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Hackathon internacional discute em Natal soluções para a Saúde com pesquisadores de 36 países



17h22

O futuro da saúde já começou foi o tema da palestra de Carlos Alberto Oliveira, na abertura do evento. Foto: Beethoven Padilha

Mais de 14 mil pesquisadores de 36 países participam, neste fim de semana, do HSIL Hackathon 2026, iniciativa da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, com foco no uso da inteligência artificial para construção de sistemas de saúde de alto valor. No Brasil, o evento ocorre em três cidades, sendo Natal a única sede nas regiões Norte e Nordeste.

No Rio Grande do Norte, a programação é coordenada pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que atua como hub da Escola de Saúde de Harvard. Além do LAIS, a Fundação Getulio Vargas (FGV) também integra a rede brasileira do projeto.

Em Natal, o hackathon reúne representantes de órgãos públicos, instituições de ensino e empresas, como Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria-Geral da União (CGU), secretarias estaduais de saúde, Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e universidades federais, além de estudantes das áreas de tecnologia e saúde.

Estudantes da UFSE viajaram por 16 horas para participar do HSI 2026. Foto: Beethoven Padilha

Divididos em 11 equipes, os participantes têm o desafio de desenvolver soluções para problemas reais do Sistema Único de Saúde (SUS), com o uso de inteligência artificial voltado à melhoria do acesso, da gestão e da qualidade dos serviços. Segundo o pesquisador do LAIS, Ricardo Valentim, a proposta do evento é utilizar a tecnologia como ferramenta de apoio. “A inteligência artificial não é o fim, mas um meio para melhorar a qualidade dos serviços de saúde, com o cidadão no centro da inovação”, afirmou.

Entre os desafios apontados está a redução das filas para procedimentos de maior complexidade no SUS. Valentim destacou ainda que iniciativas semelhantes já resultaram em projetos consolidados, como o Ambiente Virtual de Aprendizagem do SUS (AVASUS), criado a partir de um hackathon e atualmente uma das maiores plataformas de educação em saúde do mundo.

Durante o evento, os participantes também acompanham palestras com apresentação de experiências em saúde digital. Entre os exemplos discutidos está o Regula RN, sistema desenvolvido durante a pandemia de covid-19 para gerenciamento de leitos hospitalares no estado. Outro tema abordado foi a transformação digital na saúde pública brasileira.

Estudantes desenvolvem soluções para filas no SUS

Entre os participantes, um grupo de estudantes da Universidade Federal de Sergipe percorreu cerca de 16 horas até Natal para participar da competição. A equipe é formada por alunos dos cursos de Ciência da Computação e Relações Internacionais.

O grupo desenvolve uma ferramenta voltada à explicabilidade em diagnósticos médicos, com o objetivo de auxiliar profissionais de saúde na tomada de decisão clínica. “A proposta é oferecer mais agilidade e qualidade nos diagnósticos, contribuindo para a redução das filas, especialmente em serviços de urgência”, explicou a estudante Yasmim Brito.

Os participantes destacam ainda o compromisso em aplicar o conhecimento adquirido na universidade em benefício da sociedade. “Existe um investimento público na nossa formação e queremos retornar isso com soluções que façam diferença”, disse o estudante Gabriel Lima.

Ao final da etapa local, uma equipe será selecionada por avaliadores nacionais e internacionais para avançar às próximas fases da competição, que incluem etapas de aprimoramento até a apresentação final para investidores na Escola de Saúde de Harvard.

Debates abordam futuro da saúde digital

Ricardo Valentim, pesquisador do LAIS. Foto: Beethoven Padilha

A programação em Natal inclui ainda discussões sobre o uso de tecnologias emergentes na área da saúde. Em palestra, o diretor do Instituto Multidisciplinar de Formação Humana com Tecnologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Carlos Alberto Oliveira, apresentou experiências internacionais no uso de inteligência artificial.

Segundo ele, países como a China têm avançado na implementação de sistemas integrados de atendimento, com prontuários eletrônicos e monitoramento remoto de pacientes. “São modelos que permitem acompanhar o paciente mesmo após a alta hospitalar, reduzindo custos e a sobrecarga nas unidades de saúde”, afirmou.

A expectativa, segundo os organizadores, é que iniciativas semelhantes avancem no Brasil nos próximos anos. Um dos projetos em discussão prevê a implantação de um hospital inteligente no Hospital das Clínicas de São Paulo, a partir de cooperação internacional na área de inovação em saúde.

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