Categoria:

Hospital Severino Lopes retoma internações em Natal

O Hospital Psiquiátrico Severino Lopes, em Natal, retomou, na segunda-feira (9), as internações psiquiátricas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após suspender temporariamente novas admissões entre sexta-feira e o início da semana. A paralisação ocorreu em meio ao impasse financeiro com a Prefeitura de Natal, que ainda não renovou formalmente o contrato com a instituição e acumula débitos pelos serviços prestados. Contudo, garantiu à direção da unidade que os pagamentos serão feitos e o novo contrato formalizado. A Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) limitou-se a informar que os atendimentos foram retomados, sem esclarecer sobre as condições para tanto.

“Nós retornamos aos atendimentos, mas ainda não recebemos os valores. A secretaria entrou em contato e garantiu que até sexta-feira a situação estaria resolvida. Por esse voto de confiança, retomamos”, afirmou o diretor administrativo do hospital, Eduardo de Almeida. A unidade havia bloqueado novas internações no último sábado (6) devido ao atraso no pagamento e ao vencimento do Contrato nº 012/2024, firmado com a Secretaria Municipal de Saúde, cuja vigência terminou em 10 de outubro de 2025.

Referência em atendimento psiquiátrico no Rio Grande do Norte, o hospital recebe casos graves, como surtos psicóticos, crises agudas e outras situações de urgência em saúde mental. Segundo o diretor, o hospital disponibiliza atualmente 77 leitos psiquiátricos vinculados ao atendimento municipal. Apesar da retomada das admissões, ele reforça que o contrato ainda não foi formalizado e os pagamentos seguem pendentes. “Não só o pagamento ainda não foi efetivado, como o contrato também não foi assinado novamente”, explicou.

De acordo com Almeida, desde o vencimento do contrato, os atendimentos continuam sendo prestados por meio do mecanismo de indenização administrativa, quando o serviço é realizado sem contrato formal e posteriormente submetido à análise para pagamento. Esse modelo, segundo ele, costuma prolongar o prazo de repasse dos recursos. “Cada mês a gente fecha os demonstrativos de atendimentos e abre um processo administrativo. Esses valores demoram muito mais para serem pagos. Já são cinco meses sem receber nada”, disse.

A situação financeira levou a instituição a adotar a suspensão temporária de novas internações como forma de alertar para a gravidade do cenário. A direção afirma que o hospital chegou a enfrentar dificuldades para cumprir compromissos básicos, como o pagamento da folha salarial. “Nós tivemos que fazer empréstimo para conseguir pagar a folha. Chegamos a um ponto em que não conseguíamos mais passar outro mês nessa situação”, relatou o diretor.

Ele ressalta que a medida não teve caráter de pressão política, mas foi motivada pela dificuldade de manter o funcionamento do hospital. “Não foi represália nem arma contra a prefeitura. Foi uma situação existencial da instituição, com risco de fechar”, afirmou.

Durante o período de suspensão, pacientes que aguardavam internação psiquiátrica permaneceram em unidades da rede pública. Durante o último fim de semana, 19 pessoas com necessidade de internação psiquiátrica ficaram à espera de encaminhamento, distribuídas entre as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Esperança, Potengi e Satélite, além do Hospital Psiquiátrico Dr. João Machado e do Hospital dos Pescadores – Hospesc.

Naquele momento, a SMS se pronunciou e informou à imprensa que os atendimentos nos serviços seguiam estáveis. Nas UPAs, os pacientes são acolhidos e só podem ser transferidos após a estabilização (que pode levar entre 12 e 24 horas, dependendo do caso). Após regulado, caso necessite de internação clínica psicossocial, é direcionado para a rede municipal ou para leitos contratualizados, como no caso do Complexo Prof. Severino Lopes, ou leitos de abrangência pactuados junto ao Estado.

Link da fonte

Posts Recentes
Formulário

Quer receber noticias ?

Preencha com seu E-mail, WhatsApp e vamos te enviar novidades

Compartilhe nas redes sociais

Artigo relacionados