Redação Tribuna do Norte
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23h45

O Camelódromo da Cidade Alta enfrenta condições precárias nos banheiros públicos: espaços insalubres, sujeira, deterioração e problemas estruturais que comprometem não somente o seu funcionamento, mas também a rotina dos permissionários que ainda trabalham no local. Para eles, a situação é ainda mais delicada. Com o equipamento masculino fora de operação há mais de um mês, o banheiro originalmente destinado a pessoas com deficiência passou a ser utilizado como masculino comum. Ambos os banheiros identificados para acessibilidade (feminina e masculina) estão quebrados.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) informou que finalizou o levantamento acerca dos danos nos equipamentos dos banheiros do Camelódromo da Cidade Alta e solucionará a questão nos próximos 15 dias. A pasta afirmou ainda que, “em relação a uma ampla reforma no espaço, já há um projeto de requalificação elaborado e a gestão buscará formas de financiamento para executar as melhorias”. A Semsur afirmou também que o projeto de qualificação do local ainda não foi totalmente orçado.
A situação também atinge a população de rua, que depende desses equipamentos públicos para necessidades básicas.
No entanto, a limitação dos banheiros não afeta somente o público externo, mas também os próprios permissionários locais, como é o caso de José Wilson, de 43 anos, que transita com sua cadeira de rodas com bastante cautela no local. “A gente fica com dificuldades para usar [o banheiro], pois está quebrado. Temos que procurar outro tipo de recurso para fazer as necessidades”, lamenta. José Wilson mora nas proximidades e precisa ir até sua residência para usar o banheiro, o que, para ele, também gera desconforto. “A acessibilidade aqui está zero; para andar pelo camelódromo é preciso ter muito cuidado. Muita gente vem para usar o banheiro, mas não tem como. Desde que interditaram, eu não vou mais ao banheiro daqui.”
A insegurança fez com que os comerciantes elaborassem uma “vaquinha” para pagar vigias noturnos para garantir a segurança do camelódromo, em prol da diminuição da degradação dos boxes e também dos banheiros. “A situação está precária. A gente tinha dois vigias que ficavam durante a noite. Faz um ano que está sem vigia; a gente tira dinheiro daqui de dentro para pagar o salário mínimo de cada um deles”, explica o permissionário Lucindo Moreira, de 50 anos.
Conforme Lucindo Moreira afirma, os comerciantes se unem para angariar fundos e pagar aos três vigias um valor pouco acima do piso salarial mínimo. “A gente está aqui fazendo um malabarismo para manter a segurança, porque não temos [apoio público]; senão, vai ser arrombado e vão levar tudo o que temos”, concluiu.
Rodrigo Vasconcelos, presidente do Viva o Centro de Natal, afirma que o camelódromo já vem, há bastante tempo, necessitando de uma intervenção urgente em função de condições precárias, com risco de desabamento, que coloca em perigo trabalhadores e frequentadores do local. Para o presidente, transformar o camelódromo em um mercado público moderno, inspirado no modelo tradicional que existia, com portas voltadas para a rua e integração com o Beco da Lama, é uma solução inteligente.
“Essa realidade precisa receber atenção do poder público, com medidas que ajudem a reativar esses espaços, oferecendo melhores condições de trabalho e incentivando a permanência dos comerciantes”, finaliza.








