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Batuque Ancestral vence pela primeira vez o Carnaval

Cláudio Oliveira
Repórter

A escola de samba Batuque Ancestral fez história e conquistou, pela primeira vez, o título de campeã do carnaval de Natal e receberá um prêmio de R$ 60 mil. Recém-promovida do grupo de acesso, a agremiação foi a primeira a desfilar na avenida no último sábado e alcançou o topo da Série A com um enredo de forte identidade afrocentrada. A escola perdeu apenas um décimo na comissão de frente e dois décimos na bateria, terminando com 99,7 pontos. A apuração ocorreu nesta quarta-feira (25), na sede da Fundação Capitania das Artes (Funcarte).

Fundada em 2018, a agremiação apresentou o tema “Kemet: afrocentricidade e conhecimento, batuque é luta contra o apagamento”, destacando o legado do Egito Negro como berço de saberes que influenciaram a filosofia, a medicina e a ciência ocidentais. O desfile garantiu o título inédito após uma trajetória marcada por idas e vindas entre os grupos. “A gente subiu em 2020, mas não conseguiu se manter e voltou para a chave B. Agora é a primeira vez que conquistamos o título. Nosso tema conta o que a história não conta sobre a negritude do Egito”, afirmou a diretora da Batuque Ancestral, Jamila Halhanna.

No grupo de acesso, a campeã foi a Imperatriz Alecrinense, que retorna à elite do carnaval em 2027. A escola venceu com 98,2 pontos ao homenagear o músico potiguar Carlos Zens, no enredo “O majestoso encantador da cultura potiguar”. A apresentação contou com 14 alas, 13 carros alegóricos e cerca de 450 integrantes, rendendo à agremiação um prêmio de R$ 45 mil. “Nossa escola está completando 40 anos e trazer Carlos Zens como samba-enredo foi uma forma de brindar essa história com mais um título”, destacou Darlielson Barbosa, diretor e mestre-sala da Imperatriz. O homenageado celebrou a conquista: “Me sinto muito honrado. A comunidade merecia e foi emocionante acompanhar todo o processo”.

A apuração também teve um momento histórico negativo para o carnaval da capital potiguar. As duas escolas mais tradicionais da cidade, Malandros do Samba e Balanço do Morro, foram rebaixadas para o grupo de acesso. A escola Malandros do Samba foi previamente desclassificada após um recurso apresentado pela Balanço do Morro ser aceito pela comissão da Funcarte. A Balanço do Morro apontou que houve o uso de fantasias e alegorias de anos anteriores e de uma quadrilha junina, em desacordo com o regulamento.

Dessa forma, mesmo com a pontuação que a colocaria em segundo lugar, com 98,9 pontos, a Malandros do Samba foi penalizada e acabou automaticamente rebaixada para o grupo de acesso. “O regulamento foi mudado pouco antes do carnaval, depois que a gente anunciou o nosso tema e não foi para a evolução do carnaval, mudou para prejudicar a atual campeã. Cabe ao nosso setor jurídico entrar com recurso e reverter a situação”, afirmou o mestre de bateria da Malandros, Hugo Monarco.

Já a autora do recurso terminou a apuração com a menor pontuação entre as escolas da Série A: 96,4, prejudicada em alegorias/adereços e evolução. A escola havia levado para a avenida um enredo celebrando seus 60 anos de fundação e buscava o 29º título da história.

Segundo a Funcarte, o desfile dela foi comprometido por acidentes envolvendo carros alegóricos, o que impactou diretamente as notas. “É a primeira vez que um caso grave como esse acontece e uma escola é desclassificada previamente. O regulamento foi construído junto com as escolas e vem sendo cumprido. E na apuração, a última escola desce, e foi a Balanço do Morro, que teve um desfile comprometido por conta de acidentes de seus carros alegóricos”, explicou a diretora da Funcarte, Danielle Brito.

Neste contexto, a Império do Vale, única escola fora da capital, representante da cidade de Ceará-Mirim, conquistou o segundo lugar com 98,2 pontos e um prêmio de R$ 45 mil. A escola homenageou a educadora e ex-vereadora Leonor Soares.

Já a Águia Dourada, do bairro do Alecrim, desfilou com um enredo sobre as diferentes visões da morte nas sociedades e ficou em 3º lugar com 97,9 pontos e prêmio de R$ 30 mil. Por fim, a Acadêmicos de Morro, do bairro de Mãe Luíza, conquistou a quarta premiação: R$ 15 mil. Na avenida, a agremiação retratou o sertão potiguar pela história do município de Messias Targino, “O diamante da Cultura Potiguar”.

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