O Rio Grande do Norte sedia, entre os dias 6 e 8 de maio de 2025, a primeira edição da Expo Minera Nordeste, evento que marca um momento estratégico para o setor mineral na região. Realizada no Centro de Convenções de Natal, a feira deve reunir cerca de mil participantes e contará com aproximadamente 30 expositores, entre mineradoras, projetos em operação, instituições públicas e privadas, além de startups e organizações do terceiro setor.
Além da área de exposição aberta ao público, a programação inclui painéis temáticos sobre geologia, políticas públicas, gestão, sustentabilidade, transição energética e inovação, com foco no futuro da mineração no Nordeste. Para Caio Fernandes, engenheiro de minas e presidente da comissão organizadora da Expo Minera, o evento representa uma virada de chave para o fortalecimento da cadeia mineral nordestina.
“A mineração sempre foi uma das forças motrizes da economia do Rio Grande do Norte, especialmente na região do Seridó. Agora vivemos um momento de expansão, ainda não é o auge, mas temos uma expectativa muito positiva para o setor”, afirmou Caio.
O presidente da comissão explicou que a mineração sempre teve papel importante na economia potiguar, com destaque para a região do Seridó. Segundo ele, embora o setor enfrente oscilações históricas por fatores como o preço do dólar e conjunturas internacionais, o momento atual é de expansão.
Atualmente, o Rio Grande do Norte ocupa a 21ª posição no ranking nacional da mineração, mas conta com reservas estratégicas de scheelita, ferro e ouro — este último com destaque para os projetos em operação em Currais Novos, Tangará e Serra Caiada. Segundo Caio, a consolidação desses empreendimentos tende a atrair investimentos estrangeiros e pode alavancar o Estado no cenário nacional.
Ele avalia que o Rio Grande do Norte ainda não atingiu seu auge, mas já apresenta indicadores positivos que podem consolidar sua posição no cenário nacional. “Estamos entre os dez estados com as maiores reservas de minério de ferro do Brasil. E na mineração, cada avanço, por menor que pareça, representa um impacto econômico significativo”, disse.
Desafios estruturais e qualificação
Apesar do potencial mineral, o desenvolvimento da atividade enfrenta desafios, especialmente nos estados nordestinos menos consolidados no setor. A infraestrutura logística, como estradas e acesso a portos, ainda é limitada, o que encarece o escoamento da produção e dificulta a competitividade frente a regiões como o Sudeste e o Centro-Oeste.
Fernandes aponta que a falta de infraestrutura viária e a distância dos portos encarecem a produção e dificultam a competitividade. Ele menciona o caso da província mineral de Carajás, no Pará, que mesmo tendo começado sem estrutura, atraiu grandes investimentos devido à qualidade geológica dos minérios, o que reduz significativamente os custos de extração.
“A mineração tende a crescer onde há mais facilidade logística. O Pará, por exemplo, começou sem estrutura, mas possui o minério de ferro de melhor qualidade do mundo. Isso barateia a extração e justifica investimentos agressivos. No Nordeste, os depósitos exigem mais engenharia e infraestrutura para se tornarem viáveis economicamente”, explica Caio Fernandes.
Outro gargalo apontado por Caio é a falta de qualificação técnica, tanto no setor privado quanto nos órgãos públicos responsáveis por processos como o licenciamento ambiental.“É essencial que o licenciamento ambiental seja feito com profundidade e responsabilidade, mas para isso é necessário que os profissionais compreendam a atividade mineral. O Idema tem buscado corrigir essa defasagem, inclusive abrindo vagas específicas para a área mineral em seu concurso público”, destacou.








