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Campanha da ALRN destaca diálogo e acolhimento na adolescência

A adolescência entrou no centro das discussões públicas no Rio Grande do Norte com o lançamento da nova campanha institucional da Assembleia Legislativa (ALRN), ocorrida na terça-feira (10). Com foco na promoção do diálogo entre pais, responsáveis e jovens, a ação destaca a escuta ativa e o apoio mútuo como caminhos para enfrentar os desafios emocionais, sociais e identitários dessa fase. As mensagens principais são diretas: “Acompanhe, compreenda, acolha” para os pais e responsáveis e “Procure, fale, peça ajuda” para os adolescentes.

A proposta é sensibilizar a sociedade sobre a vulnerabilidade da adolescência, especialmente em um contexto de uso intenso das redes sociais e do avanço dos vícios digitais. Para a psicóloga Débora Sampaio, especialista em adolescentes, o momento exige atenção redobrada. “A adolescência sempre foi um período de vulnerabilidade, de muitas mudanças, transformações físicas, cerebrais, relacionais. Entretanto, a gente tem acompanhado um movimento mundial de um crescente adoecimento na saúde mental dos adolescentes. Ansiedade, depressão, autolesão, transtornos alimentares, suicídio, cyberbullying”.

Débora reforça que crianças e adolescentes receberam acesso a dispositivos eletrônicos sem qualquer mediação durante a pandemia, o que agravou o distanciamento geracional. “Nós estamos diante de famílias, de adultos que estão perdidos nesse processo de acompanhar, de educar. A campanha vem nessa perspectiva de conscientizar toda a comunidade, como escolas e famílias, e de convocar o poder público para que a gente possa pensar em políticas públicas para os adolescentes, ter esse olhar realmente mais cuidadoso para esse público que hoje vem gritando”, comenta.

A especialista destaca ainda que o consumo excessivo de jogos, pornografia, apostas e redes sociais configuram novos desafios. “Nós ainda temos hoje novos adoecimentos, vamos dizer assim, nós temos os vícios digitais, a dependência em jogos, em apostas, o vício em pornografia, o vício em redes sociais, então o adolescente tem essa necessidade de pertencimento, sempre teve, só que agora em meio a essas questões das redes sociais, a gente tem aí um maior fator de estresse, de adoecimento, de comparação, de competitividade, fora tudo que a gente vê nas comunidades”, completa a profissional.

A campanha da Assembleia também contou com o apoio do Ministério Público do Rio Grande do Norte. O promotor de Justiça Sasha Alves, coordenador das promotorias da Infância e Juventude, destacou a necessidade de ouvir os jovens. “O primeiro ponto para que, de fato, a gente possa ter um diálogo e não um monólogo é ouvi-los. Inclusive, é um dos direitos previstos na convenção dos direitos da criança e do adolescente da ONU. O primeiro passo é estar disposto a ouvir, e aí a gente fala do direito de participação”, diz.

O presidente da ALRN, deputado Ezequiel Ferreira, afirmou que a campanha faz parte do compromisso da Casa com temas sociais de grande relevância. “A Assembleia Legislativa tem se destacado nas suas campanhas visando trazer temas importantes para a sociedade. Debatemos há mais de dez anos temas de suma relevância para a vida do cidadão. E adolescência não podia ser diferente”.

Ezequiel ressalta que, embora os pais ainda desempenhem papel central na educação, é necessário compreender as mudanças da atual geração. “Vivemos um momento e uma geração absolutamente digital. A gente diz que quem educa somos nós, os pais, e ainda viemos do tempo analógico. E nós precisamos enfrentar o que nós estamos assistindo, infelizmente, que são os crimes que acontecem pela internet. Nós precisamos, de uma vez por todas, discutir esse assunto e mostrar à adolescência que nós estamos próximos a eles”, completa o parlamentar.

A campanha também recebeu a atenção da secretária de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh), Júlia Arruda. Segundo ela, é essencial que esse debate ultrapasse as fronteiras familiares e escolares. “Muito importante a iniciativa do lançamento da campanha e a relação da audiência pública, sobretudo porque amplia a visibilidade de um assunto que, muitas vezes, permanece restrito ao silêncio das famílias, das escolas ou mesmo das instituições”, afirma.

Júlia acrescenta que trazer a adolescência ao centro das políticas públicas é um compromisso com o futuro. “Estamos reconhecendo não apenas os desafios que envolvem essa fase da vida que é marcada por intensas transformações emocionais, sociais e identitárias, mas também assumindo, enquanto sociedade, a responsabilidade de cuidar, escutar e proteger nossos jovens”.

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