O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) quer fomentar a Pesca Amadora e Esportiva no RN, modalidade para a qual, segundo interlocutores do setor, há muito potencial. Para isso, o MPA, por meio da Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura do RN (SFPA), realizou um workshop nesta segunda-feira (10) em Natal. Os esforços visam ouvir as necessidades do setor e elevar o número de cadastros do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) para que sejam pensadas políticas públicas capazes de impulsionar o segmento. Segundo o MPA, atualmente são apenas 295 pescadores no RN com RGP.
David Soares, superintendente federal de Pesca e Aquicultura do RN, pontua que os esforços são para colocar a pesca amadora e esportiva no radar do desenvolvimento. Ele afirma que está prevista para o primeiro semestre de 2026 a realização de um diagnóstico que irá mapear áreas com maior potencial. O investimento é de R$ 200 mil. “Já mapeamos possibilidades no litoral Sul, Norte e Setentrional, e também nas águas interiores. Regiões como Itajá, Apodi e Upanema também demonstram bastante potencial para a pesca esportiva”, diz.
Soares destaca que o RN possui vocações pesqueira e turística já bastante consolidadas, o que facilita a unificação das duas cadeias. “O diagnóstico previsto para o próximo ano irá servir, inclusive, para entender como se dará a geração de empregos e quantos postos de trabalho serão criados”, frisa.
Para Inácia Boechat, coordenadora de Desenvolvimento da Pesca Amadora e Esportiva do MPA, a atividade, quando bem organizada e monitorada, é uma forte aliada do desenvolvimento regional. Durante o workshop, que ocorreu na sede do Sebrae, em Natal, ela chamou a atenção para a necessidade do registro, fator que irá nortear as políticas públicas do segmento.
“Há muito mais pescadores amadores e esportivos na prática do que apontam os números referentes aos registros, que são muito pequenos. Por isso, nós entendemos que podemos ter políticas muito mais robustas se tivermos esses dados mais fiéis em mãos”, fala.
O professor e biólogo Rodrigo Costa ressalta que a iniciativa deve se converter em um número maior de registros, o que é essencial para a pesca amadora e esportiva de uma região.
“Ter a licença [RGP] é importante para mapear os locais onde os pescadores atuam e quais espécies eles capturam para que a gente possa, a partir daí, fazer um levantamento e permitir que a política pública chegue com mais incentivo à atividade”, aponta. Costa é professor titular do Departamento de Biociências da Ufersa, em Mossoró.
Alexandre Clemente, organizador do torneio Tucuna, falou que o workshop é um passo interessante para fortalecer a atividade. A segunda edição do torneio ocorreu no último final de semana em Apodi, reunindo 347 pescadores do Nordeste. “A pesca esportiva no Rio Grande do Norte vem engatinhando, mas há um potencial enorme”, detalhou Clemente.
O secretário de Pesca do RN, Guilherme Saldanha, destacou o forte potencial do estado para a modalidade e citou exemplos onde a pesca amadora e esportiva já é uma realidade com impactos positivos para o turismo.
“Nós temos aqui um clima espetacular, com grandes barragens, como a de Santa Cruz e a de Umari, e mais recentemente, a de Oiticica, ideais para a prática de uma atividade que não destrói o meio ambiente, como a pesca esportiva”, pontuou Guilherme Saldanha.







