Uma empresa de Natal registrou um prejuízo de cerca de R$ 288 mil nos primeiros meses deste ano em virtude de roubos e furtos de motos locadas por trabalhadores de aplicativos. Ao todo, foram 16 ocorrências, sendo 13 roubos e três furtos realizados contra motoboys. De acordo com o escritório Freire Pignataro Advogados, responsável por representar a empresa, a situação tem sido recorrente e o segmento de locação busca uma resposta efetiva das forças de segurança pública do Estado.
A advogada Anna Raves, do escritório Freire Pignataro Advogados, aponta que neste ano foi observado um aumento dos casos envolvendo roubos de motos em Natal, com destaque para casos de desmanches dos veículos. Apenas na última semana, 10 veículos da empresa Moto Locação foram alvos, dos quais seis foram recuperados.
De acordo com a advogada, o cenário gera traumas para os trabalhadores e custos que precisam ser absorvidos pelas empresas, uma vez que os motoboys pagam pelo aluguel do veículo. “É uma situação que prejudica tanto o trabalhador quanto a própria empresa, que precisa absorver o custo desse prejuízo para não prejudicar seu faturamento”, completa.
Segundo Anna Raves, embora o escritório busque uma comunicação junto aos órgãos públicos, uma resposta efetiva ainda não foi alcançada. “A gente tem um pouco de dificuldade de comunicação com os órgãos públicos. É uma situação que é morosa e mais lenta.
Precisamos de uma resposta rápida e essa resposta rápida não vem. Quanto mais lento e moroso, mais a impunidade é estimulada”, aponta.
A advogada esclarece que nenhum ofício oficial foi encaminhado ao Governo do Estado, mas o escritório mantém comunicação junto às delegacias. “Quando as motos são apreendidas, precisamos solicitar a liberação, protocolar um pedido, justificar para o delegado, explicar qual é a situação e, a depender do caso, a moto é liberada. Em alguns casos, se ela fizer parte da investigação, a moto sequer é liberada”, esclarece.
Para tentar alertar as forças de segurança sobre a situação no Rio Grande do Norte, o escritório divulgou um texto denunciando casos recorrentes de roubos de motos de locação. No texto, o escritório cobra respostas da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte (Sesed/RN), da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Governo do Estado do RN.
Insegurança e prejuízos
O presidente da Associação de Trabalhadores de Aplicativos por Moto e Bike (Atamb/RN), Alexandre da Silva, aponta que a entidade tem recebido relatos de trabalhadores que tiveram veículos locados roubados, mas a maior parte dos casos é dos que perderam veículos próprios. As ocorrências geralmente são registradas durante a noite e a madrugada em regiões periféricas dos bairros de Cidade Nova, Planalto, Felipe Camarão, Mãe Luíza e Bom Pastor.
De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte (Sesed/RN), cedidos à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, foram registrados 117 furtos e 97 roubos de moto apenas no primeiro bimestre deste ano em todo o Estado. Apesar disso, os dados representam uma redução de, respectivamente, 39,7% e 40,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O levantamento é de casos gerais, sem recorte de ocorrência envolvendo veículos de locação ou de propriedade de trabalhadores por aplicativo.
Alexandre da Silva reconhece que a situação já foi mais grave, mas segue prejudicando a categoria. “Aqui em Natal, [os furtos e roubos] diminuíram bastante, pois tivemos momentos em que tivemos até que fazer paralisação por causa da situação de índice de assalto que estava imenso, principalmente no Satélite, onde tem muitos assaltos. Infelizmente, quando acontece essa situação, pega a turma desprevenida, pois não conseguimos nos sobressair ou ter um dinheiro guardado para alugar um veículo automaticamente”, relata.
Atualmente, o presidente aponta que a Atamb/RN tem orientado os trabalhadores a sempre manterem o pagamento da contribuição do Microempreendedor Individual (MEI) em dia, a fim de ter um seguro em casos de acidentes, e buscarem pagar um seguro para a moto.
“Não temos uma segurança para a sociedade e, principalmente, para os trabalhadores que atuam na mobilidade da cidade, tanto de passageiros quanto de entregas. Já fizemos várias reuniões com o Ministério do Trabalho buscando iniciativas públicas para termos uma maior segurança, mas infelizmente ainda não temos”, ressalta.
A reportagem da Tribuna do Norte procurou a Sesed/RN para uma resposta sobre os casos envolvendo furtos e roubos em Natal. Em resposta, a pasta orientou buscar um posicionamento da Polícia Militar e da Polícia Civil do Rio Grande do Norte. As duas corporações foram procuradas, mas não retornaram até o fechamento desta edição.








