O terreno onde está localizado o Baobá do Poeta, no bairro de Lagoa Seca, em Natal, vai ganhar um centro cultural com um projeto que poderá contemplar um memorial para contar a história da árvore centenária e de sua relação com o livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Em maio do ano passado, a queda de um galho do baobá revelou uma cavidade interna extensa, com acúmulo de matéria orgânica, umidade e presença de fungos na planta. Atualmente, a árvore passa por testes para definir o tratamento mais eficaz no combate aos três tipos de fungos identificados.
No final do ano passado, foi iniciada uma poda no Baobá do Poeta, que resultou na redução da copa para aproximadamente 6 metros por causa dos episódios de instabilidade estrutural registrados anteriormente. O projeto do centro cultural está a cargo do arquiteto Felipe Bezerra. De acordo com ele, os detalhes devem ser apresentados em 90 dias. O terreno onde a árvore está localizada possui área de 678 metros quadrados e pertence atualmente à Empresa Vila.
“Estou recebendo o material com as informações sobre a topografia do terreno e pretendo apresentar esse projeto nos próximos 90 dias. A ideia é ter um centro cultural que abrace a árvore”, explicou Bezerra. Segundo o arquiteto, ainda não há previsão de recursos para o projeto, algo que dependerá da Empresa Vila. “A gente quer desenhar um memorial que ficará como um espaço que vai contar a história do Baobá, de sua relação com o livro O Pequeno Príncipe e de todo o acervo que o professor Diógenes da Cunha Lima [proprietário da árvore centenária] tem em torno dessa temática.”
Diógenes adquiriu o terreno do baobá em 1991 para preservar o espaço, que corria o risco de virar um prédio residencial. Segundo ele, o Baobá do Poeta foi a inspiração para o escritor Saint-Exupéry escrever O Pequeno Príncipe. Também aviador, o francês teria passado por Natal em 1939 a caminho da Argentina. Nessa passagem, o escritor ficou maravilhado com o baobá, retratando-o no livro publicado em 1943. Outras evidências que ganham corpo na teoria são o fato de que desenhos de dunas, falésias e um vulcão fazem parte da obra de Saint-Exupéry.
A Empresa Vila, a quem pertence agora o terreno onde o baobá finca raízes, afirmou que a aquisição da área teve como razão a transformação dela em um centro cultural, mas afirmou que a prioridade é o tratamento da planta. “O foco está integralmente direcionado ao tratamento e à recuperação da árvore. Somente após a conclusão dessa etapa será anunciado o projeto definitivo para o local, que poderá se consolidar como um memorial ou outro formato voltado ao resgate da história e da importância simbólica do baobá”, disse Renato Campos, gerente-executivo de Operações da Empresa Vila.
“O que já está definido é que o espaço será preservado, o baobá recuperado e Natal ganhará um novo ponto de visitação cultural e histórica”, acrescentou. De acordo com Campos, o manejo da árvore inclui monitoramento estrutural, avaliações fitossanitárias periódicas e aplicação controlada de técnicas de recuperação, para priorizar a preservação da planta e a segurança do entorno.
Os próximos passos, segundo ele, envolvem a continuidade dos tratamentos, seguida de avaliações técnicas para mensurar os resultados obtidos. “A partir dessas análises, serão ajustadas as intervenções necessárias para assegurar a plena recuperação do baobá. Cabe destacar que a árvore já se encontra completamente florida, o que indica uma resposta positiva às intervenções realizadas até o momento e reforça que o manejo adotado foi essencial para conter os fungos e prevenir novas quedas.”








