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22h44

O mês de abril é marcado pela campanha Abril Marrom, voltada à conscientização sobre a prevenção da cegueira e a importância do diagnóstico precoce de doenças oculares. A iniciativa busca alertar a população de que grande parte das causas de perda visual pode ser evitada ou tratada quando identificada a tempo.
De acordo com o oftalmologista Valério Florêncio, muitas doenças oculares evoluem de forma silenciosa, o que reforça a necessidade de consultas regulares, mesmo na ausência de sintomas.
Entre as principais causas de cegueira estão a catarata, o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), a retinopatia diabética e, em casos mais avançados, o ceratocone. “Dentre essas condições, a catarata é totalmente tratável por meio de cirurgia, enquanto doenças como glaucoma e retinopatia diabética podem ser controladas, desde que diagnosticadas precocemente. Já a DMRI, embora tenha opções de tratamento, está mais associada a fatores como envelhecimento e predisposição genética”, explica.
Um dos principais desafios no combate à cegueira é o diagnóstico tardio. Isso ocorre porque muitas dessas doenças não apresentam sintomas nas fases iniciais. O glaucoma, por exemplo, compromete gradualmente a visão periférica sem que o paciente perceba. Da mesma forma, a retinopatia diabética pode evoluir silenciosamente até estágios mais avançados.
A recomendação é que adultos realizem avaliação oftalmológica periódica, mesmo sem apresentar queixas.
“Em geral, consultas a cada um ou dois anos são indicadas para pessoas sem fatores de risco. A partir dos 40 anos, o acompanhamento anual torna-se ainda mais importante. Já pacientes com doenças sistêmicas, como diabetes e hipertensão, devem manter controle mais rigoroso”, orienta o especialista.
Além das consultas regulares, hábitos simples no dia a dia contribuem para a saúde ocular. O uso de óculos com proteção ultravioleta, pausas durante o uso prolongado de telas, controle de doenças sistêmicas, alimentação equilibrada e cuidados com lentes de contato estão entre as principais recomendações.
Evitar coçar os olhos também é essencial, especialmente pela relação com o desenvolvimento e a progressão do ceratocone.
Automedicação pode causar doenças
Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de colírios. A automedicação, especialmente com produtos que contêm corticoides, pode trazer riscos importantes à visão.
Entre as possíveis complicações estão o aumento da pressão intraocular — que pode levar ao glaucoma —, o desenvolvimento de catarata precoce, além do mascaramento de infecções oculares e atraso na cicatrização.
O uso de colírios exige atenção e responsabilidade, já que esses produtos são medicamentos e devem ser utilizados apenas com prescrição médica. “A orientação é clara: colírios são medicamentos e devem ser utilizados apenas com prescrição médica”, destaca Valério Florêncio.
A automedicação pode mascarar sintomas, agravar problemas oculares e provocar efeitos adversos, como aumento da pressão intraocular e risco de doenças mais graves. Por isso, qualquer tratamento deve ser orientado por um oftalmologista.
A campanha Abril Marrom reforça que cuidar da visão é também cuidar da qualidade de vida. O diagnóstico precoce e a prevenção continuam sendo as principais ferramentas para reduzir os índices de cegueira evitável na população.








