Fernando Azevêdo
Repórter
Os estudantes Theoden Lucas, 16, Krueiver Costa, 17, e Matias Araújo, 17, e o professor Salvador Rodrigues, chegaram a Natal às 5h30 da última quinta-feira (27) para participar da Olimpíada Nacional GLOBE Brasil e da Feira Nacional de Ciências GLOBE Brasil. A viagem dos alunos do curso técnico de Química do Instituto Federal do Amapá (IFAP) durou dois dias, com trechos viajados de barco, avião e ônibus. A feira é aberta ao público e segue até esta quarta-feira (03), na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, na zona Norte de Natal.
Pela viagem e devido à sua atuação em campo durante a olimpíada, eles foram premiados na categoria de Desbravadores. Assim como Theoden, Krueiver e Matias, representantes do Amapá, alunos de ensino médio da rede pública de outros 18 estados participam da mostra de ciências, que traz projetos que dialogam com temas de meio ambiente. Estudantes do Rio Grande do Norte participam, ao mesmo tempo, da Feira e da III Mostra Científico-Cultural da 1ª Direc.
Os estudantes amapaenses descrevem a experiência como muito enriquecedora, algo fora da realidade socioeconômica de muitos alunos. O longo percurso de volta foi realizado na segunda-feira (02), após a equipe apresentar uma proposta de intervenção local na Olimpíada Nacional GLOBE Brasil voltada para a coleta de ostras em áreas de mangue potiguar: um monobloco inteligente que capture apenas ostras grandes ou médias. A proposta também incluiu ações de educação ambiental na comunidade.





Durante uma expedição científica, 30 equipes de 11 estados do Brasil e de municípios do RN disputaram qual proposta melhor atenderia a uma demanda da comunidade local. Na última fase da competição, os participantes visitaram três estuários com diferentes características, em Macau, Diogo Lopes e Pipa (Tibau do Sul), conhecendo diversos ecossistemas potiguares e coletando dados.
Uma equipe de Santa Catarina venceu a competição, que visou ampliar o alcance da ciência cidadã e o protagonismo juvenil na investigação ambiental, no âmbito do Programa GLOBE, iniciativa global apoiada pela NASA.
“A gente está acostumado às olimpíadas serem só provas: a gente faz as provas, tem a fase final, vai para o estado e faz uma prova. Aqui, foi uma proposta totalmente diferente. A gente teve que ir para campo, pesquisar, aprender, entender como funciona, fazer o trabalho manual e entender como é a vida das pessoas, para fazer uma proposta de intervenção na vida delas”, conta Theoden Lucas.
O professor de Química Salvador Rodrigues diz que muitos desses jovens nunca tinham viajado. “Uma coisa que me deixou feliz foi, no dia que nós chegamos, quando eles foram para a praia tomar banho, e diziam que nunca tiveram contato com a água salgada. Isso é comum, pois moram em uma região que não tem mar. No próximo ano, se Deus quiser, o Amapá vai estar em peso participando dessa aventura”, declara.
O Centro de Educação Profissional e Ambiental Escola das Dunas, de Extremoz (RN), montou um estande que chama a atenção dos visitantes. Na exposição, é possível ter contato com a jiboia Menina, de cerca de 1 ano, e aprender sobre diversas serpentes e seus mecanismos de defesa. O projeto ambiental tocado pelo Centro, na Praia de Pitangui, ensina educação ambiental para alunos de escolas de todo o Brasil.
“Temos um projeto que a gente chama de aula fora da sala de aula, com trilhas. A gente fala sobre a educação ambiental, ensinando como tratar os animais, o que fazer quando se vê uma cobra, [por exemplo]”, explica o estudante potiguar Parmênides Saint Clair, 16. O projeto existe desde 1990 e leva conscientização ambiental ao público.
Segundo a professora da UFRN Mariana Almeida, coordenadora geral da Olimpíada Nacional GLOBE Brasil e da Feira Nacional GLOBE Brasil, os projetos surgiram após o sucesso do programa Meninas no Espaço, que atua desde 2014. “Alcançamos um nível de pesquisa e maturidade que exigiu que a gente pudesse dar um passo a mais”, conta.
A 1ª edição da olimpíada focou nas mudanças climáticas e, segundo Almeida, foi idealizada em uma proposta de monitorar os oceanos a longo prazo. Na imersão científica, os estudantes coletaram dados locais, como o pH do solo e o pH da água.
Ela define a competição como “um show de apresentações”. “Nessas apresentações você começa a perceber que os alunos já estão em iniciação científica. Eles conseguiram mostrar criatividade, inovação e análise de dados”, diz, orgulhosa dos jovens cientistas. A proposta vencedora, de Santa Catarina, sugeriu construções imobiliárias com o uso das garrafas plásticas, com lixo e resíduo de plásticos, para reaproveitar os materiais.
A olimpíada é organizada pela Agência Espacial Brasileira, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer do Rio Grande do Norte (SEEC), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Fundação de Amparo e Promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do RN (FAPERN) e conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Mútua do Rio Grande do Norte.








