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Dragagem deve começar em agosto e pode favorecer embarque de minério

A obra de dragagem do Porto de Natal está com início previsto para agosto e deve favorecer a retomada do embarque de minério de ferro. De acordo com o diretor-presidente da Companhia Docas do Estado (Codern), Paulo Henrique Macedo, até o momento cinco empresas apresentaram questionamentos técnicos que estão sendo respondidos. O prazo final para o recebimento de propostas e a abertura dos envelopes estão marcadas, respectivamente, para os dias 25 e 26 de junho. A obra está orçada em R$ 62 milhões, assegurados pelo Ministério dos Portos e Aeroportos (MPOR).

O diretor-presidente da Codern, responsável pela licitação da obra, aponta que a Companhia projeta um crescimento significativo na movimentação de cargas após a conclusão da dragagem. Na prática, a intervenção pretende manter a profundidade do canal em 12,5 metros, favorecendo a entrada de embarcações de maior porte e ampliando a capacidade operacional do equipamento. Atualmente, o calado operacional é de 10m e foi mantido com a remoção emergencial de um banco de areia concluída no início deste mês, serviço que vai ser consolidado com a dragagem.

Do ponto de vista econômico, o esperado é que a obra fomente o crescimento da movimentação de cargas. “Um dos principais impactos esperados é a retomada do embarque de minério de ferro, que pode elevar a movimentação anual de cargas para cerca de 1,5 milhão de toneladas, apenas com esse produto. Para contextualizar, em 2023, o porto movimentou aproximadamente 500 mil toneladas no total”, aponta Paulo Henrique Macedo.

Em março deste ano, a TRIBUNA DO NORTE divulgou por meio de reportagem que uma empresa do setor mineral, a Fomento, planeja investir R$ 1,5 bilhão no Rio Grande do Norte até 2027 para viabilizar suas operações no estado. Desse total, cerca de R$ 350 milhões estão previstos já para este ano. Com previsão de escoar minério de ferro por até 16 anos, a companhia aposta no Porto de Natal como rota estratégica para exportações, especialmente para a Europa. Um diagnóstico interno realizado pela própria empresa indica que, com adequações estruturais, o terminal portuário tem potencial para atender à demanda logística do projeto.

No momento, o Porto de Natal atua com maior destaque para o setor de fruticultura. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), José Vieira, aponta que o terminal apresenta uma vantagem estratégica na exportação de frutas de forma ágil e é preciso atrair mais empresas para o retorno das operações de contêineres.

“Hoje, basicamente, só tem uma empresa operando no Porto Natal, que é a Agrícola Famosa, que está operando navio próprio. Então, as nossas frutas das outras empresas e fazendas, estão saindo por Fortaleza. O que precisamos é fazer com que essas frutas retornem para o Rio Grande do Norte e sejam exportadas pelo Porto de Natal, mas para isso precisamos da infraestrutura”, explica o presidente da Faern.
O titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (Sedec/RN), Silvio Torquato, reitera a necessidade da obra de dragagem para a economia local. “É uma obra muito importante para nós, tanto a dragagem do Rio Potengi quanto as defensas da Ponte Newton Navarro. Sobre as defesas, [o ponto central] é a segurança. Não podemos mais conviver com o risco que temos nessa ponte entre a zona Norte e Sul de Natal”.

Além do benefício para o setor de fruticultura, Sílvio Torquato avalia que a dragagem do Porto de Natal pode impulsionar ainda mais a pesca do atum, que hoje conta com a produção liderada pelo Rio Grande do Norte no país. Ele não deixa de citar, ainda, o papel da obra no incentivo à navegação de cabotagem, ou seja, o transporte de cargas entre portos do mesmo país a partir de embarcações.

“Outro ponto muito importante que temos que incentivar, também, é a navegação a cabotagem. Empresas que saem do Rio Grande do Norte para o Amazonas, como a Sadio, por exemplo, hoje estão vendendo para o Amazonas e toda a região Norte. Então, nós estamos muito fortes nessa reativação do Porto de Natal, que vai beneficiar e muito a cabotagem”, ressalta.

A Tribuna do Norte questionou o MPOR sobre os recursos assegurados para a obra, além da importância do Porto de Natal no plano nacional de modernização portuária e ampliação da capacidade logística para exportação de frutas e outros produtos. “A Codern solicitou ao Ministério de Portos e Aeroportos recurso para execução da dragagem do Porto de Natal. Tão logo o recurso seja aprovado pela Casa Civil, o valor será destinado ao porto”, disse o Ministério.

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