Uma nova abordagem cirúrgica para o tratamento do pectus excavatum, conhecido popularmente como “peito de sapateiro”, vem trazendo avanços na segurança e na efetividade do procedimento. A técnica permite uma correção mais estável da deformidade torácica, reduz o risco de deslocamento da prótese e tem melhores resultados estéticos. Em Natal, esse novo processo já começou a ser aplicado sob a orientação inicial da Universidade de São Paulo (USP), com uma cirurgia já realizada ao final de janeiro deste ano.
O “peito de sapateiro” é uma das mais comuns das deformidades congênitas da parede torácica anterior e se caracteriza pelo afundamento do esterno em direção à coluna. Apesar de ser uma condição assintomática para muitos pacientes, pode trazer impacto estético significativo e até mesmo dificuldades psicológicas, afetando a autoimagem e a qualidade de vida dos portadores. Em casos mais graves, também pode levar à compressão de órgãos como coração e pulmões.
De acordo com Dr. Miguel Tadde, cirurgião torácico da USP que esteve em Natal para apresentar a técnica, o procedimento minimamente invasivo representa uma evolução em relação ao método tradicional. “Antigamente, a cirurgia exigia uma grande incisão na região torácica para reposicionar o esterno, deixando uma cicatriz semelhante à de uma cirurgia cardíaca. Hoje, utilizamos próteses metálicas que moldam o osso de forma menos invasiva, sem a necessidade dessa grande abertura”, explica.
A técnica tradicional aplicada há cerca de 20 anos utilizava uma única barra metálica para corrigir a depressão torácica. No entanto, o novo procedimento permite o uso de duas ou até três barras para oferecer uma correção mais uniforme e segura. Esse material vem de uma produção nacional, que substituíram as importadas com vantagens em segurança e estabilidade, segundo os estudos publicados em condução com 30 pacientes que estima 1 a cada 1 mil crianças com a deformidade.

“O material nacional reduziu significativamente o risco de deslocamento das barras, que era uma das principais preocupações com a versão importada”, afirma Dr. Miguel Tadde. Segundo ele, o uso no mercado brasileiro não registrou casos de rotação das barras, um problema que antes ocorria em 5 a 10% dos pacientes.
Em Natal, Dr. Hylas Ferreira foi o cirurgião torácico por realizar esse procedimento e constata o diferencial com ganhos visuais e funcionais. “Essa já era uma cirurgia realizada e o que mudou foi o material. A gente colocou duas barras para dar um melhor resultado estético para o paciente. Acredito que realmente tem uma tendência de passar a usar duas ou três barras, porque o ganho visual foi bem melhor”, destaca.


Alexandre Maciel, 18, foi o paciente operado com o novo procedimento. Na infância, ao tirar a camisa para brincadeiras, foi quando ele percebeu que tinha algo de diferente. Com frequência ele recebia comentários sobre uma deformidade no peito dele e isso levou a uma insegurança na autoestima. Diferentemente de outros casos em que há uma pressão nos órgãos, os impactos do “peito de sapateiro” em Alexandre eram apenas estéticos.
“Eu evitava ir as praias, ir na piscina, e quando eu ia era sempre usando camisa de proteção. Eu não me trocava na frente de ninguém. Foi quando eu descobri a cirurgia, fiz os testes, falei com Dr. Hylas. Agora após realizar a cirurgia, melhorou bastante minha autoestima e agora finalmente consigo tirar a camisa na frente de outras pessoas”, afirma Alexandre. Mesmo com a cicatriz da cirurgia, ele reafirma que agora se sente bem melhor.


Os avanços na cirurgia também impactam a recuperação do paciente. No procedimento realizado em Natal, o cirurgião torácico detalha que Alexandre recebeu alta entre dois a três dias e apresentou boa evolução. “Ele está bem, já está em casa. Está evoluindo muito bem e com três meses a gente libera para algumas atividades físicas como musculação”, explica Dr. Hylas.
Com esses resultados, a aceitação da nova técnica entre cirurgiões e pacientes tem crescido rapidamente. “Os pediatras e médicos que antes hesitavam em indicar a cirurgia estão mais confiantes. Cirurgia sempre tem riscos, mas eles diminuíram muito. Agora temos um procedimento mais seguro, e isso faz com que mais pacientes tenham acesso à correção”, finaliza Dr. Miguel. Para o futuro, a expectativa é que a cirurgia com duas ou três barras se torne um padrão no tratamento do pectus excavatum no Brasil.








