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Projeto tira 20% das crianças da obesidade com atividades físicas


Redação Tribuna do Norte




23h55

Suporte clínico com exames e avaliação da composição corporal ainda é raro na rede pública | Magnus Nascimento

O programa do Núcleo de Tratamento da Obesidade Infantil do Hospital Varela Santiago, acompanha 122 crianças, de 4 a 9 anos ,em Natal, tem alcançado resultados animadores: após dois anos, um em cada cinco pacientes (20,8%) deixou a faixa de obesidade. O projeto, em parceria com o Grupo de Estudos em Movimento Humano e Saúde Vascular (MoVa) da UFRN, começou como uma ação de extensão para suprir a ausência de um educador físico na equipe do Núcleo.

Com o tempo, foi ampliado e passou a integrar assistência, pesquisa e intervenção prática. “Além de ofertar à população a assistência, a gente também vai oferecer números à comunidade científica”, pontua Iluska Medeiros, endocrinologista pediátrica coordenadora do núcleo. Após dois anos, observou-se que uma em cada cinco crianças saiu da faixa de obesidade, passando para “sobrepeso”, atingindo níveis de menor risco clínico. O resultado vem do acompanhamento multidisciplinar com endocrinologista pediatra, nutricionista, psicólogo e educador físico e foco na saúde metabólica e na composição corporal.

Outro dado é que 95% das crianças obesas ainda não atingem os níveis recomendados de atividade física moderada a vigorosa. “Os dados mostram um ganho contínuo de massa magra, sendo observados ganhos médios entre 2,3 kg e 2,4 kg de massa muscular, o que é essencial para um metabolismo ativo e um crescimento saudável”, destaca Ricardo Oliveira, coordenador do MoVa.

Houve também melhora na relação entre músculo e gordura corporal. “O objetivo agora é utilizar esses dados concretos para implementar ações práticas e personalizadas que visem aumentar os níveis de atividade física, transformando essa descoberta científica em uma ferramenta direta para potencializar o tratamento e a qualidade de vida dessas crianças.”

Para ingressar, as crianças passam por triagem que define o perfil de atendimento, considerando idade, turno e vagas. Os pacientes têm retornos a cada três semanas, garantindo monitoramento regular e intervenções ajustadas. O serviço tem demanda maior que a capacidade: há 61 crianças na lista de espera. “Hoje a gente vive em um ambiente muito obesogênico, com alimentos ultraprocessados mais baratos que os saudáveis, além do sedentarismo e do excesso de telas”, alerta Iluska Medeiros.

No Rio Grande do Norte, o cenário preocupa: uma em cada três crianças a partir dos cinco anos tem excesso de peso. Apesar da demanda, o acesso ao tratamento ainda é limitado. O diagnóstico é feito a partir do Índice de Massa Corporal (IMC) ajustado por idade, com base em curvas de referência. “A gente tem um gráfico, plota os dados e consegue identificar se a criança tem obesidade”, explica. Além do IMC, é utilizada a bioimpedância para analisar a composição corporal, diferenciando massa magra e gordura. “Como a criança está em fase de crescimento, nem sempre é possível perceber essas mudanças só pelo peso. Com o aparelho, conseguimos avaliar melhor a qualidade corporal”, acrescenta a endocrinologista.

Maria Helena Araújo, de 8 anos, tem obesidade e glicemia aumentada e é uma das 122 crianças atendidas. Ela também aprende a lidar com a ansiedade, que antes influenciava sua alimentação. O avô dela, Victor Araújo, diz que a família tem se empenhado para ajudá-la. “A gente está se empenhando pra que ela volte a ter a saúde normal. Precisa que ela seja uma moça no futuro com muita saúde e muita disposição”, afirmou. Desde que ingressou no programa, Maria Helena já teve melhora na glicemia e perda de peso.

O núcleo é pioneiro ao oferecer acompanhamento multidisciplinar com suporte clínico, exames e avaliação da composição corporal, modelo ainda pouco disponível na rede pública. “A gente não tem isso em nenhum outro lugar no RN. São trabalhos pontuais. A gente trabalha aqui no hospital, mas a gente não tem isso de fácil acesso na rede pública. Não tem como abarcar todos por conta da estrutura”, lamenta a endocrinologista.

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