O atleta potiguar Pedro Rafael, de 28 anos, passou por várias escolinhas de futsal durante a infância. Aos quatro anos, quando ainda não conhecia a modalidade, já nutria a paixão por jogar bola com o pai. A brincadeira foi ganhando outra dimensão quando ele passou a competir no esporte e, em 2019, conquistou sua primeira medalha. Quase três anos depois, jogando pela seleção brasileira, conquistou o bicampeonato mundial de futsal Down.
O atleta está incluído no nível 1 de suporte do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e, há seis anos, foi diagnosticado com a Síndrome de Bardet-Biedl, caracterizada por afetar diferentes sistemas do corpo. Os reflexos da condição podem variar, mas estão entre os principais o desenvolvimento da obesidade, deficiência intelectual e o comprometimento da visão.
Os diagnósticos de Pedro Rafael foram tardios, após muitas idas e vindas da família em busca de um diagnóstico, mas isso não impediu o jovem de ocupar os espaços que almeja no esporte. Nesta quinta-feira (2), Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, a história dele reforça a importância do incentivo e acolhimento para pessoas com TEA.
Além do futsal, em que joga na posição de pivô fixo, o atleta participa de competições na natação desde a adolescência. Atualmente, já coleciona 190 medalhas conquistadas em ambas as modalidades. Quando está em campo, especialmente, a emoção é sempre a mesma: “Eu me sinto leve e feliz”, compartilha.
Neste mês, Pedro Rafael começou a treinar para participar do 1º Festival de Futebol PCD – 2026, em Natal, voltado para pessoas com síndrome de Down, autismo e deficiência intelectual. O evento vai ser sediado na Arena Golden e traz como propósito central estimular a inclusão e o respeito na modalidade.
Enquanto divide a rotina entre treinos, terapias e momentos de lazer com a família, ele fortalece outros sonhos: “Quero ser campeão mundial de novo”, compartilha o atleta, que vê na família e nos seus amigos a principal rede de apoio para continuar no futsal.
Uma das pessoas com quem mais gosta de jogar é o irmão, Phablo Robson, um dos seus principais incentivadores, que também está no espectro do TEA. O suporte é tanto que, quando perguntado sobre os desafios da rotina, ele afirma com certeza: “Não [tenho]. É tudo muito legal”.
Lutas e celebrações de famílias atípicas
O pai de Pedro Rafael, Rui Ferreira da Silva, de 51 anos, acompanha o atleta e o irmão em cada uma das atividades que os dois se propõem a realizar. Ele reconhece que a paternidade atípica é desafiadora, mas também repleta de momentos de celebração. “No início é desafiador para a família, mas estamos superando. O Pedro se supera a cada dia, assim como o Phablo. Eu fico muito feliz por ser pai deles. Tanto eu como minha esposa [Rute] nos entregamos de corpo e alma”, compartilha.
Nos 28 anos de Pedro Rafael, já foram muitas conquistas alcançadas, dentro e fora de campo. O pai destaca que um marco importante foi o fechamento do diagnóstico do filho, em 2020, quando foi identificada a Síndrome de Bardet-Biedl. Antes disso, ele relata que as investigações apontavam apenas para o autismo, além da síndrome de Down.
Segundo Rui Ferreira da Silva, o jovem começou a manifestar, desde cedo, algumas características neuroatípicas, incluindo a dificuldade com a fala. Por conta disso, passou a ter acompanhamento com fonoaudiólogos e outros profissionais especializados. “Ele tem psicólogo e fonoaudiólogo porque tem dificuldade para conversar. Toda a especialidade que os médicos pedem, nós buscamos”, relata.
Atualmente, ele relata que Pedro Rafael também tem aulas com uma professora de reforço, pois concluiu a educação básica, mas não conseguiu se alfabetizar. Sobre a paixão do filho pelo futsal, fala com orgulho: “Ele ama o futebol. O dia todo só fala em jogo. Então ele realmente gosta muito. Desde os quatro anos, não para de treinar e se aperfeiçoou muito bem no jogo”.








