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Maio Cinza alerta para os riscos de tumores cerebrais

Durante este mês, a campanha Maio Cinza chama a atenção da população para a conscientização sobre os tumores cerebrais, com foco especial no diagnóstico precoce da doença. No Brasil, dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam para cerca de 11 mil novos casos por ano afetando o sistema nervoso central, sendo 88% localizados no cérebro. A complexidade da enfermidade, aliada à dificuldade de identificação dos sintomas inespecíficos, torna o diagnóstico precoce um desafio, o que exige atenção nas campanhas de informação e educação em saúde.

De acordo com João Ferreira, médico neurologista do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol/UFRN/Ebserh), os sintomas dos tumores cerebrais variam conforme a área afetada do cérebro, mas a dor de cabeça é o mais comum. “A dor de cabeça do paciente portador de tumor cerebral, ela caracteristicamente se acentua de manhã cedo quando o paciente acorda, porque a pressão na cabeça aumenta quando a gente está deitado. Então ele já acorda com dor de cabeça. É uma dor diferente que ele nunca tinha. Ou ele era uma pessoa que não tinha dor de cabeça, ou se ele tinha enxaqueca essa nova dor de cabeça é diferente”, relata.

A dor de cabeça que pode estar associada ao tumor cerebral costuma ter início recente, tende a se intensificar com o tempo e está relacionada ao aumento da pressão intracraniana, especialmente durante o sono. Além disso, outros sinais neurológicos podem surgir, dependendo da região cerebral afetada. Em crianças pequenas, há características específicas, como a possibilidade de crescimento do crânio devido à maior maleabilidade óssea, o que pode retardar a percepção dos sintomas clínicos mais evidentes.

Para João Ferreira, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de recuperação e preservar funções neurológicas importantes. “Como toda doença oncológica, quanto mais cedo você fizer o diagnóstico, mais fácil é porque aquela remoção daquela lesão, se tiver indicação, menores serão as consequências para o paciente, especialmente no cérebro. Você imagina um tumor próximo à área motora: se aquele tumor crescer, ele vai causar uma perda de força de um lado do corpo, uma paralisia. E se esse tumor for pequeno, a gente vai conseguir minimizar ou até evitar que aquele paciente fique limitado”, avalia.

A inexistência de exames de rastreio para tumores cerebrais, como a mamografia para câncer de mama ou o PSA para próstata, representa um desafio adicional. A tomografia e a ressonância magnética, exames indispensáveis para a detecção dos tumores, não são indicados para uso regular em indivíduos assintomáticos. A tomografia, por envolver radiação, e a ressonância, pelo custo e limitação dos equipamentos disponíveis, são indicadas apenas diante de sintomas específicos e persistentes. Isso reforça o papel da escuta clínica e da atenção aos sinais relatados por pacientes.

Segundo o especialista, é comum que pacientes procurem mais de uma vez o pronto-socorro antes que algum profissional de saúde solicite exames de imagem adequados. Por serem sintomas recorrentes em outras doenças, muitos plantonistas acabam não se aprofundando e dificultando o diagnóstico correto. “É preciso realmente esse tipo de campanha que estão fazendo, de conscientização, não só da população, mas também dos profissionais de saúde sobre esses sinais de alerta. Desconhecimento é uma causa de diagnóstico tardio”, afirma.

Os tumores do sistema nervoso central (SNC) têm causas multifatoriais, combinando alterações genéticas adquiridas e hereditárias, como nas síndromes associadas à neurofibromatose. De acordo com o Inca, fatores confirmados de risco incluem exposição à radiação ionizante e deficiências do sistema imunológico causadas por Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) ou uso de imunossupressores. Até o momento, não existem medidas definidas para a prevenção específica.

O tratamento dos tumores cerebrais é complexo e geralmente exige a combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, além de uma ampla rede de apoio multiprofissional. Além dos cuidados clínicos, o suporte psicológico à criança e à família é apontado como essencial. O impacto emocional do diagnóstico e do tratamento exige acompanhamento contínuo de profissionais de saúde mental, garantindo que o paciente tenha qualidade de vida durante e após o enfrentamento da doença.

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