O Sistema Tribuna de Comunicação recebeu, nesta segunda-feira (1º), a Medalha do Mérito Rural “Senador Moacyr Duarte”, durante o 8º Seminário Cenário Econômico e Político para o Setor Rural 2026, que reuniu representantes do agronegócio potiguar em Natal para discutir desafios, acesso a crédito e perspectivas do setor para 2026. O encontro contou com palestra sobre o cenário político e econômico e seus impactos no campo.
O debate destacou os efeitos da seca, a dificuldade de crédito para pequenos produtores e o avanço da fruticultura irrigada. José Vieira, presidente da Faern, disse que 2025 foi um ano duro e que 2026 também exige atenção, mas apontou crescimento em áreas como aquicultura, piscicultura, cana-de-açúcar e fruticultura irrigada, que considera decisiva para a expansão da agropecuária potiguar. Ele defendeu a necessidade de facilitar o crédito produtivo: “O crédito para consumo é mais fácil do que o crédito para produção. Precisamos inverter essa lógica”.
O consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Nilson Leitão, responsável pela palestra do evento, afirmou que o pequeno produtor segue vulnerável por causa da burocracia ambiental e da dificuldade de financiamento. Para ele, ampliar programas de produção em escala e fortalecer o seguro rural é essencial para aproveitar as oportunidades do agronegócio brasileiro em 2026.
Ao receber a honraria na categoria Comunicação e/ou Jornalismo, o superintendente do Sistema Tribuna, Fernando Fernandes, afirmou que a medalha aumenta a responsabilidade do veículo. “Promover e divulgar o empreendedorismo é um dos nossos valores. O agro é decisivo para o estado”, disse. Ele lembrou que o Sistema realizou, em outubro, o evento Motores do Agro.
Também foram homenageados o deputado federal General Girão, Fabiana Lopes e Francisco Vieira. O seminário foi promovido pelo Instituto Potiguar de Desenvolvimento Rural (IPDR), com apoio da Federação da Agricultura.
Cenário
José Vieira, presidente da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern), avalia que 2025 foi um ano desafiador para o agro no Rio Grande do Norte, especialmente devido à seca. “O cenário para 2026 em relação à seca também é preocupante, mas a agricultura irrigada vem crescendo”, afirma. Ele aponta como desafios as dificuldades de acesso a crédito e de assistência técnica.
Mesmo com os obstáculos, ele diz que o setor está otimista com o crescimento de áreas como aquicultura, piscicultura e produção de cana-de-açúcar. “A agricultura, voltada para a fruticultura irrigada, é a grande alavanca do desenvolvimento da nossa agropecuária, e está abrindo novos mercados, consolidando o Rio Grande do Norte na exportação de frutas”, pontua.
“O crédito para consumo é muito mais fácil do que o crédito para produção. Nós precisamos inverter. Precisamos fazer com que aquelas pessoas que querem produzir tenham um ambiente favorável ao acesso a crédito, à questão ambiental, à infraestrutura e à logística”, diz Vieira.
Na avaliação de Nilson Leitão, consultor especial da Confederação Nacional da Agropecuária que palestrou no evento, alguns dos principais desafios do setor são o acesso a crédito para o pequeno produtor e as burocracias do licenciamento ambiental. “O grande desafio é dar crédito para o pequeno produtor, fazer com que ele possa se desenvolver. Um estado como o Rio Grande do Norte, produtor de frutas importante para o Brasil, tem que aumentar essa escala, trazendo para as oportunidades aquelas pequenas propriedades e assentamentos que ainda não conseguiram ter rentabilidade”, diz.
“As áreas que poderiam produzir não produzem por falta de programas de produção em alta escala para o pequeno produtor”, acrescenta. “Não podemos mais olhar para o Nordeste brasileiro e achar que a produção tem que ser apenas para subsistência”.
Ele defende o seguro rural, que protege o produtor afetado por questões climáticas, como secas e chuvas intensas. Segundo ele, o Brasil está sendo visto como uma vitrine do agronegócio, o que traz oportunidades para 2026: “Um país que produz com qualidade, competitivo e que consegue produzir de forma ecologicamente correta e economicamente viável”. Em sua palestra, Leitão analisou o cenário político e econômico nacional e seus impactos no campo.








