Cláudio Oliveira
Repórter
O ensino em tempo integral avançou de forma expressiva no Rio Grande do Norte nos últimos cinco anos, com destaque para o ensino médio na rede estadual e para a educação infantil e o ensino fundamental em Natal. Dados do Censo Escolar 2025, divulgados na quinta-feira (26) mostram que a política de ampliação da jornada escolar ganhou escala no estado, acompanhando uma tendência nacional de fortalecimento dessa modalidade como estratégia para melhoria da aprendizagem e redução das desigualdades educacionais.
Com exceção da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em 2025 o estado contabilizou 488.351 matrículas em todas as modalidades, séries e redes (municipais e estadual), das quais 82.705 eram em tempo integral, o equivalente a 16,9% do total. Em 2021, esse percentual era significativamente menor: das 544.460 matrículas registradas naquele ano, apenas 30.197 estavam no modelo integral, o que correspondia a 5,5%, indicando um crescimento de 11,4 pontos percentuais no período.
O avanço é ainda mais evidente no ensino médio da rede estadual. Há cinco anos, o estado tinha 102.599 estudantes matriculados nessa etapa, sendo 13.497 em tempo integral, o equivalente a 13%. Em 2025, apesar da redução no total de matrículas do ensino médio para 87.435, o número de alunos em tempo integral subiu para 20.548, elevando a participação do modelo para 23,5%, um aumento de 10,5 pontos percentuais em cinco anos, refletindo o foco das políticas públicas recentes voltadas à permanência e ao desempenho dos jovens na etapa final da educação básica.
O avanço também aparece de forma significativa no ensino fundamental. Somadas as redes estadual e municipal, as matrículas em tempo integral saltaram de 14.308 em 2021 para 52.780 em 2025, mais que triplicando em cinco anos. Somente nas escolas estaduais, o crescimento foi de mais de 233% (de 3.283 para 10.954), enquanto as redes municipais aumentaram 279% as vagas nessa etapa de ensino, saindo de 11.025 para 41.826 matrículas. O crescimento indica a ampliação da oferta sobretudo nos anos finais, etapa historicamente marcada por evasão e dificuldades de aprendizagem.
Na educação infantil, os números também apontam expansão. Em 2025, o Rio Grande do Norte registrou 5.428 matrículas em tempo integral em creches e 3.949 na pré-escola das redes municipais. Embora os volumes sejam menores em comparação ao ensino fundamental e médio, os dados revelam uma tendência de consolidação gradual da jornada ampliada desde os primeiros anos da vida escolar.
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC/RN) afirma que os resultados do Censo confirmam o impacto de uma política contínua de expansão da educação integral. Segundo a pasta, a rede estadual passou de 10.589 matrículas em tempo integral, em 2019, para 34.682 em 2025, um crescimento de 227,5%. Atualmente, 248 escolas estaduais ofertam a modalidade.
A secretaria também destaca que a expansão está associada a investimentos na ordem de R$ 208,1 milhões em 2025, além da convocação de 1.609 professores e especialistas para dar suporte à ampliação do modelo. “O crescimento das matrículas evidencia a confiança das famílias na educação pública e a consolidação do ensino integral como estratégia para fortalecer a aprendizagem, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades acadêmicas e profissionais para os estudantes potiguares”, enfatizou a pasta.
Na capital Natal, o avanço do ensino em tempo integral se concentra principalmente na educação infantil e no ensino fundamental. De acordo com o Censo Escolar, as matrículas em tempo integral em creches da rede municipal passaram de 186, em 2021, para 459 em 2025, alta de 146,7%. Na pré-escola, etapa que não registrava matrículas nessa modalidade no levantamento anterior, o município contabilizou 45 estudantes em 2025.
Já o ensino fundamental da rede municipal da capital teve, segundo o censo escolar, um crescimento ainda mais expressivo: o total de matrículas em tempo integral somente na rede municipal que era de 277 cinco anos atrás, subiu 414%, passando para 1.424. Somando as redes municipal e estadual na capital, as matrículas saltaram de 860 para 4.321. O avanço reflete a ampliação da oferta e a reestruturação gradual da rede para atender à jornada ampliada.
O secretário Municipal de Educação de Natal, Aldo Fernandes de Sousa Neto, afirmou que há um aumento em 2026 na oferta do ensino fundamental em tempo integral na capital. “Das nossas 73 unidades, estamos passando aí para 10 escolas no formato de tempo integral. Então nós superamos os 10%”, disse. Na educação infantil, o secretário acrescentou: “Para os CMEIs, temos 74 e vamos ter 16 em tempo integral. Então poderemos dizer que nós já estamos passando de 20% só nos CMEIs”.
Crescimento no RN segue tendência nacional e meta do PNE
A expansão do ensino em tempo integral registrada no Rio Grande do Norte e em Natal está inserida em um movimento nacional de ampliação da jornada escolar. Dados do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Ministério da Educação e pelo Inep, indicam que o Brasil alcançou, em 2025, o maior percentual de estudantes em tempo integral da série histórica recente.
Entre 2021 e 2025, a proporção de matrículas presenciais em tempo integral na rede pública passou de 15,1% para 25,8%, crescimento de 10,7 pontos percentuais. Com esse resultado, o país atingiu a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014–2024, que previa atender ao menos 25% dos alunos da educação básica pública em jornada ampliada, definida como igual ou superior a sete horas diárias ou 35 horas semanais.
Em números absolutos, o avanço ocorreu em todas as etapas da educação básica. As matrículas em tempo integral em creches cresceram de 1,32 milhão, em 2021, para 1,67 milhão em 2025. Na pré-escola, o total passou de 396,5 mil para 590 mil estudantes. No ensino fundamental, o número de matrículas praticamente dobrou, saindo de 2,12 milhões para 4,09 milhões no período.
O maior crescimento proporcional ocorreu no ensino médio, etapa considerada estratégica para a permanência dos jovens na escola. As matrículas em tempo integral passaram de 996,4 mil, em 2021, para 1,46 milhão em 2025. Em termos percentuais, a cobertura do tempo integral no ensino médio saltou de 16,7%, em 2022, para 26,8% em 2025.
Durante a divulgação dos dados, o ministro da Educação, Camilo Santana, atribuiu o resultado aos investimentos federais e à priorização da política. “Pela primeira vez na história, chegamos a esse número tão expressivo e importante para a nossa educação”, afirmou. “Essa gestão adotou como estratégia promover e estimular a educação em tempo integral. Neste período, foram investidos R$ 4 bilhões para essa modalidade de ensino, com o objetivo de ampliar a oferta, melhorar as infraestruturas e atender ao maior número de alunos possível com qualidade e equidade. Nós ultrapassamos a meta estabelecida e vamos continuar fortalecendo esta política.”
O Censo Escolar 2025 contabiliza cerca de 46 milhões de matrículas em 178,8 mil escolas de educação básica no país. Embora o número total de matrículas tenha apresentado redução em relação a anos anteriores, técnicos do Inep explicam que o movimento está associado à queda da população em idade escolar e à redução da distorção idade-série. Em 2025, a taxa de frequência de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos chegou a 97,2%.
Para o MEC, os resultados indicam que a educação em tempo integral vem se consolidando como política estruturante no país. No Rio Grande do Norte e em Natal, apesar das diferenças entre os dados do Censo e os números administrativos locais, a convergência está no diagnóstico: a ampliação da jornada escolar ganhou ritmo e passou a ocupar lugar central nas estratégias de fortalecimento da educação pública.








