Mais de 20 estudantes denunciaram um homem por assédio dentro do ônibus circular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). As acusações indicam que o suspeito utiliza uma bolsa para disfarçar toques libidinosos nas vítimas.
De acordo com a Polícia Civil, o caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM). Até o momento, cerca de 20 Boletins de Ocorrência foram registrados e 30 vítimas prestaram queixa à ouvidoria da UFRN.
Na maioria dos casos, os crimes ocorrem no ônibus Expresso Reitoria e Expresso C&T. As vítimas se organizaram em um grupo de WhatsApp para compartilhar suas denúncias. Segundo os relatos, o homem procura se sentar ao lado de mulheres, quando o ônibus está com menor fluxo de pessoas, com a intenção de praticar o assédio.
As vítimas tiraram fotos do rosto do suspeito para pedir que outras estudantes tivessem “cuidado”. Em texto divulgado nos grupos da universidade, uma das vítimas escreve: “alertem as mulheres, para que redobre a atenção e que possam identificar quando isso estiver acontecendo e possam denunciar. Estamos tentando tomar alguma medida, porque isso é inadmissível”.
Em nota, a UFRN diz que recebeu as denúncias e está colaborando com as autoridades policiais para identificar o suspeito.
De acordo com a universidade, para prestar apoio psicológico às vítimas, o Espaço Acolher funciona como um local de atendimento a vítimas de violência, bem como para registro e os devidos encaminhamentos.
Para ter acesso ao serviço, a pessoa da comunidade universitária, voluntariamente, deve se dirigir ao local para atendimento presencial, ou entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone 84 99193 6014.
Vítimas relatam insegurança
- “Acontece de uma forma bem sutil, ele coloca a bolsa grande no colo e cobre tudo o que está acontecendo embaixo dela, tocando meninas sem o consentimento, colocando a mão na coxa e como a bolsa encobre, a vítima fica confusa e sem entender o que tá acontecendo na hora”, explica estudante que não quis de identificar, conta vítima que não quis se identificar.
- “Aproximadamente às 8h da manhã. O circular estava quase vazio no horário em que subi, por isso me sentei bem na frente do lado da janela. Pouco tempo depois subiu esse rapaz e se sentou praticamente em cima de mim, de forma bem abrupta, com uma bolsa grande preta.”
- “Ele colocou a bolsa entre as minhas pernas e as dele, o que eu já comecei a achar estranho, mas decidi ignorar pensando que era coisa da minha cabeça. Só percebi que tinha algo de realmente errado quando senti a mão dele tocando na minha perna, mas de uma vez. Depois disso, me levantei e fui para o final do ônibus”
- “Esse moço me seguiu e como eu já havia sentado do lado de outra pessoa, ele procurou outra menina que estava do lado da janela e começou a fazer a mesma coisa com ela”.
Crime é caracterizado como importunação sexual
De acordo o Código Penal, um crime é caracterizado com importunação sexual quando alguém pratica um ato de natureza libidinosa contra outra pessoa, sem o seu consentimento, com o objetivo de satisfazer seus próprios desejos ou os de outra pessoa. O crime tem pena prevista de 1 a 5 anos de reclusão.
A polícia reforçou que outras possíveis vítimas devem procurar a DEAM para registrar os casos.








