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Greve dos motoristas é encerrada após conciliação

Em audiência de conciliação na tarde desta quarta-feira (4), representantes do Sindicato dos Rodoviários (Sintro) e Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Natal (Seturn) chegaram a um acordo para finalizar a greve iniciada nas primeiras horas do dia. A audiência foi conduzida pela desembargadora e vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região, Isaura Maria Barbalho Simonetti. Os ônibus voltam a operar normalmente nesta quinta-feira (5).

O acordo entre rodoviários e empresários prevê um reajuste salarial de 5,53% (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA), retroativamente, a partir de 1º de maio. Em março de 2026, mais 0,67% incidirá sobre os salários dos motoristas. A partir de maio de 2026, ficou pactuado que o reajuste será feito com base no IPCA dos 12 meses anteriores. Também há a previsão de reajuste no auxílio saúde, de até 15,5% em janeiro de 2026 e de até 10% em janeiro de 2027. O vale-alimentação também terá aumento, sendo R$ 500 a partir deste mês de junho e passando a R$ 550 em abril do ano que vem. Fica estabelecido também que o dia de paralisação não será descontado dos motoristas. O Seturn também se compromete a custear as taxas de renovação das carteiras nacional de habilitação dos motoristas que tenham passado do prazo legal de 90 dias do contrato de experiência.

O coordenador jurídico do Seturn, Augusto Maranhão Valle, destacou a importância da mediação da Justiça para a consolidação do acordo. “Amanhecemos com essa greve radical, 100% dos ônibus parados, e o TRT rapidamente nos convocou para uma audiência de mediação”, disse o coordenador jurídico do Seturn.

“Aquelas propostas que foram tiradas em assembleia, nós passamos para a desembargadora. E ela teve muita sensibilidade de pedir para os empresários que eles fizessem o esforço porque os trabalhadores merecem. Claro que não é o que nós desejamos, mas para respeito também a uma proposta, ela determina isso, que a gente cesse o movimento e a partir de amanhã nós voltamos ao trabalho”, disse o presidente do Sintro, Júnior Rodoviário.

“Foi uma construção coletiva, em que as partes se dispuseram a conversar, a entender, a se colocar um pouco no lugar da outra parte. Chamei todos a responsabilidade, inclusive a responsabilidade do judiciário para com coletividade da cidade de Natal, com a população, para que façam jus e tenham direito ao transporte coletivo”, ressaltou a desembargadora Isaura Simonetti.

Paralisação

Paradas de ônibus lotadas, atrasos, mudanças de rota e incerteza marcaram a quarta-feira (4) em Natal. O início da greve dos rodoviários pegou de surpresa passageiros que dependem do transporte público para ir ao trabalho, à escola ou cumprir compromissos do dia a dia.
A Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) chegou a enviar à Justiça um ofício comunicando o não cumprimento da frota emergencial de greve. Na ocasião, o Sintro alegou que a STTU não havia sinalizado quais linhas deveriam compor a frota mínima exigida pela Justiça, nem forneceu os adesivos de “linha de emergência”, utilizados em situações de greve para identificação dos transportes.

Nas ruas durante a manhã de quarta-feira (4) circulavam somente ônibus intermunicipais, e linhas que circulam pela Grande Natal, como Parnamirim (Maria Lacerda, Eucaliptos, Abel Cabral), Extremoz e Macaíba. A profissional de eventos Jéssica Nascimento, moradora de Extremoz, foi uma das tantas que se viu perdida com a paralisação. “Consegui vir de Extremoz porque estava circulando, mas eu pego o intermunicipal e desço na metade do caminho para pegar outro ônibus dentro de Natal e não consegui. Estou aqui na parada, já avisei à chefe, mandei mensagem, foto, e a parada está assim, cheia”, relatou. “É muito ruim porque a pessoa se planeja, sai de casa 6h30 para conseguir chegar no trabalho de 9h e acontece uma coisa dessas”, complementou.

Situação semelhante enfrentou a dona de casa Luísa Paula, moradora do bairro Cidade da Esperança. Ela levou a filha de trem até a Ribeira, onde pretendia pegar um ônibus até a escola de dança da filha. “Já faz um tempão que estou aqui na parada. Infelizmente fiquei sabendo da parada quando já estava aqui, senão nem tinha saído de casa. Faço esse percurso duas vezes na semana para levar ela na escola. Atrapalha toda a nossa rotina, os horários, as tarefas dos filhos, os compromissos em casa. É muito ruim porque atrapalha quem mais precisa”, contou.

A cena se repetiu por toda a cidade, com paradas cheias e poucos ônibus nas ruas. O auxiliar de serviços gerais Pytter Brakling, morador do bairro Santos Reis, ficou quase quatro horas esperando por um ônibus que o levasse até o trabalho no Planalto. “Estou aqui desde 5h da manhã e já são quase 9h. Nada passou nem alternativo, nada. Fica complicado demais para o trabalhador, que já tem essa rotina. A gente que depende do ônibus, fica assim sem perspectiva, não tem muito o que fazer. Já avisei no trabalho e ficarei aqui esperando”, desabafou.

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