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Ponta Negra: secretário responde críticas sobre areia, esgoto e drenagem na engorda


Redação Tribuna do Norte




09h47

Foto: Live Cam Natal/YouTube

A engorda da praia de Ponta Negra voltou ao centro do debate após a faixa de areia amanhecer alagada na última sexta-feira (24), em Natal. As chuvas formaram grandes poças d’água ao longo da área ampliada, especialmente nas proximidades da Rua Erivan França, o que gerou grande repercussão nas redes sociais e uma série de questionamentos sobre a obra.

O tema ganhou ainda mais visibilidade após a circulação de um vídeo do secretário de Meio Ambiente e Urbanismo, Thiago Mesquita, comentando a situação. A publicação provocou dúvidas e críticas de moradores e internautas, que passaram a questionar desde o processo de licenciamento até o funcionamento da drenagem, a qualidade da areia e possíveis impactos ambientais.

À reportagem da TRIBUNA DO NORTE, o secretário respondeu os principais questionamentos levantados. Entre eles, estão: a suposta pressa na execução da obra, alegações de pressão sobre o Idema, dúvidas sobre a drenagem, questionamentos sobre presença de esgoto e críticas quanto à qualidade da intervenção. Confira:

A obra foi feita às pressas, com pressão sobre o Idema e com problemas na areia e drenagem?

“Não procede esse conjunto de questionamentos”, afirmou Thiago Mesquita. Segundo ele, o processo de licenciamento ambiental teve início ainda em 2017 e envolveu uma longa tramitação, com apresentação de estudos, complementações e análises técnicas.

“O processo de licenciamento no Idema iniciou em 2017. Obviamente não é que o Idema ficou com o processo parado de 2017 a julho de 2024. Não é isso. O município também teve que apresentar documentação, fez licitações, fez a contratação das empresas para realizar estudos”, disse.

O secretário também comentou a relação com o órgão ambiental e negou que tenha havido pressão indevida. Segundo ele, houve frustração com prazos que não se concretizavam: “O que nos deixava admirados eram as promessas que eram feitas de que as licenças seriam liberadas nos próximos dias ou nas próximas semanas e mesmo assim a gente não via acontecer”.

Ele acrescentou que a urgência da obra estava associada ao avanço da erosão. “Havia uma prioridade, uma urgência em fazer a obra devido ao avançado processo de dinâmica costeira e erosão na orla de Ponta Negra”.

Sobre a execução, Mesquita reforçou que houve planejamento e múltiplas camadas de controle técnico. “A obra foi muito bem feita” e contou com a atuação da Seinfra, responsável pelos projetos e fiscalização, além de empresas contratadas via licitação.

Entre elas, citou a DTA Engenharia, responsável pela execução da engorda. “uma empresa que tem grande know-how, que elaborou a sua sétima engorda, não foi a primeira, todas com sucesso”. A obra também foi supervisionada por outra empresa contratada, e acompanhada por instituições acadêmicas.

“Veja o cuidado que o município teve de contratar instituições, parceiros com grande know-how, antes, durante e após a execução da obra, quebrando qualquer narrativa de que foi uma obra feita de qualquer jeito, às pressas”, afirmou.

Ele também declarou que “a execução foi perfeita, a ponto de estarmos aí, hoje, com o aterro hidráulico cumprindo rigorosamente e a drenagem também, a sua função, mesmo diante de chuvas tão intensas”.

Houve invasão ou pressão ao IDEMA para liberação da licença?

O secretário classificou a acusação como “a mentira mais absurda” e que “foi muito trabalhada politicamente por uma deputada federal, mostrando até imagens com a musiquinha de fundo”.

Segundo ele, “foi marcada uma reunião pelo trade turístico, não foi pelo município”, e sua participação ocorreu a convite de representantes do setor. Mesquita relatou que, ao chegar ao local, havia um grupo maior de pessoas e que houve manifestações do lado de fora. “Começou a gritar, a falar, ‘libere a licença, Ponta Negra precisa’”, disse.

Ele afirmou que o fechamento do portão do órgão gerou reação. “Isso gerou indignação dos outros que não iriam entrar, e realmente houve um pequeno excesso de um ou de outro, que balançou o portão, por alguns segundos”.

No entanto, negou qualquer invasão ou dano. “Não houve quebra de portão, como falaram, não houve nenhum boletim de ocorrência, a polícia militar não foi chamada”. O secretário também reforçou que a reunião ocorreu normalmente e que, à época, “foi bastante produtiva” para o andamento do processo.

Os alagamentos mostram falha na obra e ausência de drenagem?

Para Thiago Mesquita, essa interpretação é incorreta. “É uma narrativa completamente insustentável”. Ele explicou que o sistema de drenagem foi projetado para reduzir a velocidade da água da chuva e evitar processos erosivos. “Nós colocamos 16 dissipadores com obstáculos, com chicanas, que reduzem drasticamente a velocidade desta água”, afirmou.

Segundo ele, a dinâmica atual é diferente do cenário anterior à obra: “Antes da drenagem da engorda, a água descia como uma enxurrada, contribuindo com a erosão”. Sobre os espelhos d’água, disse que são parte do funcionamento do sistema: “Esses espelhos são água de chuva, não é esgoto in natura que desce”.

Mesquita detalhou ainda que as lâminas: formam uma camada “muito rasa de água lateralmente” e, segundo ele, “em grande parte menos de 24 horas” ocorre a infiltração. Ele citou o episódio recente como exemplo. “Nós tivemos essa chuva de 136mm em Ponta Negra, hoje já recebi imagem que 100% da água já foi infiltrado”.

O secretário também relativizou o impacto no uso da praia. “Ninguém frequenta em lugar nenhum do mundo quando está um toró chovendo”.

Há esgoto misturado com a água da chuva na praia?

Mesquita reconheceu a existência de ocorrências, mas fez distinção em relação à obra: “Sim, desce esgoto, por ligações clandestinas, é uma quantidade muito pequena”.

Segundo ele, a presença desses despejos pode afetar a balneabilidade temporariamente. “Com a presença do esgoto tem a presença dos coliformes fecais, que é por isso que fica temporariamente a praia imprópria para banho”.

Ele afirmou que o problema não está relacionado à engorda. “Isso não tem a ver com a obra da engorda, isso não tem a ver com a drenagem”. O secretário disse que fatores estruturais ajudam a explicar o fenômeno, como a “falta de educação da população” e “falta de eficiência da Caern” no tratamento do esgoto..

Sobre a fiscalização, disse que a pasta tem intensificado as ações com aplicação de multas. “Temos agido até com tamponamentos em tubulações”, completa. Segundo ele, entre 2025 e 2026 foram feitas 52 ações, com cerca de 120 imóveis vistoriados, 73 autos de infração e aproximadamente R$ 500 mil em multas aplicadas, além de seis tamponamentos por descumprimento.

A Prefeitura reconhece problemas na obra?

O secretário afirmou que há pontos a serem aprimorados e negou postura defensiva: “Muita gente acha que o município está defendendo a obra de forma cega. Não, pelo contrário. Todas as entrevistas que eu dei, inclusive Shirley também, da Secretaria de Infraestrutura, a gente reconhece pelo menos quatro grandes desafios”.

Entre eles, citou a presença de rodolitos na areia, a adaptação da faixa em relação à dinâmica do mar, a coloração inicial da areia e os espelhos d’água.

Sobre estes últimos, apesar de defendê-los como solução técnica, afirmou que há melhorias em estudo: “Por mais que seja solução de engenharia, o município está trabalhando para melhorar ainda mais a drenagem”.

Ele explicou que a ideia é ampliar a retenção da água antes de chegar à faixa de areia. “Isso vai fazer com que esses espelhos de água sejam cada vez menores e que sejam também cada vez menos extensos”.

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