis do estudo, Sonia Brucki, neurologista e professora do departamento de neurologia da faculdade de medicina da USP, afirmou que o envelhecimento é algo natural e que sempre há algo para se tratar quando se chega na terceira idade. Por isso, adotar práticas de envelhecimento saudável pode ser um forma de prevenção para a demência e demais problemas cognitivos.
“É muito difícil você encontrar uma pessoa idosa que não tem absolutamente nada a se tratar. Mas proporcionar que todas as doenças possam ser tratadas com a atividade física e que a sua cabeça esteja bem. A gente precisa realmente ver o que se pode fazer para tornar saúde melhor para essa população e o envelhecimento bem-sucedido, é tratar todas as doenças”, descreveu Brucki.
Criado em 2006 pelo empreendedor Antônio Carlos Guarini Perpétuo, o Supera surgiu a partir de uma experiência pessoal. Segundo a empresa, a ideia nasceu quando o fundador buscava alternativas para ajudar o filho. Depois de recorrer, sem sucesso, a métodos tradicionais, ele conheceu o ábaco por meio da comunidade japonesa no Brasil e passou a aplicar a prática em casa. De acordo com o relato institucional, os resultados observados no cotidiano do filho levaram Antônio Carlos a enxergar ali uma oportunidade. A partir dessa experiência, ele reuniu pedagogos e neurocientistas para desenvolver o primeiro método de “ginástica para o cérebro” da América Latina. Em Natal, a unidade do Supera se encontra na Av. Afonso Pena, 1058, no bairro Tirol.








