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Pesquisadores da Uern, Ufersa e Idema analisam Baobá do Poeta

A análise que vai determinar o futuro do centenário Baobá do Poeta, localizado na Rua São José, no bairro de Lagoa Seca, em Natal, deve ser concluída ainda esta semana, segundo previsão dos pesquisadores envolvidos. A árvore, que é um dos símbolos históricos e culturais da capital potiguar, está sob risco após a queda de um dos seus maiores galhos, ocorrida há pouco mais de uma semana. O episódio revelou um cenário preocupante: uma cavidade de quase 6 metros quadrados no interior do tronco, com sinais de apodrecimento, paredes úmidas e presença de fungos e cogumelos.

Sem diagnóstico definitivo até o momento, o trabalho de análise está sendo realizado por pesquisadores de várias instituições, incluindo a Uern, a Ufersa e o Idema.

De acordo com o professor e pesquisador da Uern, Ramiro Camacho, a coleta de material foi realizada no último fim de semana para identificar os patógenos presentes na árvore. “A gente coletou material para fazer cultura no laboratório, para identificar qual é o patógeno. Acredito que o resultado sai ainda essa semana. Assim que tivermos esse retorno, poderemos avaliar os riscos e as medidas a serem tomadas”, afirmou. No entanto, ele reforça que, sem o resultado laboratorial, “não é possível afirmar se há risco iminente de queda total da árvore”.

O Baobá do Poeta tem cerca de 19 metros de altura e um tronco com 6 metros de diâmetro, sendo considerado patrimônio afetivo e cultural de Natal. Após o episódio, o advogado e escritor Diógenes da Cunha Lima, proprietário do terreno desde 1991, quando o comprou para evitar a construção de um prédio residencial no local, disse que foram adotadas diversas medidas emergenciais, como a contratação de especialistas para tentar salvar a árvore.

O analista ambiental do Idema, Ronile Santos, explica que a morfologia dos baobás contribui para o surgimento de problemas. “Por ter um interior esponjoso, é mais fácil a entrada de patógenos, fungos e insetos que perfuram o tronco e se alimentam lá dentro. Além disso, o formato da copa favorece a infiltração de água para o interior, podendo provocar o apodrecimento”, explica.

Além de entender as causas, os especialistas avaliam possibilidades de intervenção. Entre elas está a dendrocirurgia, ou arboricultura cirúrgica, uma técnica que consiste na remoção das partes comprometidas do tronco, seguida de limpeza, desinfecção e vedação com materiais específicos, capazes de evitar novas contaminações. “O processo inclui preencher o vazio interno do tronco com materiais próprios, selando para proteger contra fungos e outros agentes nocivos”, detalha Ronile.

O analista destaca que os problemas que atingem o Baobá de Natal não são isolados. Segundo ele, a morte de baobás milenares tem sido registrada em países africanos, de onde a espécie é originária, especialmente no Senegal. “Alguns especialistas atribuem isso às mudanças climáticas e ao aquecimento global, mas outros defendem que as causas precisam ser mais bem estudadas. Ainda assim, é uma situação preocupante”, relata o analista ambiental.

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