A administração de Donald Trump voltou a exercer pressão sobre Cuba em meio à guerra no Oriente Médio. Quase diariamente, o presidente dos EUA tem alertado sobre a possível queda do regime de Havana no curto prazo.
Nessa segunda-feira (9), Trump aproveitou uma coletiva de imprensa para comentar sobre os planos de seu governo para a ilha. “Pode ser ou não uma tomada de controle amigável”, respondeu a repórteres na ocasião.
A pressão sobre o regime comunista ganhou força com a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, um dos principais aliados regionais de Cuba, no início de janeiro. A nova ofensiva no Irã também não impediu o governo americano de continuar atento à situação na ilha, que é vista como o próximo foco da lista americana.
Desde o primeiro governo (2017-2021), Trump tem deixado claro que derrubar o regime cubano é uma de suas prioridades. Nesta segunda gestão, ele uniu forças com uma figura da administração que também demonstra há anos buscar o mesmo fim: o secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos.
Até agora, os EUA cortaram o fornecimento de petróleo venezuelano que era direcionado para Havana e prometeram impor tarifas a qualquer país que lhes forneça petróleo, medidas que aprofundaram a já aguda crise econômica de Cuba.
Esses novos bloqueios resultaram em uma série de apagões na ilha e uma crescente escassez de combustível. Com isso, o regime liderado por Miguel Díaz-Canel precisou adotar ações emergenciais de racionamento.
Ao anunciar as sanções, o governo americano classificou Cuba como uma ameaça à segurança dos EUA, citando que o regime é alinhado, inclusive militarmente, com “adversários perigosos” dos Estados Unidos, como Rússia, China e o grupo terrorista Hezbollah.
Acordo com os cubanos?
Trump tem defendido que a situação precária de Cuba pode levar os líderes do regime à mesa de negociação. O jornal americano USA Today revelou nesta semana um plano do governo americano para iniciar uma transição política após mais de seis décadas de ditadura.
Duas fontes com conhecimento dos planos do governo disseram à publicação que a Casa Branca prepara um acordo econômico que resultaria numa saída combinada do ditador Miguel Díaz-Canel, a permanência da família Castro na ilha e acordos sobre portos, energia e turismo. A proposta ainda não foi oficialmente confirmada pela gestão de Trump.
Ao contrário do que está sendo realizado no Irã, a ofensiva contra o regime de Havana não deve envolver uma campanha de força bruta, visto que a ilha já está economicamente fragilizada demais para suportar outro golpe. Washington deve, por outro lado, manter uma influência direta sobre a escolha de um novo líder para o país e as políticas a serem adotadas na nova administração.
No mês passado, o portal Axios revelou que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, estaria mantendo conversas secretas com o neto do ex-ditador de Cuba Raúl Castro, considerado o “homem forte” do regime.
EUA avaliam operação semelhante à realizada contra Maduro na Venezuela
Sem a existência de um acordo pacífico para a transição política, outra opção avaliada pelo governo de Donald Trump se assemelha à operação para captura do ditador Nicolás Maduro.
Uma reportagem do jornal The Washington Post revelou que o Departamento de Justiça dos EUA estaria criando uma força-tarefa para examinar possíveis acusações federais contra autoridades ou entidades do regime cubano.
O líder venezuelano deposto foi levado para os EUA, em janeiro, onde enfrenta acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas. Não há previsão de sua soltura no curto prazo.
Agências federais, incluindo o Departamento do Tesouro, estariam buscando recursos para apoiar futuras intervenções pontuais como a realizada na Venezuela.
Essa possibilidade ganha um novo amparo com o anúncio do “Escudo das Américas”, um plano liderado por Trump para combater o narcotráfico no continente. A aliança foi firmada com 17 países latino-americanos liderados por governos de direita no final de semana, em Miami.
A pressão sobre Cuba também está ganhando força entre aliados regionais do republicano. O exemplo mais recente aconteceu com o Equador, liderado pelo direitista Daniel Noboa, que acusou Cuba de estar envolvida em atos de interferência política no país andino. Com a crise, o aliado de Trump decidiu expulsar diplomatas cubanos na semana passada.
O presidente argentino, Javier Milei, visto como o principal parceiro político de Trump na América Latina, é um crítico ferrenho de Cuba. Nesta terça-feira, ele renovou sua rejeição ao regime de Havana ao dizer perante investidores em Nova York que conseguiu evitar que seu país se tornasse como Cuba ou Venezuela.
“Quando assumimos o cargo, estávamos a caminho de nos tornarmos Cuba com uma escala na Venezuela”, afirmou o presidente no evento ao defender a política implementada por ele desde 2023, que conseguiu reverter a crise econômica herdada do peronismo por meio de um ajuste fiscal significativo em poucos meses e conduzir o país rumo a um modelo de livre mercado sem recorrer a medidas que afetem depósitos ou a propriedade privada.








