No último fim de semana, a Prefeitura do Natal promoveu uma operação de desmobilização de ocupações irregulares no canal do viaduto do Baldo, nas imediações da Avenida Monsenhor Walfredo Gurgel (Av. Do Contorno), na zona Leste de Natal. No entanto, algumas pessoas em situação de rua voltaram a se instalar no local, pelas calçadas, inclusive na lateral da sede da Neoenergia Cosern alegando não ter para onde ir. A ação contou com a participação de secretarias como a de Segurança e Defesa Social (Semdes) e de Trabalho e Assistência Social (Semtas).
Nesta segunda-feira (26), um grupo de pessoas em situação de rua que já convivia na área havia retornado ao espaço. Novos barracos de lonas, tecidos e papelão voltaram se ser erguidos. Contaram que são estruturas mínimas para enfrentar o frio, o vento e porque acreditam que, com isso, podem ter o mínimo de privacidade. Além disso, disseram que não lhes foi oferecida outra alternativa para saírem, mesmo que temporariamente da situação de rua. A expectativa era de que outros também voltassem para lá.
Eles relataram a versão deles sobre os fatos, mas preferiram não se identificar. Segundo disseram, a remoção dos seus pertences e barracos ocorreu na sexta-feira mesmo, contudo, houve um aviso prévio da Prefeitura dois dias antes. Os agentes públicos não teriam agido com violência, de modo que os moradores dos barracos não demonstraram resistência. Assim, a ação ocorreu de forma “pacífica”.
Os indivíduos em questão se identificaram como pessoas que não têm oportunidades de emprego e nem moradia e que encontraram como saída, viver nas ruas. São homens mulheres e até crianças de diferentes idades. Entre o viaduto do Baldo e a Avenida do Contorno, cerca de 25 pessoas estavam nesta situação. De acordo com o que relataram, a remoção dos barracos ocorre com certa frequência, mas eles acabam retornando.
Dessa vez, no entanto, os agentes municipais teriam argumentado que na área será construída uma praça e que eles não poderiam mais ocupar o canteiro central e nem as imediações do canal, que eles usavam para se lavar e lavar seus objetos. Com isso, tapumes foram colocados isolando o canal para impedir o acesso. Uma viatura da guarda municipal permanece em rota vigiando o local.
Segundo a Semtas, nos dias 21 e 22, a equipe do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) esteve na área realizando atendimentos e orientando as famílias sobre os serviços socioassistenciais disponíveis na rede municipal, em apoio à operação de desmobilização de ocupações irregulares coordenada pela Semdes. “O Município, no caso da Semtas, atua de forma contínua com ações de sensibilização, atendimento e acompanhamento de famílias e indivíduos em situação de vulnerabilidade, especialmente aqueles que ocupam áreas públicas de forma irregular” diz a nota.
A pasta diz que também realiza atendimento às pessoas em situação de rua por meio do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), que oferece apoio, orientação e encaminhamento para os serviços da rede. “Entre os serviços ofertados pela Secretaria, estão o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), unidades de acolhimento institucional 24 horas, albergue e cursos de qualificação profissional”, informa a secretaria.








