Natal vai deixar de ser uma das únicas capitais do Nordeste sem tecnologia para cirurgias robóticas a partir de abril. Com investimento de R$ 7 milhões, o robô adquirido pela Casa de Saúde São Lucas passará a oferecer procedimentos minimamente invasivos, permitindo operações mais precisas, visão em 3D e recuperação mais rápida para os pacientes. A tecnologia deve reduzir a necessidade de deslocamento de moradores para outros estados.
A cirurgia robótica funciona como uma plataforma tecnológica que auxilia o médico na realização de diversos tipos de procedimentos. No Nordeste, até o momento, apenas Piauí e Rio Grande do Norte ainda não dispõem da tecnologia.
A cirurgia robótica pode ser aplicada em procedimentos realizados em regiões pequenas ou de difícil acesso, como no tórax, na próstata e no pâncreas. Também é indicada para cirurgias oncológicas, a exemplo dos casos de câncer nesses órgãos, além de correções de hérnias e intervenções na área pediátrica, entre outras.
Conforme o cirurgião da Casa São Lucas, Tiago Diniz, a cirurgia robótica consegue fazer com que o paciente seja submetido ao procedimento com cortes menores, de forma mais delicada. “Os movimentos são mais precisos, o robô não treme, o robô tem uma delicadeza muito grande e consegue acessar áreas que, na cirurgia aberta e na cirurgia minimamente invasiva, que hoje é a videolaparoscopia, não seriam alcançadas. Ele consegue ser mais delicado e, assim, causar menos efeito colateral ao paciente”, disse Diniz.
O robô cirúrgico opera sob a direção de um médico, que controla as ações e orienta a cirurgia.
A precisão dos movimentos proporcionados pelo robô reduz as chances de sangramento e de lesões em estruturas sensíveis, como nervos. “Na urologia, por exemplo, na cirurgia de câncer de próstata, quando comparada à cirurgia por vídeo ou à cirurgia aberta, a cirurgia robótica causa menos efeito colateral. Então, tem menos impotência, tem menos incontinência urinária”, destaca.
Por ser minimamente invasiva, a cirurgia robótica tende a proporcionar uma recuperação mais rápida e menos dolorosa ao paciente. Com incisões menores, o procedimento reduz o tempo de internação hospitalar e possibilita alta mais precoce. Além disso, Tiago Diniz também revela que há menor risco de sangramento, menos dor no pós-operatório e redução das chances de infecção.
A possibilidade de alta hospitalar no mesmo dia é uma das principais vantagens observadas nos estados que já adotaram a cirurgia robótica. “Ele (o paciente) precisa de menos tempo de internação, porque tem menos dor, a recuperação é mais rápida, então ele recebe alta mais precoce, normalmente”, pondera o médico.
Tiago Diniz é cirurgião do aparelho digestivo e destaca que o robô facilita procedimentos bariátricos, permitindo operar com mais segurança pacientes com obesidade mais grave. “Na cirurgia bariátrica, conseguimos trabalhar de forma mais eficiente em pacientes de 200 ou 300 quilos, tornando o procedimento mais preciso e seguro”, afirma.
Segundo o cirurgião, em procedimentos como a correção de hérnias, por exemplo, muitos pacientes conseguem voltar para casa poucas horas após a intervenção, algo que dificilmente ocorreria na cirurgia convencional, que exige maior tempo de recuperação e internação.
Além da recuperação mais rápida, a adoção da tecnologia também reduz a evasão de pacientes para outros centros. Atualmente, moradores de Natal que precisam desse tipo de procedimento acabam sendo encaminhados para outras cidades: “Hoje, por exemplo, a gente perde algumas cirurgias para outros estados.” Com a implantação do serviço no estado, a tendência é que esses pacientes permaneçam na própria capital.
Outro ponto destacado é o impacto econômico para os hospitais. Embora muitos médicos se desloquem para operar em outros estados, a ausência da tecnologia no Rio Grande do Norte faz com que procedimentos e receitas deixem de circular na economia local.
Com previsão de início das atividades em abril, o robô já deve começar a ser utilizado assim que for instalado e forem finalizados os protocolos operacionais.
Apenas médicos habilitados poderão realizar os procedimentos, já que a técnica exige treinamento específico e certificação própria, semelhante a uma especialização, para que o profissional esteja apto a operar a plataforma.








