Em destaque no maior encontro internacional sobre ciência dos oceanos, na última terça-feira (24), o Projeto Meninas no Espaço, da UFRN, tem levado a produção científica de alunas e professoras da rede pública potiguar ao cenário global. A iniciativa já impactou cerca de 11 mil estudantes no RN por meio de oficinas, jogos educativos e ações formativas que unem educação, inovação e protagonismo feminino.
Durante o evento, o Meninas no Espaço apresentou três trabalhos sobre a gamificação do projeto, inclusão da economia azul nos currículos das escolas e viabilidade econômica de ideias que podem ser levadas ao mercado, por meio de um laboratório voltado à análise de projetos com potencial de comercialização.
No evento, o projeto tem ganhado destaque pelo ensino do oceano por meio da gamificação, conforme Mariana Almeida, coordenadora do projeto e docente do Departamento de Engenharia de Produção da UFRN. “É uma novidade que eu trouxe, que é uma forma da pessoa entender o oceano. As partes do oceano, as camadas do oceano e também quais são os animais que estão em cada fase, zona do oceano”, destaca.
O Ocean Science Meeting, realizado na Escócia, é considerado o maior encontro internacional dedicado à ciência dos oceanos. O evento reúne pesquisadores, educadores e especialistas de diferentes países e discute temas como educação ambiental, oceanografia, biodiversidade marinha, preservação dos ecossistemas e os impactos das mudanças climáticas, além de estratégias para garantir a saúde e a sustentabilidade dos oceanos em escala global.
A atuação internacional do projeto também inclui articulações em outros países. Em Portugal, a equipe visitou a Diretoria-Geral de Educação, equivalente ao Ministério da Educação no Brasil, onde apresentou a iniciativa. A proposta recebeu avaliação positiva e abriu caminho para uma possível parceria entre Brasil e Portugal. A agenda inclui ainda visita à Universidade do Porto.
O impacto do projeto é ampliado pelo modelo de multiplicação do conhecimento. As aulas são realizadas com as meninas participantes, que, posteriormente, repassam os conteúdos para outros estudantes nas próprias escolas. As atividades são contabilizadas e, somadas, alcançam cerca de 10.900 pessoas, por meio de parcerias desenvolvidas ao longo do projeto. Atualmente, o Meninas no Espaço conta com a participação de 91 escolas.
“Hoje a gente tem várias meninas que terminaram o projeto, que estão na área de engenharia, de química ou de física. E eu percebo o quanto o projeto tem contribuído para que essas meninas possam ter aprofundado o conhecimento delas”, disse Mariana Almeida.
O projeto também avança no campo institucional e financeiro. A iniciativa será renovada pela Agência Espacial Brasileira, o que garantirá a ampliação do número de bolsas ao longo deste ano. Além disso, a equipe obteve aprovação em um edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), viabilizando o desenvolvimento de ações com uso de inteligência artificial e realidade aumentada. Segundo a coordenação, o novo edital será lançado inicialmente para a UFRN e, em seguida, expandido para os estudantes e professores participantes. Em julho, será publicado um novo edital que ampliará o programa para atender cerca de 200 meninas.







