Uma intervenção emergencial da Caern (Companhia de Águas e Esgotos do RN) tem gerado impactos no trânsito na Praia de Ponta Negra, um dos principais cartões-postais de Natal. A partir das 7h desta terça-feira (29), um trecho de 30 metros da Avenida Erivan França, na altura do letreiro “Natal”, foi interditado para obras de substituição de uma rede coletora de esgoto.
Segundo a companhia, a medida é necessária por conta de um afundamento da tubulação. A intervenção inclui a troca de uma rede de 300 milímetros e dos ramais de esgoto dos imóveis do trecho afetado. A previsão é de que os serviços sejam concluídos em até 10 dias, com liberação da via até às 17h do dia 7 de agosto — uma estimativa que depende de variáveis como o lençol freático e a ação das marés, que exigem rebaixamento adicional do solo.
Após a conclusão da obra, é responsabilidade da CAERN realizar a devida recomposição do pavimento, cobrindo as crateras deixadas na via.
Conforme a Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU), somente o sentido à direita da via — no trecho que leva ao Morro do Careca — continuará liberado para o trânsito. Já os moradores da rua Roberto Freire, localizada antes da área interditada, deverão seguir pela via no sentido inverso, seguindo a operação “Pare e Siga”, que esstá sendo monitorada por agentes de mobilidade tanto na saída quanto no retorno às residências. A operação “Pare e Siga” é um procedimento de controle de tráfego que alterna o fluxo de veículos em um sentido de cada vez.
Em nota, a Caern reiterou que a permanência da STTU até o fim da obra: “Durante todo o trabalho da Caern, agentes da STTU estarão no local realizando manobras necessárias para fluidez do trânsito, uma vez que este trecho da via ficará interditada durante todo o período da obra”, diz a instituição.
Comerciantes relatam que as mudanças no trânsito dificultam a chegada de clientes. “A gente foi pego de surpresa por essa obra, fiquei sabendo ontem à noite. Por enquanto o movimento está normal de uma terça-feira, mas ao longo da semana é incerto”, afirmou Eduardo Santana, gerente do restaurante Pérola, que depende principalmente do turismo para manter o faturamento. Segundo ele, 90% dos clientes do estabelecimento são turistas.
Para os trabalhadores que atuam diretamente na orla, o impacto da obra é imediato. Simone Medeiros, vendedora de roupas autônoma, foi direta: “Está atrapalhando nossas vendas. O turista não desce, quando ele vê a obra, sobe. O movimento aqui caiu 80% de circulação de pessoas”. A frustração se repete em outros pontos do comércio.
Na loja de artesanatos Arte Potiguar, localizada exatamente em frente à intervenção, a expectativa também é de queda nas vendas. “Acho que vai interferir no orçamento do final do mês. Recebemos muitos turistas”, afirmou Ivy Tomás, funcionária da loja.
Entre os trabalhadores antigos da orla, o sentimento é ambivalente. Welbly Elegante, com 40 anos de atuação na área — sendo os últimos 15 no restaurante Casa do Cangaço — reconhece os transtornos, mas defende a necessidade da obra. “Ainda bem que estão fazendo isso. Quando os clientes estavam comendo subia um mau cheiro de esgoto”, afirmou.
Já entre os turistas, as impressões variam. Tania e Anderson Dantas, vindos de Cuiabá, dizem que a obra não atrapalha diretamente o passeio, mas admitem o desconforto visual: “Fica feio”, diz Tania. Alexandre Sena, do Rio de Janeiro, que visita Ponta Negra pela primeira vez, relativiza: “Para mim não atrapalhou, acho que faz parte”.








