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A babá quase imperfeita – Tribuna do Norte

Alex Medeiros
@alexmedeiros1959

Fevereiro de 1976. O Brasil ainda respirava o ar da vigilância do governo militar e estatizante, mas às 19h a sala de estar das famílias se convertia em território de suspiros, maldades e redenções. Foi quando a novela Anjo Mau estreou na TV Globo, trazendo para o horário do jantar uma protagonista loira que não pedia licença para ser ambiciosa e usar o poder de sedução como arma.

Criada por Cassiano Gabus Mendes e dirigida por Fábio Sabag e Régis Cardoso, a trama marcava a chegada definitiva de Cassiano à emissora carioca. Ele vinha da ousadia urbana de Beto Rockfeller, sucesso na TV Tupi que, em 1968, havia implodido o modelo solene das novelas e colocado gírias, ironias e um anti-herói de sapatos gastos no centro da narrativa.

Quase uma década depois, lá estava ele oferecendo ao respeitável público uma anti-heroína: Nice. Interpretada por Susana Vieira, era uma babá, mas não era santa. Calculista, determinada, se utilizava de ingenuidade dissimulada.

A personagem parecia traduzir, em modo melodramático, as inquietações de uma década em que as mulheres ocupavam mais espaço no mercado de trabalho e também nas páginas das revistas femininas, que eram dezenas.

Susana recebia no primeiro papel protagonista um presente após o sucesso como Cândida na novela Escalada. A força da interpretação era tamanha que a atriz contaria, anos depois, ter quase sofrido agressão física de uma vizinha.

No núcleo masculino, houve a estreia de Luís Gustavo na Globo, seis anos após ter sido o rosto-título de Beto Rockfeller, uma verdadeira revolução na história das telenovelas brasileiras. Repetiu a dose em Elas Por Elas (1982).

No papel de Ricardo, filho de Edmundo Medeiros (Francisco Moreno), irmão de Rodrigo (José Wilker) e Stela (Pepita Rodrigues), era um cara que fugia do escritório para jogar tênis e curtir a praia; uma juventude solar e esportiva.

Ele apaixonava-se por Paula (Vera Gimenez), noiva do próprio irmão, compondo o tabuleiro moral que Cassiano tão bem sabia movimentar, como faria pelos anos afora nas clássicas novelas que marcaram as noites globais.

Mas nenhum elemento atravessou tanto as janelas abertas de 1976 quanto a canção-tema de Rodrigo: “Meu Mundo e Nada Mais”, de Guilherme Arantes. A música tornou-se fenômeno radiofônico e sentimental. E ergueu o compositor.

Tocava nas rádios, nos programas de auditório, ecoava nos toca-discos, embalava paíxões adolescentes e desilusões adultas. Num país de censuras e silêncios, a balada romântica parecia oferecer um espaço íntimo de catarse.

A novela ajudou a música; a música ampliou a novela. Era uma simbiose típica da engrenagem cultural da TV Globo nos anos 1970. Aliás, na década seguinte, a novela voltou num compacto, no especial de 15 anos da Globo.

Em 1981, reapareceu nas manhãs do programa TV Mulher, onde as questões femininas e feministas eram debatidas por Marília Gabriela, Xênia Bier, Marta Suplicy e Ala Szerman. A novela mantendo a babá Nice na crista da onda.

As artimanhas e seduções do papel de Suzana Vieira inseridas nas discussões sobre amor, trabalho, casamento, filhos e independência das mulheres, numa TV que começava a dialogar mais explicitamente com as pautas femininas.

Meio século depois, Anjo Mau permanece um retrato de um Brasil que aprendia a negociar desejos sob a superfície da ordem. Nice não era apenas vilã ou vítima; era síntese de uma sociedade que começava a questionar papéis fixos.

Exportada para mais de 20 países, da França à Nicarágua, da Nigéria à Rússia, a trama de Cassiano Gabus Mendes inspirou em 1986 a novela chilena Ángel Malo, com Nice em sotaque universal. Tem capítulos em castelhano no YouTube e a original está disponível na GloboPlay e no aplicativo UniTV.

Terra arrasada
Com o rombo de R$ 3 bilhões nas contas do RN, estampado nas páginas do jornal Estadão, o governo do PT assume o ranking da tragédia como a pior gestão de todos os tempos, superando os desastres administrativos anteriores.

Guerra
O gigantesco aparato bélico que Donald Trump mandou para as águas do Oriente Médio estimulou o povo do Irã a reagir ao violento e decadente regime teocrático dos aiatolás. Multidões estão nas ruas gritando “Morte a Khamenei”.

Reação
De Elon Musk: “Houve um ódio implacável e propaganda venenosa no Ocidente contra qualquer pessoa branca, heterossexual e do sexo masculino na última década. Isso foi longe demais. Chega de manipulação emocional”.

Frescura
Cadê as feministas (de preferência fêmeas) para discutirem e protestarem à exaustão a tragédia de 4 mulheres assassinadas por dia no Brasil, enquanto a mídia há 4 dias só fala na influencer Virgínia e na Ana Paula do Big Brother?

Água
O governo da Paraíba marcou para 31 de março, na sede da Bolsa de Valores de SP, o leilão de um contrato de parceria público-privada de R$ 3 bilhões onde coloca seu sistema de saneamento, a Cagepa, sob gestão privada.

Povo
O establishment e a mídia permanecem na falsa matemática da folia, sem ver que a maioria absoluta dos brasileiros não brinca carnaval. É só fazer as contas da rua, que comparada aos templos e igrejas reúne menos almas.

Almas
Todos os anos, desde a última marchinha nos anos 60, as religiões concentram cultos em suas centenas de milhares de locais durante o carnaval. Esse ano, os evangélicos juntaram milhões e apenas um padre fez missa para 1 milhão.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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