Com uma programação imersiva, teve início nesta quinta-feira (7), no Hotel-Escola Barreira Roxa, em Natal, o Conexão ODS, encontro que reúne representantes do setor empresarial, lideranças sociais, autoridades públicas e especialistas para discutir estratégias práticas voltadas à implementação da Agenda 2030 da ONU. O evento segue até o próximo sábado (9) com atividades que promovem a conscientização e a ação coletiva em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“Temos o Conexão Empreender, com 13 empreendedores, sendo 10 locais e três do Nordeste, que vieram mostrar seus saberes e vender seus produtos. Também realizamos visitas às comunidades, um desafio de inovação com impacto, e espaços de relaxamento, como o Conexão Interior”, explica Ticiana Rolim, presidente da Somos Um, Articuladora de negócios de impacto.
A iniciativa é promovida pela Somos Um, Pacto Global – Rede Brasil, Sebrae RN e Centro Sebrae de Sustentabilidade. Ao todo, são mais de 1.100 inscritos, 50 painelistas e oito atrações culturais locais. O diretor técnico do Sebrae de Mato Grosso, André Luiz Spinelli Schelini, lembrou que a Agenda 2030 precisa chegar a quem realmente vive a realidade nas cidades, especialmente os pequenos empreendedores.
“Estamos aqui com um propósito claro: transformar o compromisso global em ações locais. Essa agenda precisa ser compreendida por quem empreende. O Sebrae atua com mais de 24 milhões de empreendedores formalmente no país, e o RN tem um papel importante com seu polo de energias e inovação”.
O diretor técnico do Sebrae RN, João Hélio, reforçou o papel estratégico do setor produtivo na promoção da sustentabilidade e no cumprimento dos ODS. “Temos a responsabilidade de alertar sobre o uso consciente de insumos naturais, energia e o impacto das cadeias produtivas. Cada atitude conta e pode contribuir para mitigar os efeitos das mudanças climáticas”, destacou.
Ao ser realizado em Natal, o evento se propõe a romper com a lógica dos grandes centros e fortalecer o protagonismo do Nordeste nas pautas globais. “É fundamental trazer painéis e painelistas fora do eixo Rio-São Paulo. Sustentabilidade não se discute separadamente: não se fala de meio ambiente sem falar do social. Como preservar florestas sem envolver as comunidades indígenas e ribeirinhas? Os temas estão conectados e a governança vem junto”, pontuou o diretor de Engajamento, Parcerias e Finanças do Pacto Global – Rede Brasil, Rodrigo Favetta.
Durante a abertura, a governadora Fátima Bezerra destacou o alinhamento do Governo do Estado com os princípios da Agenda 2030. “O Estado se sente muito honrado em sediar esse evento. Nosso governo tem buscado avançar na promoção de um desenvolvimento sustentável, justo e inclusivo, que combata desigualdades, promova a igualdade de gênero, o acesso à educação, à saúde e à geração de emprego e renda”, afirmou.
Paineis
A programação do Conexão ODS oferece ao público uma imersão em práticas sustentáveis e soluções inovadoras. Entre os destaques estão os painéis com keynote speakers nacionais e internacionais, a Feira de Negócios da Economia Criativa e o Hackathon de Impacto, patrocinado pelo Instituto Riachuelo, no qual sete equipes de jovens desenvolvem negócios sociais com foco na economia circular.
Com o propósito de “conectar quem transforma”, o primeiro dia do evento levantou discussões relevantes sobre transição energética, justiça social e equidade de gênero.
No painel “Energia do Futuro — Inovação e Sustentabilidade”, o Cacique Luiz Katu, representante geral dos povos indígenas do RN, destacou que a construção de modelos de transição energética deve respeitar a soberania indígena e garantir consulta prévia, livre e informada em todas as etapas. “Vemos essa meta com olhares distantes e pouco favoráveis neste momento. Quando consulto as 22 comunidades, elas informam que não foram ouvidas sobre a instalação de parques eólicos, por exemplo. Foi iniciado um processo, não de consulta, mas de informação sobre os impactos. Para dialogar com conhecimentos milenares e respeitar a ancestralidade, é preciso ouvir e construir com os povos indígenas”, afirmou Katu.
Outra presença marcante foi a da influenciadora Nathália Arcuri, CEO da fintech de impacto social Me Poupe!, maior plataforma de educação financeira do Brasil. Em sua fala, ela destacou o trabalho desenvolvido com foco em cinco dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com ênfase na redução da desigualdade de gênero. “A barreira da comunicação é o grande abismo que separa pessoas comuns de pessoas fluentes. A Me Poupe começou por causa de um dado chocante: a cada 10 segundos, 13 mulheres são vítimas de algum tipo de violência. A principal razão pela qual permanecem nessas situações é a dependência financeira”, pontuou.
No painel “Equidade no Acesso ao Capital”, Mariana Ribeiro, CEO e cofundadora da CLARICE – estúdio de inteligência e criação que desenvolve histórias para imaginar novos paradigmas de poder feminino – reforçou a importância da representatividade e do reconhecimento de cases para ampliar horizontes.
“Fundamos a CLARICE para entender o que mulheres no poder são capazes de criar e fazer. Mulheres lideram a partir de outros valores e paradigmas. Isso importa não só para elas, mas para o mundo. Para ampliar o acesso ao capital, precisamos de referências reais que inspirem outras mulheres”, afirmou Mariana.








