Redação Tribuna do Norte
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18h39
Desde 2022, tem sido frequente a notificação por intoxicação por ciguatera após consumo de pescado em pessoas no Rio Grande do Norte. Do primeiro registro de surto, há quatro anos, até hoje foram 115 casos confirmados, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). O maior volume de registros ocorreu no ano passado, quando foram apontados 90 casos no estado. Diante disso, a Sesap preparou uma nota técnica e emitiu orientações à população em janeiro deste ano.
Orientações específicas
À POPULAÇÃO
- Procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas;
- Sempre que possível, identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária;
- Evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por Ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida.
À COMUNIDADE DE PESCADORES
- Evitar a captura e comercialização das espécies associadas à Ciguatera durante períodos com registro de casos no Estado;
- Orientar consumidores a procurar serviços de saúde diante de sintomas suspeitos após consumo de pescado.
AOS COMERCIANTES E SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO
- Reduzir a oferta de espécies associadas à Ciguatera, sobretudo exemplares de grande porte, em períodos de alerta sanitário;
- Garantir a rastreabilidade do pescado, contemplando espécie, local de pesca ou aquisição e data;
- Informar claramente aos consumidores as espécies utilizadas nas preparações;
- Manter amostras das preparações alimentares (mínimo de 100 g), devidamente identificadas, sob refrigeração a 4°C ou congelamento a –18 °C, pelo período mínimo de 72 horas, conforme legislação sanitária vigente (BRASIL, 2004).
AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
- Realizar anamnese alimentar detalhada em casos suspeitos;
- Notificar imediatamente os casos no SINAN, classificando-os como intoxicação exógena (CID-10: T65.9) quando isolados, ou como surto de DTA (CID-10: A08 – Síndrome Diarreica Aguda) quando houver dois ou mais casos com vínculo epidemiológico;
- Comunicar prontamente à Secretaria Municipal de Saúde e à Secretaria Estadual de Saúde (CIEVS, CIATOX/RN, Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária);
- Indagar sobre a existência de sobras do pescado consumido, orientando sua preservação para análise laboratorial;
- Orientar pacientes e familiares quanto aos riscos do consumo de pescados de procedência desconhecida e de partes viscerais dos peixes;
- Evitar o uso indiscriminado de antibióticos em intoxicações de natureza exclusivamente tóxica.
Sintomas
Os principais sinais e sintomas aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca, podendo persistir por semanas ou meses.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.
Na série histórica de casos de intoxicação registrados entre 2022 e 2025 no Rio Grande do Norte, foram notificados surtos e casos isolados envolvendo diferentes espécies de peixes, com destaque para barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado.
Ciguatera
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. Essas toxinas estão presentes em microalgas invisíveis a olho nu. Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros. Quando o ser humano consome um desses peixes de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos.
As ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.
Não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera. O manejo baseia-se em medidas de suporte e tratamento sintomático, incluindo hidratação, analgesia, controle de náuseas e acompanhamento clínico.








