Redação Tribuna do Norte
•
•
23h30
A Prefeitura de Natal prevê concluir até o final deste mês as intervenções em andamento no Mercado da Redinha, na zona Norte da capital. Apesar da estimativa, comerciantes relatam dificuldades no funcionamento do espaço e cobram maior transparência sobre os serviços realizados.
A Redinha é um símbolo da renovação turística de um dos pontos mais populares da capital potiguar, principalmente para quem busca a famosa “ginga com tapioca”, patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Norte. Contudo, o Mercado da Redinha enfrenta um impasse entre os trabalhadores e a gestão municipal. De acordo com relatos dos permissionários, a medida que chamam de interdição ocorre há mais de 21 dias, com tapumes metálicos dividindo o deck do mercado. Com isso, reduzem o número de mesas e cadeiras e dificultam os atendimentos ao público em geral. A ação, segundo a comunidade, não apresenta sinais claros de execução de obras e transformou o salão em um labirinto de mesas “imprensadas”, causando desconforto para os clientes.
Em nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) informou que está realizando intervenções no caramanchão integrado à área do deck. A pasta ressaltou que a ação interfere em apenas uma parte do espaço, sem alteração no funcionamento do Mercado. “Até lá, o Mercado segue em operação e sem prejuízo de suas atividades originais”, enfatiza.
Para os comerciantes, a maior dor não vem apenas da estrutura física, mas da falta de comunicação, ocasionada pelo que afirmam ser ausência de diálogo por parte da prefeitura, tendo em vista que, segundo eles, não foram comunicados. “A prefeitura deixa uma brecha muito grande entre os permissionários porque não há diálogo. Praticamente só sabemos das coisas quando todo mundo está sabendo. Estamos com dificuldade para trabalhar em um salão dividido, o que gera problemas até entre os colegas que precisam se dividir para realizar o serviço”, desabafa a permissionária Ozeni Florêncio.
Eles afirmam ainda que, em dias de grande movimentação na localidade, como aos domingos, a capacidade de atendimento cai drasticamente e gera reclamações. O permissionário Ronaldo Júnior afirma que os trabalhadores estão sentindo no bolso. “É mesa por cima de mesa… Mesmo nos dias de chuva o movimento não parou durante a semana. Em um domingo isso aqui fica lotado e não temos como atender todo mundo com conforto”.
A clientela também sente o impacto. O autônomo Átila de Souza afirma que, para alguns visitantes, além do tapume, a imagem das portas fechadas transmite a sensação de que o mercado está desativado. “Venho aqui quase todos os dias e é chato você vir para apreciar essa maravilha da Redinha e encontrar essa interdição. O pessoal chega e pensa que o mercado está parado porque as portas principais estão fechadas; apenas as laterais ficam abertas. Os garçons precisam sempre avisar que o local está funcionando”, destaca.
Concessão
A concessão do Mercado da Redinha à iniciativa privada continua sem prazo oficial. Em julho de 2025, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) determinou que a gestão municipal realizasse uma Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) com a comunidade tradicional, composta por ribeirinhos, pescadores e pequenos empreendedores, antes de dar sequência ao projeto de remodelação.
A Secretaria Municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovação (Sepae) esclareceu que o avanço do projeto está condicionado ao cumprimento dessa determinação judicial. O último prazo concedido venceu em 23 de fevereiro.
“Na reunião mais recente, realizada no dia 7 de abril no CRAS África, os representantes das comunidades informaram que o protocolo foi concluído e submetido ao Ministério Público Federal para validação”, informou a Sepae. A prefeitura reiterou que permanece no aguardo da entrega formal do protocolo validado, condição indispensável para o prosseguimento legal do processo de concessão.








